Shazam! – Crítica

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Shazam, antes conhecido como Capitão Marvel nos quadrinhos da DC Comics, chega aos cinemas em 4 de abril para responder uma questão que nós, aficionados pelos universos de heróis, já tivemos em algum momento de nossas vidas: e se eu ganhasse superpoderes da noite para o dia? A resposta é deliberadamente entregue pela perspectiva de Billy Batson (Asher Angel), um adolescente órfão que ganha os poderes de um mago e precisa entender que as responsabilidades da jornada de um super-herói são mais pesadas do que parecem.

Dirigido por David F. Sandberg (Quando as Luzes se Apagam) e escrito por Henry Gayden, o longa da Warner Bros. inicia estabelecendo a ambição do Dr. Silvana (Mark Strong) e apresentando o Mago Shazam (Djimon Hounsou), que busca por um campeão com coração puro para lhe passar seus poderes a fim de proteger o mundo do mal. Os momentos iniciais de Shazam! servem, também, para escancarar a principal mudança no Universo da DC nos cinemas: o tom sério e sombrio começou a dar mais espaço para o humor já em longas anteriores, como Aquaman, mas é em Shazam! que as empresas envolvidas pontuam que o passado obscuro de outrora agora abre alas para momentos mais leves e, sem dúvidas, cômicos.

Em Shazam!, a leveza e humor são ostentados a cada segundo das cenas partilhadas entre o núcleo familiar adotivo de Batson, especialmente Freedy Freeman, interpretado por Jack Dylan Grazer, e o próprio protagonista – que ganha forma adulta interpretada por Zachary Levi ao gritar “Shazam”. Como uma espécie de ajudante, Freedy é o principal intermediário entre os descobrimentos dos poderes de Shazam e a inclusão do herói no universo cinematográfico da DC. É ele quem resgata memórias e cita outros personagens, como Batman e Superman, e se mostra um verdadeiro fanático pelos super-heróis – rendendo piadas e diversos momentos divertidos. E são muitos momentos divertidos.

Billy Batson (Asher Angel) e Freedy Freeman (Jack Dylan Grazer) – Foto: Reprodução/Warner Bros.

Tudo no longa é uma desculpa para piadas: descobrir os potenciais poderes do herói, as relações do núcleo familiar do protagonista, a vida estudantil dos personagens e até o combate entre herói e vilão. Tamanha comicidade faz com que a ação seja deixada em segundo plano, revelando, desta forma, a verdadeira faceta do filme. Não se trata só de uma história de origem, de um combate entre bem e mal, ou até mesmo de um filme de ação: se trata de um filme família.

Tal escolha se justifica pelo próprio herói em alguns arcos específicos dos quadrinhos, o elenco de atores jovens, a ambição máxima de Batson e a personalidade imposta por Zachary Levi, que previamente demonstrou seus traços cômicos na série Chuck, de 2007. Ao gritar Shazam, o pequeno Batson se transforma num herói adulto, mas mantém todas as camadas de sua personalidade intactas. A simples ideia de um homem com a personalidade inocente e ingênua de uma criança caminha, por si só, sobre uma linha um tanto quanto bizarra, mas Levi executa o feito perfeitamente e se consagra no mesmo panteão de Jason Momoa (Aquaman), Gal Gadot (Mulher-Maravilha), Henry Cavill (Superman) e Ezra Miller (Flash). O Shazam de Zachary Levi veio para ficar.

Freedy Freeman (Jack Dylan Grazer) e Shazam (Zachary Levi) – Foto: Reprodução/Warner Bros.

Há, obviamente, o outro lado do filme: Dr. Silvana, vilão interpretado por Mark Strong. Sua motivação passa longe de uma ideia inovadora, mas funciona perfeitamente no contexto do longa – e não foge de lhe render qualidades vilanescas num total. Visual, voz e ações de Dr. Silvana condizem com sua ambição em todos os segundos do filme, mostrando que, de fato, o personagem é um antagonista à altura de Shazam – principalmente por ser um completo oposto do herói.

A presença do vilão, no entanto, não rende tantas cenas de ação e lutas desenfreadas e arrasadoras quanto outros filmes da DC. Shazam! prefere, e acerta ao fazer isso, se apoiar em descobertas. Como é a vida de um super-herói? Como salvar o mundo? As respostas são entregues aos poucos num formato cômico, leve e puro. No final, o longa consegue contar uma história simples e divertida, tanto para crianças quanto para adultos, sem antes entregar reviravoltas inesperadas para o público geral e fãs dos quadrinhos do herói.

Shazam! é um novo marco da DC nos cinemas. Repetidas cenas cômicas podem cansar alguns espectadores, mas apoiar seu roteiro em leveza, descobertas simples e acontecimentos inusitados, transformam o longa, num todo, uma obra de entretenimento universal. Crianças e adultos se divertem frente às telonas com a ingenuidade e inocência dos jovens, enquanto anseiam pelo embate entre herói e vilão – que demora, mas surpreende. O filme chega aos cinemas em 4 de abril disposto a mudar a fórmula consagrada de histórias de origem dos super-heróis – e consegue.

90%
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Excelente

Shazam! (2019)
(Shazam!)
Direção: David F. Sandberg | Roteiro: Henry Gayden
País: EUA | Classificação: 13 anos | 2h12min | Estreia: 4 de abril de 2019
Elenco: Zachary Levi, Asher Angel, Djimon Hounsou, Mark Strong, Jack Dylan Grazer

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About Author

Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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