A Maldição da Chorona – Crítica

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Já se tornou um fator comum estúdios de cinema adaptar contos folclóricos e lendas urbanas para criar obras de terror que aterrorizaram audiências ao redor do mundo. A mais nova aposta da Warner Bros. é A Maldição da Chorona, longa produzido por James Wan (Invocação do Mal) que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 18 de abril, e leva um espírito maligno popular na cultura mexicana às telonas.

Os roteiristas Mikki Daughtry e Tobias Iaconis, assim como o diretor Michael Chaves, levam espectadores ao século 16 para estabelecer a maldição da Chorona e, de cara, antecipar o mal que assombrará os arcos da família de Anna Tate-Garcia, interpretada por Linda Cardellini, séculos depois. O mito da Chorona, popular em culturas da América Latina, é fruto de ciúmes: ao saber que seu marido a traiu com uma jovem, a mulher afoga seus próprios filhos em um rio e se joga nas mesmas águas. Fadada a viver entre o céu e o inferno, a Chorona vaga pela Terra em busca de outras crianças para substituir seus próprios filhos.

Divulgação/Warner Bros. Pictures

Cardellini interpreta uma assistente social que, após a morte de seu marido, intercala trabalho e cuidados dos filhos Chris (Roman Christou) e Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen). Como não poderia ser diferente, já que são centro da trama, os pequenos se tornam alvo do espírito maligno.

A premissa simples caminha naturalmente ao decorrer do longa, mas falha ao apontar, através de falas e objetos, possíveis formas de superar a perigosa criatura. A fé, por exemplo, é deliberadamente apresentada como um dos recursos que salvarão a família, mas some após ser introduzida. Há pouco espaço para desenvolvimento dos personagens, tampouco tempo para compartilhar aflição com o perigo iminente.

O que fica de positivo no filme são os recursos técnicos para assustar e aterrorizar espectadores através da Chorona, incansável criatura que quer levar os filhos de Anna. A direção de Chaves funciona muito bem, já que o diretor usa – e abusa – de técnicas que consagraram os filmes da franquia Invocação do Mal, especialmente as de James Wan. A Maldição da Chorona não busca, desta forma, implementar algo inédito ao gênero de horror, somente visa o entretenimento e jump scares.

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Enquanto as investidas da Chorona se intensificam, a aplicação de ângulos de câmera e aparições repentinas e assustadoras também inundam as telonas. A antecipação para mostrar a antagonista é frequente, sempre demorando segundos até que ela surja e assuste – fato que impressiona por tamanha ansiedade que trilha sonora e fotografia concretizam.

No entanto, nos momentos em que o filme mais promete entregar terror, o roteiro vira bruscamente e aposta em momentos cômicos. A aparição do místico Rafael Olvera, interpretado por Raymond Cruz, promete heroísmo e novas informações sobre como parar a mulher que chora, mas é acompanhado por inúmeras piadas que tiram o peso sombrio do longa.

O fator cômico faz com que A Maldição da Chorona encontre uma nova perspectiva no universo de Invocação do Mal, mas destoa de todos os outros títulos que compõem tal leque. Outro ponto inovador ao universo é o misticismo, fator que sobrepõe aspectos religiosos mais preponderantes dos outros longas.

Reprodução/Warner Bros. Pictures

A Maldição da Chorona não encontra inovações técnicas ou narrativas ao gênero de horror e sobrenatural, mas não deixa de entreter espectadores com uma história simples e não menos chocante em seus momentos mais tensos.

Personagens são discretos e se encaixam bem no contexto narrativo através das performances dos atores, que reproduzem suas angústias e sensações nas telonas de forma sólida. No entanto, adicionar tons cômicos faz com que o longa de horror caminhe sobre uma linha destoante com a proposta inicial. Pontos narrativos que parecem importantes perdem muito espaço, e o filme decide apostar na comicidade em meio ao terror logo no início do terceiro ato. Entretanto, a antecipação para os repentinos sustos realizados através das aparições do ser sobrenatural conseguem angustiar, o que deve fazer o público pular da cadeira em muitos momentos. Um bom filme, mas nada mais do que isso.

A Maldição da Chorona chegou aos cinemas nesta quinta-feira, 18 de abril.

60%
60%
Bom

A Maldição da Chorona (2019)
(The Curse of La Llorona)
País: EUA | Classificação: 14 anos | Estréia: 18 de abril de 2019
Direção: Michael Chaves | Roteiro: Mikki Daughtry e Tobias Iaconis
Elenco: Linda Cardellini, Roman Christou, Jaynee-Lynne Kinchen, Raymond Cruz, Marisol Ramirez, Patricia Velasquez, Sean Patrick Thomas

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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