Recém lançado nos cinemas, Rogue One: Uma História Star Wars é o começo perfeito para a expansão e celebração da franquia.

Anunciado em 2015, a Antologia Star Wars tinha tudo para trilhar um início conturbado. E trilhou. Rogue One: Uma História Star Wars, o primeiro filme dessa antologia que irá expandir o universo criado por George Lucas, passou por quase cinco semanas de refilmagens e teve mudanças em seu roteiroDirigido por Gareth Edwards, conhecido por Godzilla (2014), o filme abre os braços para o futuro de uma das franquias mais celebradas de todos os tempos.

Em Rogue One, “um grupo de heróis improváveis se reúne em uma missão para roubar os planos da Estrela da Morte, a arma de destruição definitiva do Império. Esse evento chave na linha do tempo de Star Wars aproxima pessoas comuns que escolheram fazer coisas extraordinárias e que, ao fazê-las, tonaram-se parte de algo maior do que elas mesmas.“ A primeira questão que público e crítica mantinham em mente era: “será necessário assistir os outros filmes da saga para entender Rogue One?” Ao público que desconhece elementos chave e únicos da franquia, o filme pode ser um banho de água fria, já que falha ao não se aprofundar em temas como a Força, os Jedi, Império e a Aliança Rebelde. Honestamente, esse não pode ser considerado um fator negativo de Rogue One, já que todos os outros filmes da franquia exploraram esses pontos incessantemente. Não temos culpa se a Força não está com você, Padawan.

Mas, infelizmente, narrativas cinematográficas atuais tentam – ou simplesmente falham em – se aprofundar no background de seus personagens, e Rogue One não foge dessa “regra”. Seu começo, assim como em outros filmes sobre grupos que desempenham árduas tarefas, serve para introduzir os personagens principais da trama, mas não explora o que lhes aconteceu antes, restando somente tentar entender quem realmente são. Saber seus nomes e rostos não é suficiente, já que é o passado que molda temperamentos, feitios e estilos. Os únicos que têm esse privilégio são Jyn e Galen Erso, interpretados por Felicity Jones e Mads Mikkelsen respectivamente.

Galen, pai de Jyn, trabalhou para o Império antes de abandonar seu cargo e buscar uma vida normal em uma fazenda. Encarregado de construir a arma de destruição definitiva deste império, Galen é forçado a voltar para terminar o trabalho pelo Tenente Comandante Orson Krennic, brilhante e vividamente interpretado por Ben Mendelsohn. Aqui começa a trama deste brilhante filme. Galen volta para terminar o trabalho, Jyn segue sua própria vida, e a batalha entre Império e Aliança Rebelde continua. Vale notar o quanto o filme explora os cristais Kyber, coração dos Sabre de Luz dos Jedi, e o combustível da Estrela da Morte. Mesmo sem saber o quanto os cristais serão explorados no futuro da franquia, agradecemos o fan service.

Rogue One se supera a cada cena por quatro sustentáveis pilares: trama, personagens, fan service e coragem. Imaginar um filme que explora eventos anteriores à trilogia original não era algo que passava na cabeça dos fãs até o anúncio desta antologia, mas é algo que faz completo sentido. A trilogia original, dividida entre os episódios IV, V e VI, só conta com a vitória Rebelde pelos acontecimentos detalhados em Rogue One. É a partir do roubo dos planos da Estrela da Morte que a Aliança Rebelde triunfa. Recorrente nas telonas, filmes com os grupos que desempenham árduas tarefas mencionadas acima nem sempre funcionam. Não interessa o quanto esses personagens funcionam em outras mídias, um filme que precisa de apoio de seus diferentes e principais personagens não pode se dar ao luxo de pensar em escorregar. Se o começo de Rogue One não explora o passado dos mesmos, é o futuro que dita o que cada um representa. E que futuro radiante.

Cassian Andor, vivido por Diego Luna, é um dos rebeldes que sacrificou toda sua vida para derrotar o Império, e desempenha, mesmo que sem querer, o papel de um recrutador deste esquadrão. Em seu cerne, o filme teria Saw Gerrera (Forest Whitaker) como este recrutador, mas sua participação é, não só desnecessária, mas imprudente. Vencedor do Oscar de melhor ator por seu papel em “O Último Rei da Escócia“, Whitaker se agarra a um papel simples e que não oferece o que promete. Uma pena. Porém, há outros personagens que se destacam, dando sentido à toda ação que acontece na telona. Parte de Donnie Yen, que interpreta Chirrut Îmwe, explicações ou menções sobre a Força, mas sofre resistência de seu parceiro Baze Malbus, interpretado por Wen Jiang, o fortão do grupo. O droid K-2SO, vivido e dublado por Alan Tudyk, centraliza o humor de forma pontual e balanceada, nunca passando do ponto, e se junta ao vasto leque de carismáticos robôs do universo Star Wars. O último, mas não menos importante membro do esquadrão é Bodhi Rook, papel de Riz Ahmed, um ex-piloto do Império que se rebela após ser persuadido por Galen Erso. Como grupo, Rogue One – nome dado ao esquadrão rebelde – funciona como poucos em obras cinematográficas. Rogue One mantém outro ponto que construiu e agora mantém essa saga: a diversidade. Novamente, os fãs agradecem.

Rogue One não tem vergonha em explorar momentos e ícones já conhecidos por fãs da saga. Participações e menções especiais enriquecem sua história, e tudo se encaixa como uma luva. Na era da informação, Disney e LucasFilm conseguiram manter cartas escondidas em suas mangas de forma esplendorosa. É um filme feito de fã para fã, sem dúvida, mas que não atrapalha a experiência dirigida por Edwards. Há menções à trilogia original. Há cenas que celebram os prólogos. Há, também, cenas que todos os fãs sonharam em assistir no cinema, mas nunca tiveram a oportunidade. Fan service e a falta de medo em ser grande engrandecem este filme. Falta de medo? Coragem me parece um termo melhor. E que coragem.

Após a trilogia original, nenhum filme de Star Wars conseguiu explorar o termo “grandeza” como Rogue One. Star Destroyers ocupam metade da tela. O que faz sentido, já que eles tem quilômetros de extensão. Mas é ao ver a Estrela da Morte desempenhar o perfeito papel de uma lua que o fôlego começa a cessar. Ver a arma definitiva do Império em operação 39 anos depois de sua criação é um marco. George Lucas não tinha o poder gráfico e digital na época de sua criação, mas Gareth Edwards teve, e assim o fez. “Não é uma lua, é uma estação espacial.”

Rogue One: Uma História Star Wars aponta para um iluminado futuro da franquia. Se havia alguma dúvida por parte do público, essa dúvida será sanada ao sentar na poltrona do cinema e abraçar o balde de pipoca durante as 2 horas e 14 minutos de filme. Grandioso, lindo e corajoso, o primeiro filme da antologia Star Wars enriquece e celebra a saga criada por George Lucas. Han Solo é o próximo dessa lista, e já estamos ansiosos.

 

45%
45%
Muito Bom

Rogue One: Uma História Star Wars (2016)
(Rogue One: A Star Wars Story)
País: EUA| Classificação: 12 anos | Estreia: 15 de Novembro de 2016 |
Direção: Gareth Edwards | Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy
Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Forest Whitaker, Ben Mendelsohn, Alan Tudyk, Mads Mikkelsen, Donnie Yen, Wen Jiang, Riz Ahmed, Genevieve O'Reilly

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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