Buscando… – Crítica

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Os constantes avanços tecnológicos da era moderna – quase sempre – se convergem na conexão entre redes de computadores e celulares, elevando a temática do “Big Brother” e o constante estado de vigilância dos meios. Com o passar dos anos e o surgimento de novos dispositivos, investimos tempo, dinheiro e exposição em mídias sociais, por exemplo, para certificar que “espectadores” de nossas vidas sigam nossos passos e status.

Co-escrito e dirigido por Aneesh Chaganty, Buscando… engrandece este estado de vigilância e exposição quando a jovem Margot (Michelle La) desaparece – situação que coloca seu pai David Kim (John Cho) como o grande detetive virtual deste mistério. Com recursos cinematográficos incomuns para narrar a incessante investigação, o novo longa da Sony Pictures chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20) com reviravoltas, tensão e execuções técnicas e performáticas de tirar o fôlego dos espectadores.

Ao invés de seguir o padrão visual com diversas câmeras, ângulos e pontos de vista cinematográficos, Buscando… executa sua adaptação de cenas através das telas de celulares, computadores, câmeras de segurança e televisões – semelhante ao episódio “Connection Lost”, da série Modern Family, e ao longa Amizade Desfeita (2015).. Fugir à regra visual é a fórmula encontrada para explorar uma temática narrativa investigativa comumente vista no cinema, sendo o primeiro grande triunfo do longa. É claro que, para triunfar, roteiro e direção precisam se unir à performance do elenco para entreter e colocar dúvidas no público enquanto seguimos os passos de David Kim.

O protagonismo assumido por John Cho é outro pilar para que a construção de Buscando… funcione. É através de suas ações e olhares que tentamos desvendar o que aconteceu com a jovem Margot. Diferente de outros papéis de sua carreira, o ator acentua sua imposição nas telonas com seus sentimentos mais intensos, atingindo segurança sempre que necessário.

Para não cansar espectadores, o longa introduz um ponto chave na investigação: a Detetive Vick, da atriz Debra Messing (Will & Grace) – que também mostra segurança e alta capacidade performática. Pai e detetive mantém uma sinergia segura ao longo de 1h e 42 minutos de filme, caminhando juntos para solucionar o paradeiro de Margot.

Mesmo que apresente uma trama muito vista em outras mídias, Buscando… se difere ao fazer com que os espectadores, assim como o protagonista, comecem a deduzir automaticamente sobre o verdadeiro paradeiro da garota – entretanto, seu roteiro foi moldado para que a investigação esbarre em incongruências no rastro digital deixado pela personagem. O filme te dá respostas falsas para que você, também tomado pelo desespero, tire respostas precipitadas – somente olhares mais atentos conseguirão encontrar a verdadeira solução para o caso.

Buscando… entrelaça drama e suspense em uma obra intensa que chega a um ponto final sublime, verdadeiro e conclusivo. Vivenciar toda a busca através das telas de dispositivos digitais faz com que o longa atinja níveis de tensão diferentes dos habituais, sempre carregados por desfechos interessantes e ótimas atuações. Para saber o que aconteceu com Margot, basta assistir ao longa. A resposta está nas telinhas – e telonas.

Distribuído pela Sony Pictures, Buscando… chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20).

100%
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Excelente

Buscando... (2018)
(Searching)
País: EUA | Estreia: 20 de setembro de 2018
Direção: Aneesh Chaganty | Roteiro: Aneesh Chaganty e Sev Ohanian
Elenco: John Cho, Sara Sohn, Michelle La, Joseph Lee e Debra Messing

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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