Punho de Ferro: 1ª Temporada – Crítica

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Punho de Ferro, série original da Netflix sobre o herói da Marvel, te leva numa jornada da autodescoberta de um herói, artes marciais, bons coadjuvantes e intrigas corporativas.

Criado por Roy Thomas e Gil Kane, Danny Rand/Punho de Ferro foi inspirado nos filmes de Kung-Fu em 1974. Interpretado por Finn Jones, o Loras de Game of Thrones, Danny e seus pais sofrem um acidente de avião em uma montanha no Himalaia. Lá, Danny é encontrado por dois monges, e levado à K’un Lun, uma cidade em outra dimensão que só aparece de 15 em 15 anos. O garoto é treinado e se transforma na Arma Viva conhecida como Punho de Ferro, conseguindo canalizar energia em seus punhos. Único sobrevivente do acidente, Danny decide voltar à Nova York, sua cidade natal.

Danny é filho de Wendel Rand, que ao lado de seu sócio Harold Meachum (David Wenham), comanda a multimilionária empresa Rand. A primeira metade desta primeira temporada insiste em gastar seus momentos no desenvolvimento de personagens que estão dentro da empresa, como Joy Meachum (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey), filhos de Harold encarregados de dirigirem a empresa Rand. Mesmo que cansativo, a ideia funciona, mais pela execução dos atores do que pela trama em si, sendo justificável explicar o que aconteceu com a empresa enquanto Danny estava presumidamente morto.

Diferente de Demolidor e Luke Cage, a série do Punho de Ferro não vê potencial na cidade, que quase chega a ser um personagem nas outras séries. Aqui, somos levados sempre aos mesmos lugares, ignorando a ideia de que Nova York está em perigo e precisa de um herói. As referências ficam em terceiro ou quarto plano e pouco se importam em falar sobre o Incidente ou outros heróis. Sim, Demolidor, Luke Cage e Jessica Jones são mencionados, mas sem esforço. Esperava-se maior conexão entre os heróis, já que irão se encontrar e formar o grupo conhecido como Defensores.

Erroneamente, Danny Rand não é o personagem mais bem construído. Diferente de outros heróis, que precisam provar seus valores para si mesmos, Danny é obrigado a falar que é o Punho de Ferro a cada meia hora, uma alto afirmação irrelevante. Nós já sabemos isso. Há, também, uma prateleira cheia de personagens que aparecem e parecem ser importantes para a trama, mas logo são descartados. Quase sem querer, a série não desenvolve um vilão, e coloca a culpa de todas as desgraças no Tentáculo, a organização que deve ser eliminada pelo Punho de Ferro.

Se o herói não consegue exceder expectativas, cabe aos coadjuvantes tomar o centro das atenções. Madame Gao, interpretada por Wai Ching Ho, já havia mostrado potencial em Demolidor, e não desperdiça nenhum segundo em Punho de Ferro. Gao divide o peso do antagonismo com Harold Meachum, entregando cenas interessantes e ajudando a trama a se desenvolver. Colleen Wing (Jessica Henwick), interesse amoroso do herói, é construída e moldada de um jeito específico e honroso, mas se vê no outro polo de seu próprio código minutos depois. Decisões confusas que desmancham o que havia sido previamente estabelecido.

Estranhamente, a série ignora a violência crua desenvolvida pela Netflix nas outras séries dos heróis Marvel. Ao invés da violência grosseira, as lutas são muito bem ensaiadas, mas parecem ser danças ao invés de pancadaria. Há uma cena mais pesada aqui e outra ali, mas os punhos não parecem ser de ferro ao acertarem os inimigos, mas é melhor sair de perto quando atingem paredes, portas e o chão.  Há dois momentos em que batalhas tentam homenagear os filmes de Kung-Fu dos anos 70, mas erram e cortam todo o clima construído nos episódios. O misticismo circula todos os episódios, mas nunca ganha destaque e isso incomoda. Queremos saber mais sobre personagens, locais e lendas, mas são deixados de lado.

Se no Universo Cinematográfico da Marvel cabe à Nick Fury (Samuel L. Jackson) reunir heróis para formar um supergrupo, nas séries Marvel da Netflix cabe à enfermeira Claire Temple (Rosario Dawson) realizar essa tarefa. Por ser enfermeira, a personagem só é requisitada quando um personagem é ferido, entrando na mesmice construída pelas outras séries. Uma escolha fácil e previsível que tenta ser evitada em Punho de Ferro, mas sem êxito.

Punho de Ferro não se esforça em contar uma história de origem, e exagera ao se aprofundar em outros personagens que mudam de ideia e personalidade após alguns episódios. A série diverte e possui bons momentos, mas não cria uma mitologia, tampouco um herói. Resta saber se Danny continuará sendo o bilionário frágil com incríveis poderes que adora se autoproclamar o Punho de Ferro, ou se transformará no herói e arma viva Punho de Ferro. Danny Rand retornará na série Os Defensores, se reunindo com o Demolidor (Matthew Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter) e Luke Cage (Mike Colter).

60%
60%
Bom

Punho de Ferro (2017)
(Iron Fist)
País: EUA | Classificação: Livre | Estreia: 17 de Março de 2017 | Episódios: 13.
Criador: Scott Buck | Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Jessica Stroup, Tom Pelphrey, David Wenham, Wai Ching Ho, Barrett Doss, Rosario Dawson, Ramon Rodriguez, Sacha Dhawan, Clifton Davis

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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