Star Wars: A Ascensão Skywalker – Crítica

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Não existe fandom mais maravilhoso e mais chato do que o de Star Wars. A parte boa é que graças a ele nós tivemos uma nova trilogia, impensável há alguns anos. Saber o que aconteceu com aquele mundo que nos encantou completamente 42 anos atrás foi sensacional! A parte ruim é que agradar esses fãs é uma tarefa quase impossível. Talvez seja esse o motivo que fez essa trilogia ter tantos “problemas”.

Muitos criticaram o episódio VII, seja pela protagonista, seja por parecer uma cópia de Uma Nova Esperança (como se isso fosse algo ruim). Então, JJ Abrams deu lugar a Ryan Johnson com um episódio oito extremamente controverso, onde o fandom se dividiu em amor e ódio (Eu sou da parte do amor). O episódio IX chegou com uma tarefa hercúlea: Como unir o Fandom novamente e trazer paz à galáxia?

Tivemos a resposta nesta quinta-feira, 19 de dezembro. Analisar um filme de Star Wars é ter que separar o coração da razão. Afinal, nenhum dos episódios foi perfeito. Todos tiveram furos de roteiro, situações clichês e Deus Ex-Machina. Talvez aquele com o roteiro mais redondinho tenha sido Rogue One, que é um filme fora da principal linha da saga Skywalker. Se formos analisar com a razão, apenas, veremos mais um filme de fantasia espacial, com naves, batalhas de sabres e alienígenas estranhos. A questão é: Deveríamos analisar Star Wars de maneira racional? Não, na minha opinião não devemos. Então, emocionalmente falando, será que a Ascenção Skywalker nos trouxe o Star Wars que nosso coração pediu? A resposta é sim.

OK! O filme tem vários problemas. A primeira parte é confusa, como se o episódio VIII simplesmente não existisse e a informação sobre um personagem apenas foi jogada em nosso colo. Mesmo que tenha sido algo pensado anteriormente ficou a impressão para muita gente de que resolveram inserir aquilo de última hora. Depois, tudo começa a acontecer de forma rápida e rasa, sem se aprofundar exatamente em nada, com uma montagem meio estranha.  JJ Abrams parece tanto querer agradar o mais que exigente fandom, que acaba não se arriscando e, por isso, soando covarde. Então, tecnicamente, é um filme mediano.

Mesmo o plot twist não é algo tão surpreendente assim. Aqui no Duas Torres mesmo levantamos a possibilidade em 2016 (se quiser spoilers clique aqui). E houve uma cena, quase no fim, onde eu quis levantar e jogar meu sapato na tela, em meio a aplausos e reclamações.

Antes mesmo do filme estrear, JJ Abrams já havia falado sobre as cenas de Leia. Foram usadas cenas gravadas na época de O Despertar da Força e inseridas de acordo com o contexto, para que ela tivesse uma despedida à altura. Ele já havia dito que elas estavam desconexas em relação ao filme. Infelizmente não achei que funcionou muito bem. Poderiam ter sido melhor aproveitadas se simplesmente os personagens que contracenavam com ela tivessem mais falas para fazer a ligação. Frases soltas e pequenos murmúrios foi tudo que restou de minha Leia. Isso me deixou triste, como grande fã de nossa Princesa/General.

Você deve estar pensando em como eu falei sobre o filme entregar o que nosso coração pedia se estou falando dos defeitos do filme. Pois bem… Lembra da questão emoção/razão? Esse é o ponto. Apesar dos defeitos, ele foi o que queremos de Star Wars. Ele nos falou de esperança pela voz de Poe. De redenção pela voz de Finn. De família pela voz de Rey. Nos mostrou que os caminhos da força vão muito além da família Skywalker e que ela está presente em todos os momentos. Ele nos trouxe todos os Jedi, todas as naves, toda a incrível simbologia que amamos há 42 anos.

Muita gente falou sobre um excesso de fan service. Não concordo. Cada momento tinha o seu objetivo. Seja encerrar fatos das outras trilogias, seja explorar a mitologia da saga. E cada um conversava direto com o nosso coração de fã. E nos trouxe às lágrimas em vários momentos emocionantes. Até um que me fez lembrar de Vingadores Ultimato e outro que fez soluçar a grande fã de Leia dentro de mim.

A Ascenção Skywalker não é o melhor filme de Star Wars, mas é uma bela despedida. Um bom desfecho para quem nem ao menos esperava em ver outro Star Wars no cinema. A saga Skywalker fechou-se. Pode ser que não com chave de ouro, mas de forma digna e emocional. Não veremos mais Luke, Leia e Han em novos filmes, mas abriu-se um novo leque que pode ser explorado a partir de hoje. Afinal, se o episódio IX nos deixou uma mensagem é de que a Força estará sempre conosco. Sempre.

70%
70%
Bom

Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019)
(Star Wars: The Rise of Skywalker)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 19 de dezembro de 2019
Direção: J J Abrams | Roteiro: J J Abrams, Chris Terrio
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Adam Driver, Mark Hamill, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Dominic Monaghan, Billie Lourd

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DCzete que adora a Marvel, escritora, melhor amiga de Leia Organa, prima do Superman, moradora de Valfenda e membro da Corvinal. Ok! Talvez alguns deles apenas em sua imaginação. Bernard Cornwell e Neil Gaiman guiam sua vida.

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