The Walking Dead: 7ª Temporada – Crítica

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O gigantesco potencial mostrado no início da sétima temporada de The Walking Dead é deixado de lado e se afunda em episódios vazios e inexpressivos.

Este texto possui spoilers da sétima temporada da série.

The Walking Dead é marcada por premieres fantásticas, que ditam o ritmo e o enredo de suas temporadas. Na sétima temporada, iniciamos com as caóticas mortes de Abraham (Michael Cudlitz) e Glenn (Steven Yeun), apontando para um futuro de instabilidade do grupo de Alexandria. Negan (Jeffrey Dean Morgan), é o vilão a ser batido, e sua força e liderança assustam qualquer um, principalmente Rick (Andrew Lincoln). E é aí que as coisas vão de mal a pior.

Com breves menções, as mortes de Glenn e Abraham são pouco exploradas, causando desconforto em quem acompanha a série e vê, principalmente em Glenn, um dos personagens mais queridos da franquia. Maggie (Lauren Cohan) e Daryl (Norman Reedus) são os que mais sofrem, mas por pouco tempo. Seria a justificativa perfeita para o grupo buscar vingança, mas a raiva de Rick é o combustível para o conflito. Sua impotência perante Negan e os Salvadores é o que o leva adiante, sempre buscando recursos para a prometida guerra no final da temporada. Não é a primeira vez que vemos a instabilidade de Rick, ponto que beira a exaustão e denigre a imagem do que seria o perfeito líder no apocalipse zumbi. Embora sádico e perverso, é Negan quem consegue sustentar a vida durante a tragédia de The Walking Dead.

Somos constantemente bombardeados com a liderança do vilão, que tem controle total do chamado novo mundo. Controle também exercido sobre o Reino, o novo grupo de sobreviventes introduzido nesta temporada. Liderado pelo Rei Ezekiel (Khary Payton), a comunidade auto-sustentável é a aliança perfeita para Alexandria, mas para proteger seu povo, Ezekiel não toma frente na guerra, preferindo servir os Salvadores e manter a paz. Richard (Karl Makinen) é o único no Reino que vê na aliança a oportunidade perfeita para eliminar Negan de vez, e os acontecimentos que levam a mudança de planos de Ezekiel beiram o ridículo.

A temporada se sustenta em momentos vazios e inexpressivos, mesmo que mirando para pontos mais altos. A “lua de mel” de Rick e Michonne (Danai Gurira) é uma tentativa frustrada de trabalhar a relação entre os personagens, e não adiciona nada à trama. É como assistir à uma caça ao tesouro em um mundo pós-apocalíptico enquanto personagens tentam criar laços afetivos sem peso emocional. Oceanside e o grupo do Lixão são outros fatores que tentam construir o caminho para a guerra, que quando chega, não atende às expectativas.

O último episódio da sétima temporada é um fracasso total. Sacrifícios são feitos, mas é a desconstrução do vilão que entrega uma miserável campanha. De todo poderoso a um medroso fujão, Negan cai ao mesmo patamar de Rick. Do controle total à impotência, os principais personagens da franquia chegam ao patético nível desta sétima temporada. É hora de rever a fórmula de The Walking Dead, que começa com pauladas na cabeça mas trilham um caminho exaustivo e não surpreendem mais.

A queda do número de telespectadores é um reflexo desta fórmula desgastada. Apostar em premieres e season finales gigantescos não condizem com os meados das temporadas, que pouco remetem ao potencial de The Walking Dead. A oitava temporada promete, enfim, a tão esperada guerra. Que as traições e sacrifícios signifiquem algo no próximo ano da série. Que Negan volte a ser temido e que Rick se supere novamente.

40%
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Ruim

The Walking Dead
7ª Temporada
País: EUA | Classificação: Livre | Episódios: 16
Criador: Robert Kirkman | Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Danai Gurira, Chandler Riggs, Melissa McBride, Jeffrey Dean Morgan, Lauren Cohen, Sonequa Martin-Green, Alanna Masterson, Josh McDermitt

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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