Vingadores: Ultimato – Crítica

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Avante, Vingadores!

Antes de mais nada é necessário deixar claro que Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame) é diferente de todos os filmes da Marvel. A obra visa atingir um público específico e, por isso, destaca-se entre as demais do estúdio apresentando uma narrativa e estrutura únicas. Ele é uma resposta, uma consequência, um presente aos fãs que acompanharam essas histórias desde que Nick Fury (Samuel L. Jackson) disse à Tony Stark (Robert Downey Jr.) que ele não era o único herói do mundo. Para tanto, é possível escolher sob qual ótica o filme será avaliado: simplesmente um filme, ou uma homenagem aos criadores, colaboradores e, claro, aos fãs que estão nesta jornada desde o começo. Considerando a segunda premissa, é impossível avaliar o filme ignorando o emocional de alguém que lê quadrinhos desde sempre e acabou por se deparar com um ganhando vida na tela do cinema. E portanto, mais do que nunca, a Marvel superou todas as expectativas.

O time de criadores composto por Kevin Feige, James Gunn, Jon Favreau, Stan Lee, os roteiristas Christopher Markus, Stephen McFeely e os diretores Joe e Anthony Russo trabalharam para que Ultimato fosse não apenas uma conclusão, mas um filme que traz consigo todo o peso dos 21 filmes que o antecederam. Não é novidade que a Marvel costura seus filmes de modo sutil – culminando nos três filme-evento anteriores –, mas aqui é completamente diferente: para tirar o máximo proveito do novo filme, ter visto os anteriores é essencial. Inclusive é a primeira vez que uma produção do estúdio é completamente contida dentro da mitologia cinematográfica, claro que há pequenos acenos aos quadrinhos, mas seu roteiro traz uma carga de autorreferência muito maior do que já fora visto antes, surtindo maior efeito quando há um investimento emocional maior por parte do espectador.

Seus bons 181 minutos – a maior duração para um filme do estúdio até aqui – são bem distribuídos entre a apresentação dos personagens no cenário pós-Guerra Infinita, para seguir com a estratégia bolada pelos heróis e, finalmente a grande batalha final. Apesar do segundo ato ser um pouco mais extenso que o necessário, os roteiristas aproveitam esses momentos ao máximo para investir no desenvolvimento dos protagonistas – e é surpreendente que, beirando à conclusão, ainda haja tempo e espaço para seguir desenvolvendo os personagens. Com isso, personagens esquecidos ou ausentes no filme anterior tem mais tempo para brilhar – destacam-se Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo), Scott Lang/Homem-Formiga (Paul Rudd) e Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) – ao passo que a tríade formada por Natasha Romanov/Viúva Negra (Scarlett Johansson), Tony Stark/Homem de Ferro e Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) ganha em densidade. Os três atores se mostram bastante à vontade nos papéis e ainda mostram uma atuação genuína que irá marcá-los para sempre no panteão dos heróis Marvel.

E se Guerra Infinita conseguiu manter um equilíbrio melhor entre seus diversos núcleos, Ultimato não tem o mesmo êxito, cometendo alguns deslizes conforme traz mais personagens ao centro da história, que por vezes soa um tanto travada pelo número de subtramas paralelas. É difícil compreender, por exemplo, a passagem de tempo em cada lugar conforme acompanhamos os encontros e desencontros de personagens específicos. Felizmente, é algo corrigido logo na metade do filme conforme a trama segue seu rumo natural e mesmo as pontas soltas deixadas pelo caminho – algumas propositais, diga-se de passagem – são facilmente toleráveis se o espectador optar por enxergar Ultimato como parte de algo maior, uma conclusão para uma história já começada. Outros aspectos acertados antes, como a paleta de cores inventiva de Trent Opaloch – que trabalhou em Guerra Infinita e retorna aqui – se perde devido ao teor mais sombrio da obra, ao passo que a belíssima trilha sonora composta por Alan Silvestri retorna sem grandes novidades, mas utilizada com sabedoria para guiar o público pela trama enquanto relembra momentos emblemáticos de outrora.

É também importante ressaltar o salto tecnológico quando falamos do CGI do filme. Se anteriormente, Thanos foi o grande expoente de qualidade gráfica, em Ultimato os Irmãos Russo usam a computação gráfica para criar a maior batalha já vista nos filmes de super-heróis. É notável que direção e roteiro acompanham o salto de qualidade e fazem com que o confronto não se torne algo genérico. Pelo contrário, a dupla de diretores amplia muito mais o escopo do que já haviam feito em Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita e criam uma sequência bela e grandiosa com diversos heróis, respeitando as peculiaridades de cada um deles – os poderes, o modo como se movem, suas personalidades – e que certamente irá requerer uma revisão para que o espectador consiga absorver a cena completamente.

Em essência, Guerra Infinita e Ultimato são duas metades de um mesmo filme. A primeira, convergindo todas as linhas narrativas criadas pela Marvel para que a segunda fosse o definitivo final deste grande capítulo em sua história. Se trazido para o contexto da nona arte, pode-se dizer que Vingadores: Ultimato é uma graphic novel com sequências tão épicas que são dignas das maravilhosas páginas duplas que todo leitor já parou alguns segundos para admirar. Surpreendente, divertido, emocionante, são algumas palavras que poderiam descrever o filme, mas ao final dos créditos – quando a ausência de uma cena extra é sentida pela primeira vez –, há somente um sentimento que define o Ultimato da Marvel: a gratidão de ver realizado um sonho de criança. E claro, a saudade desse incrível universo.

Avaliação Final

100%
100%
EXCELENTE

Vingadores: Ultimato (2019)
(Avengers: Endgame)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 25 de abril de 2019
Direção: Joe e Anthony Russo | Roteiro: Stephen McFeely, Christopher Markus
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Paul Rudd, Brie Larson, Karen Gillan, Tessa Thompson, Josh Brolin

  • 5
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    3.6

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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