Thor: O Mundo Sombrio – Crítica

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Uma das grandes vantagens das continuações é não necessitar de “perder” tempo para contar uma história de origem. Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World) tem ainda mais vantagem, pois lida com uma mitologia extensa e bem elaborada por sete filmes que, sendo antecessores diretos ou não, estabelecem uma história e cronologia única. Os primeiros minutos tratam de inserir os elementos novos que são relevantes para a trama e, a partir daí, temos uma expansão do que já vimos no primeiro filme do deus do trovão.

Um dos grandes acertos em O Mundo Sombrio é a Marvel aceitando seu lado mais fantasioso, ainda que seja necessário disfarça-los. Os poucos elementos místicos que permeavam Thor,  são cuidadosamente colocados aqui de outras formas, – nos primeiros minutos já temos um diálogo entre Odin (Anthony Hopkins) e Loki (Tom Hiddleston) que trata de desmistificar a origem dos asgardianos  – trazendo um bem-vindo clima de ficção científica, que se reflete na fotografia com tons mais escuros, ancorando esses personagens de forma mais realista.

Felizmente, o filme respeita o que fora trabalhado até então e explora efetivamente conceitos que o primeiro filme apenas arranhara a superfície. Yggdrasil e seus nove mundos, por exemplo, são bem inseridos na trama, com Thor (Chris Hemsworth) precisando passar por alguns deles para consertar a bagunça que se instaurou enquanto o deus estava lidando com a ameaça de seu meio-irmão em nosso mundo. Enquanto isso, Jane Foster (Natalie Portman) acaba “tropeçando” em uma anomalia e descobre o Aether, substância que é objetivo de Malekith (Christopher Eccleston), o vilão da trama. Assim, novamente os caminhos dos personagens convergem e cabe ao deus do trovão proteger os nove reinos da ameaça dos elfos negros.

Embora a ameaça não convença da forma correta – Malekith é um vilão interessante, mas mal explorado pelo roteiro –, Taylor conduz o restante de seus personagens de forma interessante, demonstrando o crescimento destes desde que os vimos pela primeira vez. Thor não é mais um garoto arrogante que anseia pela batalha – ainda que se divirta em sua jornada – e a atuação de Hemsworth carrega toda a imponência do herói, sem perder o carisma. Tom Hiddleston e seu Loki tem menos tempo em tela comparado ao filme anterior, mas domina com precisão cada cena em que se faz presente, trazendo em sua voz uma deliciosa acidez que contrasta com o peso que ele carrega. Aliás, as cenas em que os vemos lado a lado são carregadas de um humor sádico, mas certeiro, que criam alguns dos melhores momentos do filme.

O núcleo asgardiano – onde, felizmente, a maior parte da trama ocorre – também brinda o espectador com as fortes atuações de Anthony Hopkins como Odin e Rene Russo como Frigga que, embora papeis secundários, exercem funções narrativas de grande importância na trama, inclusive determinando o rumo da história. É também em Asgard que Natalie Portman consegue extrair alguns bons momentos de sua personagem, deslumbrada com a tecnologia/magia, mas que infelizmente não duram para sempre e novamente a ótima atriz acaba em segundo plano, com uma atuação fraca e sem maiores destaques.

Como a abordagem de O Mundo Sombrio preza por um viés mais científico e realista, a fotografia de Kramer Morgenthau, como já citado, segue um padrão de tons mais sóbrios e escurecidos e a mudança também se reflete no design de produção de Asgard. O visual do local foi retrabalhado e torna-se muito mais crível e interessante visualmente, adquirindo ares medievais que conversam muito melhor com estilo do filme, mas sem se abster completamente do lado fantasioso provindo das HQs.

O roteiro foi escrito à seis mãos e recai sobre ele o maior problema do filme. É visível o esforço para equilibrar o drama, a ação e o humor, com cenas que não conversam bem umas com as outras. Além disso, o roteiro abusa um pouco da suspensão de descrença do espectador, não só pelas coincidências de proporções cósmicas que levaram Jane Foster até o Aether, como pela facilidade que o roteiro exige do espectador para aceitar o poder da substância, já que mesmo a ligeira explicação – na primeira cena pós-créditos – soa um tanto mirabolante demais, mesmo para os padrões do estúdio.

Ainda que não tenha encontrado o tom perfeito para o deus do trovão, é nítido que Thor: O Mundo Sombrio apresenta uma melhora em comparação ao seu predecessor, principalmente ao dar margem para seus personagens evoluírem junto à mitologia e por sua montagem ágil que permite um ótimo terceiro ato, com uma batalha final incrivelmente interessante de assistir. Longe de ser perfeito, mas suficientemente funcional.

Avaliação Final

60%
60%
Bom

Thor: O Mundo Sombrio (2013)
(Thor: The Dark World)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 8 de novembro de 2013
Direção: Alan Taylor | Roteiro: Christopher Yost, Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Idris Elba, Christopher Eccleston

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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