Parece empoderada, mas não é

0

Geração mimimi. Quantas vezes escutamos ou lemos essa expressão quando envolve assuntos polêmicos? Seríamos uma geração chata por si só ou estamos tentando evoluir debatendo assuntos que antes eram varridos para baixo do tapete? Apesar de alguma chatice (minha também) eu acredito mais na segunda opção. É importante falarmos, debatermos, para que – quem sabe um dia – possamos nos colocar no lugar do outro. Empatia é uma das maiores necessidades da humanidade.

Quando falamos de feminismo no mundo geek/nerd, muitas vezes despertamos um barulho ensurdecedor. O nerd é machista em sua essência. Sei disso desde que ignoravam minhas opiniões sobre uma HQ porque “Você gosta do Superman porque ele é bonito”. Ou quando tinha que listar 10 planetas ou raças de Star Wars porque não era “coisa de menina”. E até hoje vemos isso acontecer quando aquele Game mega esperado recebe péssimas avaliações porque é protagonizado por uma mulher. Quantos não apostaram que Capitã Marvel ia flopar pelo “mantra” mais chato que diz que “Quem lacra não lucra”? Ser mulher no mundo geek é bem complicado.

Mas eis que temos uma enormidade de filmes e séries que trazem um monte de mulheres empoderadas e guerreiras. E isso faz um bem enorme para nossa autoestima! Nos sentimos representadas e compreendidas. No entanto, algumas vezes a série nos oferece uma coisa e entrega outra. Não estou dizendo que são séries ruins! Não me entendam mal! Muitas eu realmente gosto. Apenas dá um gosto amargo na boca do estômago e pensamos “Não, amiga. Apenas não.”. Algumas apenas por serem de uma época diferente. Outras, porque o machismo é tão intrínseco na nossa sociedade que passa completamente despercebido. É natural.

Como ser natural não é sinônimo de ser certo, vou colocar o dedo na ferida e expor 4 séries que precisam ser repensadas. Não me xinguem muito!

  • Ordem na casa com Marie Kondo

A proposta desse Reality show/série da Netflix é interessante. Ajudar pessoas desorganizadas a colocar ordem na própria casa. Ela é fofa, carismática e obviamente muito boa no que se propõe a fazer. É sempre bom ver uma mulher competente em seu trabalho! Mas, uma coisa q me incomoda é que em vários momentos a série demonstra que é da mulher a responsabilidade de colocar ordem na casa. Aí é uma grande bola fora, né, minha gente? Vamos concordar que hoje em dia, na nossa correria louca, duas pessoas dividindo a responsabilidade ainda é pouco!

  • Gilmore Girls – Um ano para recordar

Eu amo Gilmore Girls! Lorelai, Rory e seus diálogos super-rápidos me farão assistir a série clássica inúmeras vezes! Quando saiu a notícia de uma nova temporada, mal pude esperar para rever Stars Hollow! Mas eis a minha frustração ao ver que pegaram toda uma história de duas mulheres extraordinárias e fortes, amassaram e jogaram no lixo. Rory amante de um homem comprometido? Mesmo que esse homem seja o Logan? Aquele com quem ela não aceitou se casar porque queria realizar seus sonhos profissionais? Por favor? Cadê tudo o que ela aprendeu com Lorelai?

Eu entendo que os produtores quiseram fechar um ciclo com a gravidez de Rory, mas, pelo amor de Odin, a mãe engravidou aos 16 anos e passou a vida mostrando a ela onde isso a levou. Tudo isso para, no fim, ela cometer o mesmo erro na idade adulta? Por favor… Vamos esquecer essa temporada, ok? Ou fazer outra dizendo que tudo era um pesadelo da Lorelai…

  • The Nanny

Ok! A época era outra. Não podemos comparar uma série dos anos 90 com as atuais. E se procurarmos vemos atitudes machistas em Friends ou How i met your mother. No entanto não estou aqui para uma caça às bruxas. Nenhuma delas era produzida e estrelada por uma mulher. E uma mulher incrível!

Para quem não conhece quem é Fran Drescher, vai aí um resuminho! Além de ser uma excelente comediante, roteirista e dona de uma voz, digamos, peculiar, é uma grande ativista dos direitos das mulheres. Após ser diagnosticada erroneamente por 8 médicos, ela descobriu que estava com câncer de útero. Depois de vencer essa batalha, ela se tornou reconhecida no Congresso Americano por sua luta pela saúde feminina, tendo colaborado até mesmo na aprovação de uma lei que conscientiza e promove a educação sobre o Câncer ginecológico. Ou seja, Fran Drescher é A mulher. Então me admira um pouco sua série não ser reflexo de quem ela é.

Fran Fine é baseada na vida da própria atriz, que utilizou versões de sua família como personagens da série. E sei que é uma comédia, no entanto, o que me incomoda extremamente, muito mais do que com a loucura de Fran em se casar, é a relação do show com C C Babcock. A “sócia” de Maxwell é retratada de forma depreciativa por não se vestir de forma feminina. Tratada de forma assexuada porque é competente no trabalho. Em determinado episódio, ela pede a Maxwell que a trate como igual no trabalho. Que trabalha tanto quanto ele e merece a sociedade por igual. Ele não aceita e faz chacota. No fim, ela aceita um acordo bem mais ou menos para continuar com ele. É o reflexo de tudo o que nós gostaríamos de mudar na sociedade.

  • Sex and the City

“Mas, Mah, Sex and the city tem Samantha!”, vocês poderiam me falar. Sim. Aquela que as próprias amigas taxam de vadia? Desculpem, mas Sex and the City mostra tudo de errado em relação a ser mulher e como deve ser uma boa amizade entre elas. Eu honestamente deixei de gostar da série após começar a notar coisas que eu não havia percebido antes. E se me acompanharem na análise das personagens, vocês vão me entender.

Carrie é incrível, não? Colunista bem-sucedida, dona de uma invejável coleção de Manolo Blahniks. O que poderíamos ver de errado nela, além do fato de ela gastar mais do que ganha com os sapatos? Carrie é nossa musa que vive em uma péssima relação abusiva e nociva com Mr Big. Sempre que ela está em um bom relacionamento, lá vem a desgraça de homem de volta. E a tonta cai nessa todas as vezes…

Miranda era bem-sucedida, amava seu trabalho, mas achava que nunca seria feliz simplesmente porque não tinha um homem em sua vida.

Charlotte? Por Deus! Além de achar um destino incrivelmente cruel se casar depois dos 30 anos, ela moldava sua personalidade ao homem da vez. Ela se tornou judia apenas pra se casar com o cara!

E Samantha podia parecer independente e moderna, mas aceitava fazer coisas na cama que sentia-se desconfortável, morria de medo de envelhecer e, por isso, procurava homens mais jovens. Sem contar que apontava defeitos nos homens que se envolvia. Não, Samantha não era legal. E nenhuma delas era exemplo de empoderamento. Seja nos anos 90, seja hoje em dia.

Concordando comigo ou não, temos que admitir que os tempos mudaram. E que situações que eram aceitas antes não mais o são. Se algo incomoda, isso deve ser discutido. Mesmo sendo taxadas de “mimizentas”, precisamos que as próximas gerações aprendam com os erros e cresçam mais fortes… E empoderadas!

About Author

DCzete que adora a Marvel, escritora, melhor amiga de Leia Organa, prima do Superman, moradora de Valfenda e membro da Corvinal. Ok! Talvez alguns deles, apenas em sua imaginação. Bernard Cornwell e Neil Gaiman guiam sua vida.

Deixe o seu comentário