Megatubarão – Crítica

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O combate entre monstros gigantes é tema recorrente em produções cinematográficas há décadas. Recentemente, Rampage – Destruição Total chegou aos cinemas para colocar animais colossais geneticamente modificados em um embate na cidade de San Diego, nos Estados Unido. Agora, em 9 de agosto de 2018, a Warner Bros. coloca Jason Statham frente a frente com um Megatubarão pré-histórico nas salas de cinemas com uma proposta diferente dos filmes de ação com criaturas assassinas.

Milhões de anos atrás, os Megalodons eram os verdadeiros reis dos mares e dominavam as águas com seu tamanho gigantesco com seus quase 20 metros. Embora não existam mais, os roteiristas Dean Georgaris e Jon Hoeber apostaram na criatura pré-histórica para contar uma história cheia de ação, previsibilidade e risos. O papel central fica com mergulhador Jonas Taylor, interpretado pelo britânico Jason Statham, que vai ao fundo mar para salvar os tripulantes de um submarino preso nas profundezas após um ataque misterioso, mas se depara com uma força desconhecida: o Megatubarão.

O diretor Jon Turteltaub (Em Busca do Tesouro Perdido) prefere seguir os minutos iniciais do filme caminhando entre duas vertentes: apresentar uma ameaça e traumatizar seu protagonista para que, no final, ele supere seus medos e saia como o grande herói. É claro que, antes de tal final, o protagonista terá que trabalhar em equipe, se apaixonar e seguir todas as outros clichés estabelecidos pela indústria cinematográfica. Após a missão, Taylor decide se aposentar e viver escondido – entretanto, esse é só o começo de sua jornada total.

A pausa na vida do protagonista não significa muito, uma vez que o mundo continua a girar e tal ameaça precisa ser combatida. Por isso, somos apresentados à uma base aquática super tecnológica financiada pelo irreverente Morris (Rainn Wilson), que busca encontrar o lugar mais profundo do oceano e suas formas de vida ainda não descobertas – dentre elas, o jurássico tubarão.

A partir do momento em que a base é introduzida, o filme começa a seguir todos os tipos de fórmulas conhecidas em longas de ação: comédia, trabalho em equipe, estereótipos, romance e, obviamente, ação. O aclamado Tubarão, dirigido por Steven Spielberg e lançado em 1975, consegue fugir à regra através do suspense – ponto que Megatubarão tenta tirar proveito, mas falha com sustos previsíveis. Todas as cenas com a criatura gigantesca viram uma desculpa para tentar fazer espectadores pularem da cadeira, mas, ao invés de assustar, desgasta por tamanha previsibilidade.

Com o passar dos minutos, a importância de Statham na história cresce, assim como a de Suyin, personagem interpretada por Bingbing Li. Entretanto, o restante do elenco não tem a mesma sorte – casos de Mac (Cliff Curtis), Jaxx (Ruby Rose), DJ (Page Kennedy), The Wall (Robert Taylor), Lori (Jessica McNamee) e Toshi (Masi Oka). Personagens são bem definidos, mesmo que através de esteriótipos, e introduzidos rapidamente, mas suas funções no longa perdem espaço com a crescente dos protagonistas. Ao invés de apoiar, personagens secundários são descartáveis, tanto de forma abrupta quanto de forma esperada.

Infelizmente, poucas coisas funcionam em Megatubarão. A falta de harmonia entre protagonistas, um romance forçado e as constantes tentativas de “jump scares” são cansativas. Por outro lado, a veia cômica de Rainn Wilson, que se consagrou na série televisiva The Office, consegue tirar risadas do público em vários momentos. A pequena Shuya Sophia Cai, atriz que interpreta Meiying, é outro tiro certeiro. Irreverente e cativante, a jovem é o elo entre Taylor e Suyin, assim como um alívio em meio às falhas. O maior sucesso que o filme encontra é em sua fotografia, já que as tomadas aéreas e ângulos para enaltecer o tubarão de 23 metros funcionam muito bem através da cinematografia de Tom Stern.

Megatubarão é mais um filme que compõe o vasto leque do gênero de ação que, além de explosões, mortes e uma criatura avassaladora, prefere tirar risadas ao invés do fôlego de quem assiste. Ao se apoiar em sustos repentinos, algumas reviravoltas e humor, o longa estrelado por Jason Statham é uma ótima opção para quem deseja um filme despretensioso.

50%
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Regular

Megatubarão (2018)
(The Meg)
País: EUA | Classificação: 14 anos | Estreia: 09 de agosto de 2018
Direção: Jon Turteltaub | Roteiro: Erich Hoeber, Jon Hoeber e Dean Georgaris
Elenco: Jessica McNamee, Ruby Rose, Cliff Curtis, Jason Statham, Robert Taylor, Li Bingbing, Rainn Wilson

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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