Vingadores: Ultimato | A saga de Thanos

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Thanos. O Titã Louco. Amante da Morte. Dione. Criado por Jim Starlin na edição 55 de Homem de Ferro, o personagem ganhou os holofotes em 2012 – com um sorriso confiante em uma pós-créditos que explodiu cabeças – quando deu a entender que seria um dos principais antagonistas dos maiores heróis da Terra. Foi, entretanto, somente em Guerra Infinita que o grande vilão veio para as telas com toda sua força – e este feito está para se repetir no aguardado Vingadores: Ultimato.

O próximo filme do que está sendo chamada pelos fãs de “A Saga do Infinito” é justamente o capítulo final de sua história. Thanos, apesar de manter-se nos bastidores, sempre foi um dos grandes protagonistas dessa saga, marcando presença em todas as três fases do Universo Cinematográfico Marvel e, mesmo com o pouco tempo em cena se comparado a outros personagens já icônicos, tornou-se uma das mais fascinantes figuras de toda esta jornada. A ansiedade dos fãs para ver como terminará esse embate resultou em recordes de bilheteria logo nas primeiras horas de venda, uma resposta à altura para a exímia construção orquestrada por Kevin Feige durante os últimos 11 anos(!).

“Um sorriso confiante em uma pós-créditos que explodiu cabeças”

Embora sua jornada cinematográfica tenha bebido de fontes na nona arte – Desafio Infinito (The Infinity Gauntlet) e Thanos: Em Busca do Poder (The Thanos Quest), por exemplo, serviram de base para o terceiro filme dos heróis –, dizer que o sucesso do personagem foi um acerto pela adaptação/qualidade dessas histórias é minimizar toda a construção que deram ao vilão. Se nos quadrinhos, Thanos não surgiu para ser um personagem denso, sua contraparte cinematográfica interpretada por Josh Brolin já nasceu com o intuito de ser o maior dos desafios. Junte isso a uma bem esclarecida história sobre heróis humanos, que triunfam e erram na mesma medida e o resultado é um filme que já fora produzido como um gigantesco clímax.

Perfeito equilíbrio.

Uma das críticas mais recorrentes às adaptações do Marvel Studios são os vilões. De conquistas pontuais como o Loki de Tom Hiddleston e o Erik Killmonger de Michael B. Jordan até os mais odiados como o Mandarim de Ben Kingsley e o – não-Barão – Zemo, a galeria de antagonistas dos filmes apresentam poucos personagens memoráveis. Entretanto, a atenção que os criadores que moldaram este universo cinematográfico tiveram com Thanos foi diferente. Ao encontrá-lo pela primeira vez em Guerra Infinita, espectador desavisado sente uma densidade inédita entre os vilões já vistos. Sua apresentação não poderia ser melhor: Thor subjugado, Hulk derrubado em segundos e a morte do asgardiano(?) favorito dos fãs tratam de deixar claro a ameaça da vez. E nós espectadores nos vemos obrigados a refletir: seriam Os Vingadores capazes de saírem vitoriosos desta vez?

Sua motivação no cinema – acabar com metade do universo para preservar os recursos naturais finitos – não é tão poética quanto dizimar milhões apenas para conquistar o amor da Morte, é verdade. Entretanto, concede ao personagem uma humanidade peculiar, que vai de encontro às suas origens: o mais “alienígena” dos vilões, é também o mais humano dentre eles. A atuação de Josh Brolin e todo o trabalho de efeitos visuais envolvido tornam possível que Thanos seja crível, mas nada disso seria relevante se o personagem fosse apenas “bem-feito”. Pelo contrário, é através de suas convicções, de seus atos, seus discursos e seus sacrifícios, que entendemos o porque de Thanos ser único. E também nos convencer de que não haveria outro final possível para o embate visto em Guerra Infinita.

É através de suas convicções, de seus atos, seus discursos e seus sacrifícios, que entendemos o porque de Thanos ser único”

Por sua vez, assistir o antagonista triunfando pouco a pouco sobre nossos heróis, acumulando cada vez mais poder à medida que reúne mais jóias em sua manopla causa um sentimento conflitante. Diferente do arquétipo clássico de vilania, Thanos está longe de ser simplesmente o cara mal. É impossível odiá-lo, pois sua convicção é legítima – e justa – a ponto de nos cativar por instantes, ainda que em seguida lembremos de que ele é o vilão. Sua dor ao lidar com as perdas, tal como sua ira ao constatar que os humanos são menos inofensivos do que havia pensado, são sentimentos genuínos que ajudam a corroborar o engajamento emocional do espectador em uma trama de armaduras nanotecnológicas, deuses e super soldados.

Custe o que custar.

Ficou claro em Guerra Infinita que um dos fatores que fizeram com que Thanos triunfasse sobre os heróis foi sua determinação, tão forte que o Titã Louco não mediu esforços para realizá-la. Enquanto vemos o Capitão América dizer heroicamente que não negociam vidas, Thanos está tão absorto em seu objetivo que persiste mesmo diante das mais difíceis escolhas. Aparentemente, por tudo que sabemos de Ultimato, os heróis estão prontos para tentar lidar com essa ameaça novamente e reverter as consequências da vitória do vilão, mas precisarão ir além de tudo que já fizeram antes. Custe o que custar.

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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