Luke Cage: 1ª Temporada – Crítica

0

Disponível na Netflix, Luke Cage é a pulga atrás da orelha dos criminosos do Harlem. Com uma fantástica trilha sonora, a série é mais um passo para a chegada dos Defensores.

Após sua participação em Jessica Jones, outra série da Netflix, a primeira temporada de Luke Cage, estrelada por Mike Colter, chega para estabelecer o personagem no universo Marvel. Agora, com uma história de origem, o herói traça seu próprio caminho e enfrenta seus próprios problemas.

Se em Demolidor, também da Netflix, o bairro de Hell’s Kitchen é elemento chave da história, podemos dizer que o bairro de Harlem é um personagem imprescindível na trama de Luke Cage. O bairro aspira grandeza, mas está sempre nas mãos de criminosos e vilões. Basta um herói com pele impenetrável aparecer para que as pessoas vejam esperança nas ruas.

A série foge de um padrão estabelecido quase que em todas as obras, onde um herói enfrenta um vilão. Aqui, Luke Cage tem a parceria de personagens secundários excêntricos como Pop (Frankie Faison) e Bobby Fish (Ron Cephas Jones), praticamente mentores de Cage, mas o que marca são os inúmeros inimigos que aparecem em seu caminho. Cornell “Boca de Algodão” Stokes, interpretado por Mahershala Ali, inicia a série em busca de dinheiro e poder. Dono da boate Harlem’s Paradise – Paraíso de Harlem em português -, Stokes trafica armas ilegalmente, alimentando sua ascensão como novo rei do crime. Mas ele não é o único em busca de poder.

É interessante notar os artifícios usados em Luke Cage para se contar e desenvolver uma história. Através de flashbacks ficamos sabendo quem era e como o personagem consegue seus poderes, mas é através da música que a série encontra brilho único. Com trilha sonora impecável, as performances de músicos na boate de Stokes dão as mãos à cenas paralelas, que ditam o ritmo e o que podemos esperar nos futuros episódios. A música em Luke Cage é quase como um narrador, que, mesmo sem falar diretamente, te direciona para o caminho certo.

História e personagens se desenvolvem juntos. Vilões começam a surgir, aumentando a dificuldade de Cage em se tornar o herói que o bairro precisa. E é aqui que a série esbarra em um problema: a repetição. Por repetidas vezes, Cage é acusado de algum crime, e sempre precisa provar sua inocência. A volta de Rosario Dawson como a enfermeira Claire Temple é o marco para tirar Cage de situações complicadas, assim como a introdução da detetive Misty Knight (Simone Missick), outra que está do lado do herói. A série enfrenta dois extremos nas cenas de ação. Primeiro, foge à regra de Demolidor, que possui cenas de lutas muito bem coreografadas. Luke Cage raramente desfere um soco durante seus 13 episódios, limitando-se a jogar inimigos nas paredes, tetos e vidraças. Mas é o segundo fator que acalma tais nervos. Por ser extremamente forte, o time criativo da Netflix consegue apresentar novas formas de combate para o herói, como bater em vários inimigos ao mesmo tempo usando um sofá. Beira o ridículo, mas é um recurso que um herói tão forte pode utilizar.

Há, no entanto, mais fatores positivos a negativos. Luke Cage chega a ser uma crítica social aos constantes acontecimentos nos Estados Unidos, onde a brutalidade policial e o racismo tomam conta do país. O elenco, majoritariamente negro, dá vida à série de forma única. A forma como Erik LaRay Harvey, o vilão Kid Cascavel, se impõe ao enfrentar o herói, eleva o ritmo do final da primeira temporada da série, que encontra momentos mais arrastados a partir do sétimo ou oitavo episódio. Outra crescente é a personagem de Alfre Woodard, Mariah Dillard. A vereadora começa como uma taça de cristal que parece trincar ao mínimo toque, mas se transforma em um diamante inquebrável no decorrer da história.

Não fugindo à regra de suas outras séries e dos acontecimentos no universo Marvel, a Netflix disponibiliza vários easter eggs para os espectadores caçarem enquanto assistem seus 13 episódios. Sim, Stan Lee está presente – não fisicamente, mas em um cartaz -, assim como inúmeras referências aos Vingadores, a Batalha de Nova Iorque, Jessica Jones e Demolidor. Seja uma piada sobre o martelo de Thor, ou uma pixação com um jornal chamado O Pantera Negra, estes alívios cômicos são como brindes aos fãs deste vasto universo.

Penúltimo passo para a chegada dos Defensores, Luke Cage agora passa o bastão para Punho de Ferro, que estréia no serviço de streaming online no dia 17 de Março de 2017. Atual, icônica e muito bem representada por ótimas atuações e trilha sonora impecável, a série é mais uma espetacular obra da Netflix. 

80%
80%
Muito Bom

Luke Cage (2016)
1a Temporada
País: EUA | Classificação: Livre | Estreia: 30 de Setembro de 2016 | Episódios: 13
Elenco: Mike Colter, Simone Missick, Theo Rossi, Alfre Woodard, Jaiden Kaine, Rosario Dawson, Ron Cephas Jones, Erik LaRay Harvey, Karen Pittman, Mahershala Ali, Frank Whaley, Jacob Vargas, Deborah Ayorinde, John Clarence Stewart, Sean Ringgold e Justin Swain.

  • 4
  • User Ratings (0 Votes)
    0

About Author

Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

Deixe o seu comentário