A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata – Crítica

0

Uma amiga fez uma brincadeira dizendo que a Inglaterra tem cerca de uma dúzia de atores e atrizes que se revezam em todos os trabalhos. Quando a Netflix colocou Sociedade Literária em sua plataforma foi exatamente nela que eu pensei. A presença daqueles atores conhecidos e carismático que adoramos já é um grande chamariz para o filme. Talvez tenha sido a intenção dos produtores, talvez não, mas aquela dúzia de atores te dá a sensação de que aquele vai ser um bom filme.


Se isso ainda não havia me convencido (convenceu, sim!) a ver o filme, a sinopse já me ganhou por completo. Uma escritora se envolve com um grupo de leitura formado em Guernsey durante a ocupação alemã, após ser procurada por um dos membros. Primeiro de tudo, fui procurar no Google onde é Guernsey. Descobri que se trata de uma ilha na Costa da Normandia, dependente da coroa Britânica, mas que não faz parte do Reino Unido. Como alguém que é apaixonada por História, e, principalmente, pelo período da Segunda Guerra Mundial, isso me interessou ainda mais! O fato de se tratar de uma história sobre livros, como alguém que ama escrever mais do que ama respirar (Eu sei que preciso respirar para escrever…), reuniu todos os fatores para me interessar a ver o novo projeto da Netflix.

Juro que eu fui esperando um daqueles filmes clichês onde os aliados eram os bonzinhos e os alemães crias do inferno. E foi aí que ele me surpreendeu por completo. Sociedade literária tinha tudo para ser apenas mais um onde os vitoriosos contam a história, mas se mostrou um filme sobre humanidade. Não há bons ou maus. Nada é preto ou branco e os cinzas são a melhor parte da história. Como o alemão que ajuda alguém durante o parto de uma vaca. Ou a senhora que já perdeu tanto para a guerra que se torna totalmente preconceituosa com os alemães. Mas é uma história, principalmente de coragem. De mostrar que cada vida humana conta e que pode fazer a diferença. E sobre desprendimento e amizade. Apesar de ser uma história de amor, não é ela o mais importante do filme.

O roteiro é bem amarrado e leve. Ele começa despretensioso e vai crescendo ao mesmo momento em que você vai se envolvendo com a história e com os personagens. Lily James (Cinderela/Baby Driver) está muito bem como a escritora que quer se tornar relevante e descobre a si mesma no decorrer da história. Matthew Goode (Leap Year/ Watchmen) faz seu adorável editor e rouba as cenas em que aparece. O doce fazendeiro vivido por Michiel Huisman (Daario Naharis de Game of Thrones) faz você entender o interesse de Daenerys Targeryen (Opa! Produção diferente! São os atores que confundem…). Mas roubo de cena mesmo é o que faz a extraordinária Penelope Wilton (minha querida Mrs Crawley de Downton Abbey). A veterana atriz britânica dá um show de interpretação como a amarga Amelia Maugery. É dela as melhores cenas e as mais emocionantes. Em determinado momento ela parte seu coração em mil pedaços!

O pano de fundo do pós guerra não poderia ser melhor. Você consegue visualizar todo o processo de reconstrução de uma Inglaterra destruída pelas bombas. A produção foi muito caprichada se pensar no orçamento de um filme feito apenas para a plataforma. Tudo te convence como se fosse real e te dá uma ideia de como aconteceu.

No fim, a sensação que me deixou é de um filme que superou minhas expectativas com uma história doce e envolvente, atuações sólidas, boa trilha sonora, direção competente e um final de fazer cosquinhas no coração.  Um filme muito melhor que uma torta de cascas de batata, mas que, assim como ela e a literatura, deixam seu coração cheio… Vale muito a pena conferir!

About Author

DCzete que adora a Marvel, escritora, melhor amiga de Leia Organa, prima do Superman, moradora de Valfenda e membro da Corvinal. Ok! Talvez alguns deles, apenas em sua imaginação. Bernard Cornwell e Neil Gaiman guiam sua vida.

Deixe o seu comentário