Godzilla II: Rei dos Monstros – Crítica

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Em 2014, Gareth Edwards (Rogue One: Uma História Star Wars) levou uma versão de Godzilla às telonas com as principais fórmulas do longa original, lançado em 1954, dividiu audiências ao redor do mundo. Uma das delas, talvez a mais criticada, foi dar poucos minutos de tela para o gigantesco monstro. No entanto, a sequência intitulada Godzilla II: Rei dos Monstros, do diretor Michael Dougherty, reverte tal ausência do consagrado Kaiju japonês e faz jus ao próprio título ao colocar o lagarto nos holofotes incessantemente.

O flashback inicial de Rei dos Monstros serve como um pilar entre o passado marcado pelo confronto entre o lagarto gigante e M.U.T.O. e o futuro da família Russell, que enfrenta uma tragédia pessoal durante o conflito entre monstros gigantes. É através da tragédia familiar de Mark (Kyle Chandler), Dra. Emma (Vera Farmiga) e Madison (Millie Bobby Brown) que a sequência abre espaço para novas perguntas e respostas sobre as criaturas colossais e a Monarch, organização que estuda organismos terrestres não identificados, e segue esta premissa do início ao fim.

A escolha do diretor e co-roteirista faz sentido no primeiro ato do filme, que introduz a criação da ORCA, um dispositivo criado pela Dra. Emma e Mark Russel para ajudar na comunicação entre humanos e monstros a fim de acalmar as criaturas e, desta forma, evitar novas catástrofes e tragédias. Mas é a própria utilidade do dispositivo que faz Rei dos Monstros escorregar diversas vezes ao longo de seus três atos com investidas repetitivas sobre seu uso, que acontece a cada oportunidade – e são muitas oportunidades.

Se há a desculpa para um monstro aparecer em tela, tenha certeza de que o dispositivo será mencionado; se um monstro some sem deixar rastros, o dispositivo também será mencionado. A ORCA, desta forma, se mostra mais como uma desculpa para a falta de criatividade do que um recurso para a ajudar a trama a evoluir. No entanto, há um fator positivo que o dispositivo consegue carregar: a aparição dos monstros nas telonas. Rei dos Monstros é mais humanizado do que o primeiro longa, mas encontra um paradoxo interessante ao dar mais espaço às criaturas do que aos próprios seres humanos – um tiro certeiro.

Divulgação/Warner Bros. Pictures

Como disse, o próprio título da sequência faz jus às escolhas de colocar Godzilla no papel principal do filme, que agora parte para confrontos ainda mais avassaladores contra outros monstros, principalmente com o icônico Ghidorah – visto também nos materiais promocionais, o grande vilão de Godzilla II: Rei dos Monstros. A família Russell pode ser a catalizadora da humanização do universo monstruoso, mas Godzilla e outras criaturas são sempre o centro dos acontecimentos mais relevantes e se mostram os grandes reis do show. Há ainda a figura vilanesca de Charles Dance (Game of Thrones), que interpreta Jonah Alan e tenta elevar a tensão do longa, mas aparece pouco e pouco faz quando aparece. Deixar Ghidorah como o grande antagonista é outro acerto de Rei dos Monstros.

O universo dos monstros cresce no novo longa da Warner Bros. Pictures e Legendary, que já haviam, além do próprio Godzilla, introduzido King Kong em Kong: Ilha da Caveira – agora, tal universo conta com 17 criaturas e, consequentemente, mais destruição. A escolha de enaltecer e introduzir novos titãs funciona de uma forma muito simples e direta: mitologia. É através de mitos passados cravados e pintados em pedras por diversas culturas que os monstros ganham significado, assim como a própria destruição causada pelos mesmos, que sai de uma vertente gratuita e se torna justificável. A justificativa funciona muito bem, por mais simples que seja, e abre espaço para ainda mais confrontos futuros em próximos longas.

Rei dos Monstros pode falhar ao criar uma necessidade exaustiva em relação ao dispositivo ORCA e ao não acertar no drama familiar, que mesmo eficiente no contexto geral, é gigantescamente genérico, mas quando os monstros aparecem na telona, não queremos que saiam do campo de visão. São os Kaiju que roubam a cena.

Divulgação/Warner Bros. Pictures

A partir do momento em que a ação desperta e segue em uma crescente, Rei dos Monstros parte para seguidos acertos. Dr. Ishiro Serizawa (Ken Watanabe) volta para enaltecer a existência dos colossos e é destacado, mais uma vez, com as melhores frases e ações dos humanos no longa – mesmo que humanos sigam como um dos alicerces mais fracos também nesta sequência.

Toda a antecipação criada para a participação de Mothra, além do próprio Godzilla e Ghidorah, chega a um prêmio máximo quando monstros se enfrentam em meio às cidades do longa para sagrar um dos combatentes como o grande alfa da alcateia monstruosa. Há beleza, caos, destruição e romantismo na forma como Dougherty transfere os monstros para as telas, sempre sem medo de causar o maior estrago possível à humanidade com ângulos, cortes e efeitos visuais e especiais muito bem definidos e executados, que convergem em realismo mesmo em meio à fantasia. Embates entre criaturas gigantescas são interessantes por si só, mas ganham novos significados em Rei dos Monstros – um espetáculo visual a parte e muito antecipado pelos fãs do lagarto.

Godzilla II: Rei dos Monstros erra em resoluções e repetições nada criativas, principalmente em relação ao drama familiar e a operação da Monarch com o dispositivo ORCA. No entanto, o confronto entre Godzilla, Ghidorah, Mothra e outros monstros salvam o longa da monotonia com um espetáculo avassalador, resultando em um bom filme. Dando continuidade ao longa de 2014 e Kong, Rei dos Monstros justifica pontos abertos e abre espaço para novos conflitos, mas se mostra longe de entregar uma conclusão ao universo de Godzilla e outros Kaiju. Que venham mais embates colossais. Que venha mais Godzilla. Vida longa ao Rei.

O longa chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 30 de maio.

60%
60%
Bom

Godzilla II: Rei dos Monstros (2019)
(Godzilla: King of the Monsters)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 30 de maio de 2019
Direção: Michael Dougherty| Roteiro: Michael Dougherty e Zach Shields
Elenco: Vera Farmiga, Kyle Chandler, Millie Bobby Brown, Ken Watanabe, Ziyi Zhang, Bradley Whitford, Sally Hawkins, Charles Dance e Thomas Middleditch

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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