Bohemian Rhapsody – Crítica

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The show must go on. Quando perdemos alguém importante no meio do entretenimento o mundo não para. O show tem que continuar. Lamentamos, mas há sempre outro artista talentoso para nos encantar, não é mesmo? Bem… Nem sempre. O Queen já tentou com outros vocalistas como Paul Rodgers (Free/ Bad Company) e, mais recentemente com o segundo colocado do American Idol Adam Lambert, mas como substituir o maior frontman da história? Ninguém pode substituir Fred Mercury. E é isso que vimos nesses 125 minutos de filme.

Como alguém que é muito fã de Queen, assistir esse filme pode ser uma faca de dois gumes. Primeiro porque quero gostar, já que se trata da história da banda. Por outro lado, já que conheço muito a vida de Farrokh Bulsara e companhia, uma linha fora do lugar iria me incomodar muito. Mas, esperando por um tipo de magia, fui vê-lo e, apesar de me decepcionar em partes, gostei do que vi.

Gostar ou não depende das suas expectativas. Se estiver esperando um tributo, um filme para aplacar a falta que Fred Mercury faz em seu coração, você vai amar! As músicas levam o filme de Somebody to Love até Don’t Stop Me Now, primeira e última músicas do filme. É praticamente impossível não passar o filme cantando. Mas, oohh, prosseguimos tentando.

Os atores maravilhosamente escolhidos são outro ponto mais do que positivo no filme. Não sabemos em muitos momentos se isso é a vida real ou se é apenas fantasia. Rami Malek está tão incrivelmente caracterizado como Fred Mercury que até a sua voz está muito semelhante a dele. Ele dá um show de interpretação do início ao fim (Hello, Academia!). Outro que deixa você chocado é Gwilyn Lee, impressionante como o meu muito amado Brian May. E não só em aparência física, mas em trejeitos e modo de falar. Ben Hardy e Joseph Mazzello também estão excelentes como Roger Taylor e John Deacon.

Dos atores secundários, fiquei muito tocada pela interpretação sensível de Tom Hollander como Jim/Miami Beach, advogado e depois agente da banda. O “Amor da Minha Vida” de Fred, Mary Austin também foi muito bem representado por Lucy Boynton. Pontos positivos também para nosso eterno Mindinho Aiden Gillen como John Reed e para o companheiro – de 1985 até seu falecimento – de Fred, Jim Hutton, interpretado por Aaron McCusker. O único personagem que me incomodou foi Paul Prenter, o agente pessoal de Freddie. Mas fica a dúvida se foi pela interpretação cansativa e pouco emocional de Allen Leech, ou se pela forma que conduziram o personagem na história, como se fosse um vilão caricato.

A história de Paul Prenter foi um dos pontos que me incomodou no filme. Ele joga como se fosse o agente que levou Fred para o mundo da promiscuidade e das drogas. Como uma “Rainha Matadora”, ele guiou o cantor por um monte de más decisões, que o afastou da banda e dos amigos e não a grande guerra de egos que nós, que conhecemos bem a história do Queen, sabemos que aconteceu.

Talvez por ser um filme controlado por Brian e Roger também, eles não quiseram aprofundar muito em nenhuma grande polêmica. Acredito que seja para deixar a classificação indicativa baixa, para mais pessoas poderem conhecer a história dessa banda maravilhosa. Onde um filme sobre uma banda de rock teria classificação para 14 anos se contasse toda a verdade? No entanto, esse fato deixa a história rasa, como uma pincelada sobre cada momento que ela viveu. Queria ver Fred Ligeiramente louco e não como um amante a moda antiga. Queria a história verdadeira e não consegui.

Algumas coisas me incomodaram um pouco pois foram mudanças desnecessárias feitas para aumentar a dramaticidade do filme. Como a alteração de fatos na linha do tempo mais louca da história do cinema (Rock in Rio foi em 1985. Guardem isso!) e revelações que não aconteceram na vida real.  Nada que atrapalhe realmente, mas incomoda quem conhece. Mas só ver a construção e a briga por uma das maiores canções de rock de todos os tempos, Bohemian Rhapsody, faz o filme valer a pena. Eles realmente vão sacudir vocês.

Se vale a pena ir ao cinema ver? Você é fã de Queen? Então tem obrigação de ir! Não é ou não conhece a banda? Vá também porque, mesmo que o filme seja um tributo, Queen merece todas as honrarias e você precisa ver como ela era fantástica. Além do mais, só a performance no Live Aid, retratada maravilhosamente no filme, já me levaria ao cinema muitas e muitas vezes. Vão entender que muito amor irá matar vocês.

Ao fim do filme, cheguei a duas conclusões. Primeiro, que há algo como os créditos do cinema passarem rápido demais. Segundo, Fred perguntava “Quem quer viver para sempre”? Bem, Freddie, você vive.

Avaliação Final

80%
80%
Muito Bom

Bohemian Rhapsody (2018)
País: Reino Unido | Classificação: 14 anos | Estreia: 24 de outubro de 2018
Direção: Bryan Singer | Roteiro: Anthony McCarten e Peter Morgan
Elenco: Rami Malek, Gwilyn Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Lucy Boyton, Aidan Gillen, Allen Leech, Tom Hollander, Mike Myers, Aaron McCusker.

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DCzete que adora a Marvel, escritora, melhor amiga de Leia Organa, prima do Superman, moradora de Valfenda e membro da Corvinal. Ok! Talvez alguns deles, apenas em sua imaginação. Bernard Cornwell e Neil Gaiman guiam sua vida.

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