As Panteras – Crítica

0

Os segundos iniciais de As Panteras já instalam a proposta da nova versão de uma das séries mais conhecidas do mundo. Ao invés de um reboot, ou até mesmo de um remake, temos uma mistura que dá novos trejeitos à toda uma história que começou a ser construída na década de 1970. Além disso, o longa escrito e dirigido por Elizabeth Banks também prefere inverter estereótipos e divertir espectadores através de ação, inteligência e muito humor – todos os pontos em sintonia até o fim.

Também fica inquestionável a antecipada construção das personagens no início do filme, que especifíca de cara a personalidade e as habilidades de cada uma das protagonistas: no papel de Sabina, Kirsten Stewart aposta nas tiradas e piadas, além de, claro, não economizar na pancadaria; Jane, da atriz Ella Balinska, é, sem dúvidas, a mais experiente agente do trio; enquanto Elena, de Naomi Scott, é a novata que se vê em meio à uma organização secreta composta por mulheres. Ela, inclusive, se torna o estopim da trama central de As Panteras ao ver que um aparato tecnológico em que trabalhou, inicialmente como um projeto sustentável, pode ser transformado em uma arma. Bosley, personagem importante desde os primórdios da franquia, também ganha novas nuances no novo longa, que explora ainda mais a figura do líder – ou líderes – da Agência Townsend, que agora explora perigos internacionais.

Mesmo colocando pingos nos is de forma direta e clara, a narrativa construída por Banks ainda encontra espaço para muito mais através de uma grande mistura envolvente: ação, mistério, humor, saudosismo e muito girl power. Com tamanha precisão, As Panteras é constantemente atualizado e extremamente coerente. Seja através da inversão de valores, humor satírico e contemporâneo, até mesmo pela ação, o longa soube atualizar a consolidada franquia.

Reprodução/Sony Pictures

Um ponto interessante nas cenas enérgicas de As Panteras é como elas passam um extremo ar de celebração de filmes de ação que marcaram fim dos anos 1990. Sim, a porradaria bem executada está lá, assim como a aplicação de humor em cenas pontuais e resoluções mais mirabolantes para escapar de situações delicadas. Nenhuma foge à regra básica nestes momentos, fazendo com o que o filme também consiga divertir através de perseguições, socos, pontapés e tiros.

Então, então, que ao longo dos minutos se torna possível perceber que o filme veio com objetivos claros: divertir, reiventar e celebrar. E consegue na maioria das vezes. As Panteras inicia como uma continuação, mas consegue tirar, não só a própria franquia de sucesso do ostracismo, mas também quebrar rótulos e, de forma ou outra, passar uma mensagem interessante. Tudo converge para esses pontos, desde as atuações, direção e roteiro até o próprio desfecho final, o que pode, por muitas vezes, soar repetitivo e cansativo. Num escopo geral, o filme acerta em cheio, como dito, no quesito diversão, mas quando pode ser algo a mais, acaba não arriscando.

Reprodução/Sony Pictures

As Panteras é um filme “redondo”, sem erros gritantes que deixam espectadores impacientes. É a celebração de um produto há muito defasado, que encontra em tal celebração a chance de redimir e reestruturar. No entanto, mesmo podendo mirar vôos mais altos, a roteirista e diretor Elizabeth Banks prefere se manter no óbvio através de algumas piadas previsíveis e consequências narrativas nada supreendentes. O longa, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 14 de novembro, é a escolha certa para quem deseja algo leve e com risadas garantidas, além de garantir a chance de ver socos e pontapés e, claro, muito girl power. Para o que propõe, As Panteras é um baita acerto.

80%
80%
Muito Bom

As Panteras (2019)
(Charlie's Angels)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 14 de novembro de 2019
Direção: Elizabeth Banks | Roteiro: Elizabeth Banks
Elenco: Kristen Stewart, Naomi Scott, Ella Balinska, Elizabeth Banks, Patrick Stewart, Djimon Hounsou, Jonathan Tucker

  • 4
  • User Ratings (0 Votes)
    0

About Author

Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

Deixe o seu comentário