Homem de Ferro 3 – Crítica

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Com todo seu planejamento e cuidado para evocar o espírito dos quadrinhos no cinema, a Marvel finalmente realizou o épico crossover Os Vingadores. E assim como nas HQs, as histórias devem voltar à sua escala natural com as aventuras solo, mas agora com seus personagens mais desenvolvidos, a partir de suas experiencias advindas do crossover. E é esta concepção que rege a chamada Fase 2 do Universo Cinematográfico Marvel, aprofundando os heróis apresentados anteriormente enquanto nos apresenta novos personagens e expande a mitologia estabelecida nos longas anteriores.

E para iniciar a Fase 2, ninguém melhor do que o personagem que dera origem a tudo isso. Considerado a alma do MCU, Tony Stark (Robert Downey Jr.) regressa para Homem de Ferro 3 (Iron Man 3), dirigido por Shane Black. Meses após o final de Os Vingadores, Tony tem problemas para se adaptar ao que vivenciou, com crises de pânico e sem conseguir dormir, o bilionário se tranca em sua oficina construindo diversos trajes e aprimorando a tecnologia que o transformara no Homem de Ferro. Mas Stark encontra sua prova de fogo quando o terrorista Mandarim (Ben Kingsley) ataca sua mansão em Malibu, jogando-o em uma jornada de autodescoberta, como herói, mas também como pessoa.

Apesar da difícil aceitação por parte do público, a terceira parte da trilogia tem como maior mérito ser um filme que pensa fora da caixa. Enquanto a maioria dos longas do gênero acabam caindo na mesmice, Homem de Ferro 3 permanece fora da curva ao ousar em suas adaptações, além de focar muito mais no lado pessoal do herói. Enquanto vimos o Homem de Ferro nascendo na caverna, se desenvolvendo e evoluindo, a pessoa por trás do traje ainda era o mesmo playboy apresentado em 2008. Entretanto, uma vez fragilizado e despido de seus recursos, descobrimos muito mais do lado humano de Stark, que prova, uma vez por todas, que é algo além de um homem grande com armadura.

A trama toma a história Extremis como inspiração, mas se permite elaborar um arco narrativo mais interessante do que o dos quadrinhos. Assim, em um prólogo – narrado por Stark – em 1999, somos apresentados a Maya Hansen (Rebecca Hall), uma bióloga que está desenvolvendo a tecnologia Extremis e ao cientista da IMA, Aldrich Killian (Guy Pearce). Os dois personagens ressurgem no presente, bem costurados ao confronto direto entre Stark e o terrorista, que permite à Shane Black construir uma trama mais politizada que os filmes anteriores.

O roteiro que Black co-escreveu com Drew Pearce (Missão: Impossível – Nação Secreta) aproveita para inserir mensagens de cunho político e foca, principalmente, em uma crítica à mídia manipulativa que assola o jornalismo contemporâneo. O conceito utilizado na adaptação do Mandarim é ousado e muito interessante para um filme de heróis, ainda que não seja fiel ao personagem nos quadrinhos. Felizmente, funciona perfeitamente dentro da história contada no filme e se encaixa na mitologia do MCU, além de fazer com que o filme se sobressaia como produto cinematográfico. Em tempos de filmes passáveis, criar um roteiro que surpreenda é sempre gratificante.

Assim, a trama dá margem para Ben Kingsley brincar com as personas do personagem. Sua transformação no decorrer do filme – que apesar da virada interessante, sofre com a mão pesada na piada – é imprevisível e o ator se mostra a vontade ao explorar a personalidade do personagem. O mesmo não pode ser dito de Guy Pearce, que sofre justamente no embate final, ao proferir frases de efeito que não se encaixam com a personalidade que Killian mostrara até então. O conceito que veste o personagem ainda funciona, mas o ator acaba soando caricato demais.

O departamento de efeitos visuais se sobressai, não só com o costumeiro trabalho bem realizado ao dar vida às armaduras, mas principalmente ao criar uma explosiva batalha final onde Stark – e Jarvis – mostram todo seu poder de fogo contra os soldados da IMA. Aos mais atentos, vale a pena prestar atenção em algumas das mais de trinta (!) armaduras voando e atirando, pois existem alguns modelos retirados diretamente dos quadrinhos do herói. Completa o conjunto a empolgante trilha sonora de Brian Tyler que se encaixa perfeitamente à trama, principalmente nos momentos mais intensos como a explosão à mansão ou no embate final.

Embora para muitos seja um problema, as liberdades criativas tomadas por Homem de Ferro 3 apenas engrandecem o produto e o tornam um dos filmes da Marvel que mais foge da cada vez mais saturada fórmula Marvel. Em retrospecto, o capítulo final da trilogia ganha ainda mais força, pois tem papel fundamental para o desenvolvimento de seu personagem título que, por sua vez, é um dos heróis mais importantes do estúdio. Sem dúvidas, um capítulo essencial do Universo Cinematográfico Marvel.

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

Homem de Ferro 3 (2013)
(Iron Man 3)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 26 de abril de 2013
Direção: Shane Black | Roteiro: Shane Black, Drew Pearce
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Ben Kingsley, Guy Pearce, Rebecca Hall, Paul Bettany

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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