Homem-Aranha: Longe de Casa – Crítica

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Homem-Aranha: Longe de Casa presta serviços de cair os queixos dos fãs assíduos do Universo Cinematográfico Marvel: em primeiro lugar, por exemplo, é fechar arestas deixadas por Vingadores: Ultimato; em segundo, dar o pontapé inicial à Fase 4 do MCU; os pontos seguintes ficam para acertos em cheio não só em aspectos técnicos, mas na construção de uma história digna do Homem-Aranha para as telonas. Quanto ao pontapé inicial mencionado, deixe-me te contar: é um verdadeiro chute que mescla humor, drama, romance, mistério e cenas de ação que parecem retiradas diretas dos quadrinhos. A hora do Aranha de Tom Holland brilhar em um filme solo enfim chegou – e chegou com tudo.

Cuidado: spoilers de Vingadores: Ultimato abaixo.

A começar pelo peso emocional deixado pelo último filme dos Vingadores, Longe de Casa centra no sofrimento de Peter Parker (Tom Holland) causado pelas consequências do embate entre heróis e o vilão Thanos (Josh Brolin) enquanto viaja com sua turma de classe para a Europa. O mentor do Cabeça de Teia se foi, assim como outros personagens, claro, mas é o que acontecerá no futuro da vida do Homem-Aranha que está em cheque. Parker, como visto nos trailers de divulgação, sofre em deixar o posto de “Amigão da Vizinhança” para enfrentar ameaças maiores e se tornar o próximo Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) – uma imposição feita ao personagem que vem de diferentes vertentes. Cenas inundam as telonas com imagens de Tony Stark, da mesma forma que diálogos entre tantos personagens sempre relembram Peter de que o mundo sofre com a perda de um verdadeiro herói e que ele foi escolhido para assumir este posto – falas do próprio Stark em De Volta ao Lar já davam indícios disso. O conflito interno começa a crescer, mas ainda há mais por vir.

O icônico par romântico do herói talvez seja um dos acertos mais sutis de Longe de Casa. M.J., interpretada pela atriz Zendaya, deu seus primeiros passos no filme de 2017, mas é em Longe de Casa que a personagem cresce e abre caminho para estabelecer seu lado emocional, seus traços psicológicos e sua sinergia com Parker. Distinta de versões anteriores, a personagem serve não só como um alívio cômico em momentos tensos, mas desperta uma das maiores motivações de Peter: o amor. Longe de Casa passa minutos alimentando o relacionamento entre ambos de forma jovial e, por várias vezes, lúdica. São adolescentes descobrindo seus lugares no mundo, cada qual com sua própria responsabilidade e sentimento. Romance, inclusive, é uma das maiores apostas do filme, inaugurando vertentes com Ned (Jacob Batalon), Betty (Angourie Rice) e outros personagens – todas de forma natural e com resoluções certeiras.

Do peso, responsabilidade e conflitos internos vividos pelo herói, há ainda espaço para os ameaçadores Elementais, criaturas monstruosas de fogo, água, ar e terra, e a participação extraordinária de Mysterio, altero ego de Quentin Beck, personagem interpretado por Jake Gyllenhaal. É claro que por se tratar de um dos vilões mais interessantes do Homem-Aranha nos quadrinhos, fãs questionaram como a adaptação funcionaria nas telonas – a resposta fica não só para um roteiro que sabe esconder detalhes a sete chaves e, em seguida, apostar em reviravoltas, mas também para a atuação – novamente – espetacular de Gyllenhaal. A presença de Mysterio é constante e extremamente encantadora, o que torna o filme ainda mais divertido. O personagem de Gyllenhaal preenche lacunas quanto aos tais conflitos internos de Peter Parker, além de dar novas nuances – também – à próxima fase do MCU.

Reprodução/Sony Pictures

Há muito que se falar sobre a participação de Mysterio no filme, mas entrar em qualquer detalhe seria arruinar a experiência narrativa imposta pelos roteiristas Chris McKenna e Erik Sommers, além da direção de Jon Watts, que também dirigiu De Volta ao Lar. É possível dizer, entretanto, que a presença do personagem de Gylenhaal é o último degrau que o Homem-Aranha precisa alcançar para se elevar emocionalmente ao panteon dos heróis mais poderosos da Terra. A evolução de Parker é vista pouco a pouco no filme, sintetizando seu crescimento como o verdadeiro super-herói que é. Longe de Casa é a obra que enaltece o garoto com super-poderes e muitas responsabilidades de forma recompensadora – não aos fãs, mas ao próprio Homem-Aranha. Mysterio também carrega as melhores cenas visuais e especiais, principalmente ao lado do Aranha. No fim do segundo ato, mais especificamente, a cinematografia une ambos os personagens em uma das melhores sequências do MCU – fãs dos quadrinhos verão momentos especiais entre os dois ganharem vida de forma magistral.

O longa, que chega aos cinemas na próxima quinta-feira, 4 de julho, é uma verdadeira amálgama funcional entre humor, drama, romance, ação, mistério e relacionamentos. Peter Parker, como centro de todos os acontecimentos do filme, dá holofotes para – além dos personagens mencionados – Nick Fury (Samuel L. Jackson), Happy Hogan (Jon Fraveau) e Tia May (Marisa Tomei), cada um com uma forma diferente e específica de se relacionar com o herói. Mesmo com a abundância de personagens em volta do Peter, a sinergia e distinção de todos eles funcionam quando estão ao lado do protagonista. São acertos e mais acertos que humanizam a jornada do Homem-Aranha em sua mais nova aventura nos cinemas. Holland, que estreou no papel em Capitão América: Guerra Civil, se mostra cada vez incontestável como o Cabeça de Teia, atingindo, aos poucos, os patamares incontestáveis de Robert Downey Jr. como Homem de Ferro, Chris Evans (Capitão América) e Scarlett Johansson (Viúva Negra), por exemplo.

Divulgação/Sony Pictures

Homem-Aranha: Longe de Casa é um verdadeiro espetáculo narrativo e visual. Do relacionamento entre personagens ao conflito maior estabelecido pelo roteiro, o novo longa do Cabeça de Teia acerta do início ao fim em uma das histórias mais divertidas, intensas, misteriosas e legais do Universo Cinematográfico Marvel – especialmente da própria história do Homem-Aranha nos cinemas. No topo de tudo isso se encontra a resolução de pontos deixados em abertos até então e a iniciação das próximas jornadas do Homem-Aranha. Prepare-se para o que os conflitos atuais do herói têm a oferecer, além, claro, das cenas pós-créditos, que te pegarão de surpresa. Se lembra dos queixos caídos mencionados? As cenas pós-créditos também oferecem momentos assim.

O longa chega aos cinemas na próxima quinta-feira, 4 de julho.

Avaliação Final

100%
100%
Excelente

Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)
(Spider-Man: Far From Home)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 04 de julho de 2019
Direção: Jon Watts | Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Marisa Tomei, Jon Favreau, Samuel L. Jackson, Jake Gyllenhaal

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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