Crítica: ANZAC Girls

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Existe uma infinidade de filmes, séries, livros e até quadrinhos sobre ou baseados na Segunda Grande Guerra. É tanta informação que mal precisamos entrar em uma sala de aula para saber – pelo menos um pouco – sobre o assunto. Quando se trata da Primeira Guerra há uma certa escassez de informações pois ela não é tão romantizada, de certa forma. Há excelentes filmes a respeito, como Glória Feita de Sangue ou Lawrence da Arabia (Humm… Deu vontade de fazer um artigo com indicações sobre o assunto, heim?), mas quanto a novas produções quase não há nada de novo no front (Ba dum tss para quem entendeu a referência). Se fala muito sobre a Revolução Russa, algo sobre a ofensiva em Gallipoli, sobre Manfred Von Richthofen, o Barão Vermelho, mas muito pouco sobre a atuação das mulheres na guerra (A não ser que Mata Hari conte).

Semana passada, eu estava fazendo uma pesquisa exatamente sobre o assunto, me remetendo ao início da Organização da Cruz Vermelha. Pois eis que me caiu um presente no colo. A história verídica de mulheres que atuaram como o primeiro corpo de enfermeiras a servir o exército australiano e neozelandês, criada para marcar o centenário da Primeira Guerra Mundial, em 2014. A minissérie de seis capítulos foi produzida pela Screentime Australia e South Australia Film Corporation em parceria com a rede ABC, e distribuída pela All3Media International. Aqui no Brasil, a GNT comprou os direitos, mas aparentemente arquivou o projeto (Libera aí, GNT!).

Baseado na história dessas enfermeiras que se enveredaram nessa grande aventura, em uma época onde ser mulher era muito mais difícil do que é hoje em dia, o roteiro demonstra essa problematização de forma suave e positiva. O embate existe, mas a coragem demonstrada por cada uma dessas mulheres é tão presente e poderosa na tela que honestamente é o que menos importa. Cada conquista, cada sofrimento, cada dificuldade que elas passam são retratadas com heroísmo e humanidade. Principalmente nos faz entender, que, no meio daquele ambiente cruel, uma conversa, um cuidado a mais pôde e salvou muitas vidas. Claro que todas as histórias são romantizadas, mas em nenhum momento elas se tornam piegas.

A direção é algo que gostaria de exaltar a parte. O grande acerto de usar apenas uma câmera durante toda a série nos faz ter a impressão que estamos dentro de um navio militar, ou em um hospital de campanha. Nós vivemos junto com os personagens. Por não acreditar que se trata de uma produção que disponibilizou de um orçamento alto, só posso parabenizar por me fazerem sentir que tudo que estava acontecendo era real. Bela fotografia e direção de arte também! Ah! E que efeitos sonoros! Tenho certeza que em algum momento um torpedo ou uma bomba me atingiu… Não é possível! Estou procurando os Zepelins até agora!

Não há o que reclamar também do carisma dos personagens. Escolha perfeita para todos, sem dúvida. A direção, o bom roteiro e a trilha sonora comovente ajudaram, mas a atuação de todos, sem exceção, faz com que você se apegue a cada um deles. Juro que passei cada episódio rezando para que um ou outro não morresse. No entanto, como se trata de uma série passada em meio à uma das mais sangrentas guerras que já existiram, vocês entendem que minhas preces não eram sempre atendidas. Chamo atenção para as incríveis Anna McGahan como Olive, Caroline Craig, como a maravilhosa matrona Grace Wilson, Georgia Flood como Alice Ross-King e Laura Brent como Elsie Cook, na ala feminina, e Brandon McClelland e sua voz maravilhosa como Pat Dooley.

ANZAC Girls foi uma surpresa que eu não esperava, que me conquistou no primeiro capítulo com sua suavidade e emoção. Você ri, chora, sofre e celebra com essas mulheres incríveis. E observando o fato de que todas foram reais, só nos faz ter vontade de sermos melhores sempre. Mesmo que o mundo pegue fogo, apenas uma de nós pode fazer a diferença.

No fim, a produção nos presenteia com um pouco mais da história de cada uma delas, contando sobre o futuro de cada uma. Vale a pena ver até o fim pois são histórias incríveis de mulheres extraordinárias! E aí? Como está seu dia hoje?

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DCzete que adora a Marvel, escritora, melhor amiga de Leia Organa, prima do Superman, moradora de Valfenda e membro da Corvinal. Ok! Talvez alguns deles, apenas em sua imaginação. Bernard Cornwell e Neil Gaiman guiam sua vida.

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