Turma da Mônica: Laços – O Filme – Crítica

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Acredito que não há praticamente qualquer pessoa neste país que não conheça a Turma da Mônica. E vou mais longe: Não acredito que há uma viva alma que tenha folheado um dos quadrinhos de Maurício de Souza e não se apaixonou imediatamente. Minha infância foi assim e creio que a de vocês também. Antes mesmo de aprender a ler, pegava as histórias da dentucinha mais amada do Brasil e as criava na minha mente, como se as estivesse lendo de verdade. A encantadora turminha nos fazia sonhar com aventuras, com aceitação de nossos defeitos e, principalmente, com uma amizade verdadeira. Quem não queria morar no bairro do Limoeiro e dar nós nas orelhas do Sansão?

Quando a Mauricio de Souza Produções divulgou que a maravilhosa HQ Laços dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi ganharia as telonas, apesar da minha felicidade, fiquei com o questionamento. Será que seria possível transformar personagens tão icônicos em reais? Logo nas primeiras fotos percebemos que sim. Ok! O Cebolinha não tinha apenas 5 fios de cabelo, mas eles estavam lá e você batia os olhos em cada um e sabia imediatamente quem eles eram. Aquelas crianças levaram as minhas expectativas às alturas!

É muito difícil para mim separar a emoção da análise técnica do filme e peço perdão se essa crítica descambar para o ligeiramente piegas. Cinema para mim não é algo que se analisa apenas com a cabeça, mas com o tanto que ele me comove, o quanto me sinto envolvida pela história. Gosto de sair da sala pensando naquilo que assisti, com a vontade de voltar mais vezes. Pois foi assim, e com lágrimas nos olhos, que saí da sessão. Laços me atingiu em cheio!

Em Laços, nossa turminha preferida tem que se unir para desvendar o sumiço do Floquinho, o cachorrinho (verde, sim) do Cebolinha. O filme com roteiro de Thiago Dottori com colaboração dos irmãos Cafaggi e direção de Daniel Rezende pode não ser tecnicamente perfeito. Apesar do esplendor de cores maravilhosas, que fazia o filme parecer páginas de quadrinhos, em momentos mais escuros a qualidade da imagem não se encontrava em tão boas condições. E essa foi a única parte que não foi perfeita na produção.

A história não é exatamente algo original, narrando a “Jornada do Herói” como em muitas outras produções. Contudo, de nenhuma forma isso é um demérito já que todo o roteiro é amarradinho, sem excessos, e extremamente bem dirigido. Daniel Rezende conseguiu fazer tudo fluir como deveria, sem correria, sem momentos dispensáveis. Tirando o melhor de cada ator.

Sem dúvida a parte mais acertada do filme foi a escolha do elenco. A química entre os quatro amigos estava absolutamente perfeita! Eram exatamente como Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão deveriam ser. Crianças tão carismáticas que digo a vocês que é impossível não amá-las e se emocionar com elas. Giulia Benite é a Mônica perfeita! Geniosa e doce ao mesmo tempo. A líder, mas sem jamais deixar qualquer pessoa de lado. E quem se incomodou com os 5 fios de Kevin Vechiatto estarem apenas no topo de sua cabeça, quando ele troca os erres pelos eles do jeito que imaginamos que o Cebolinha faria? Kevin, você pode me chamar para um de seus planos infalíveis qualquer hora! Gabriel Moreira também está incrível como Cascão! Companheiro do Cebolinha, até quando fica cansado dos seus planos, igualzinho das HQs. Agora, precisamos falar da Magali… Se houve um personagem que me tocou profundamente foi a Magali de Laura Rauseo! A doçura da atriz e da personagem se misturam e te encantam. Que carisma incrível! A comilona de Mauricio de Souza sempre foi minha preferida e a Laurinha é a Magali da vida real. Meu coração de menina de 5 anos te agradece por esse presente!

Quanto ao resto do elenco, tudo é um acertado! É sensacional olhar para a tela e reconhecer Titi, Aninha, Jeremias, Xaveco e companhia. O “seu” Cebola de Paulinho Villena, assim como a “dona” Luísa de Monica Iozzi estavam ótimos! Destaque também para o “Louco” de Rodrigo Santoro. Para deixar os fãs da HQ felizes, a Lu e o Vitor fazem uma pontinha e o próprio Mauricio tem seu momento Stan Lee.

Com uma trilha sonora impecável, o bairro do Limoeiro nos é apresentado como deveria. Um lugar atemporal onde as crianças podem correr e se aventurar.  Muito verde assim como nos quadrinhos. As casinhas parecidas, o parquinho, o campinho onde os meninos jogam bola. Todos nós já o conhecíamos, mas foi maravilhoso ver sua representação na tela de maneira tão fiel.

Todo o filme é um grande presente para todos nós que amamos a Turma da Mônica. Não há palavras para descrever a emoção de ver as situações e os personagens tão amados levados de maneira tão competente para as telas. Não é um filme para levar as crianças. É o filme para levar os filhos, os netos, os pais, os avós. E nós só temos que agradecer pela oportunidade de estarmos aqui, neste momento, para poder presenciar esse acontecimento. Dia 27 de junho estaremos lá novamente para vê-los. Ah! E, Mauricio de Souza Produções… Nós queremos mais!

Avaliação Final

90%
90%
Ótimo

Turma da Mônica: Laços - O Filme
País: Brasil | Classificação: Livre | Estreia: 27 de Junho de 2019
Direção: Daniel Rezende | Roteiro: Thiago Dottori
Elenco: Giulia Benite, Laura Rauseo, Kevin Vechiatto, Gabriel Moreira, Monica Iozzi, Rodrigo Santoro, Paulo Vilhena

  • 4.5
  • User Ratings (2 Votes)
    2.9

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DCzete que adora a Marvel, escritora, melhor amiga de Leia Organa, prima do Superman, moradora de Valfenda e membro da Corvinal. Ok! Talvez alguns deles, apenas em sua imaginação. Bernard Cornwell e Neil Gaiman guiam sua vida.

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