(Des)encanto – Crítica

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Matt Groening tem em seu currículo uma das séries mais importantes da história da televisão, sendo o criador de The Simpsons. A influência na cultura pop que os personagens amarelos possuem é inquestionável, ainda que muitos não gostem do seriado ou questionem sua longevidade por quase 30 anos, uma vez que os personagens se atualizaram e perderam parte de sua “acidez” com o passar dos anos. Ainda assim, quando Groening anunciou uma nova série animada, dessa vez distribuída pela Netflix, os olhos se viraram para (Des)encanto.

A primeira parte composta por 10 episódios – a produção da segunda metade já está em produção – nos introduz o reino de Terra dos Sonhos e a protagonista Bean, uma princesa que adora beber e viver sua própria vida, não dando a mínima para as regras da sociedade medieval e machista na qual está inserida. Acompanhada de seu “demônio pessoal” Luci e do elfo Elfo, os três vivem diversas aventuras enquanto se divertem e lidam com os problemas do dia-a-dia Idade Média, como ladrões, bruxas e a peste negra.

Diferente de The Simpsons, por exemplo, onde cada episódio conta uma história fechada em si, os episódios de (Des)encanto funcionam de forma contínua, diretamente ou não – terminando de forma abrupta as vezes –, criando assim uma boa estrutura para a história. Os primeiros episódios introduzem personagens de forma efetiva, que só vão mostrando sua verdadeira importância conforme vemos o desenvolvimento no decorrer da temporada. Bem escritos, é difícil eleger um personagem preferido, visto que todos são interessantes e bem encaixados na trama.

Um cuidado dos roteiristas que eleva a qualidade da trama é o modo como as informações nos são passadas de forma sutil, sem a necessidade de explanar cada elemento necessário para que a história faça sentido. Em uma segunda revisitada na série, é possível notar a trama principal se formando no decorrer dos 10 episódios, enquanto elementos “aleatórios” – o túmulo da rainha, a presença da ‘sociedade secreta’, o elixir da vida, etc – contribuem para uma “conclusão” coerente, pois tudo é bem conectado pelos dois episódios finais.

Com (Des)encanto, Groening tem a chance de voltar ao humor negro com o qual trabalhara as primeiras temporadas de The Simpsons e a série Futurama. Ainda assim, há uma certa dificuldade em criar situações na trama em que o humor funcione – ao invés disso, as melhores gags vêm dos diálogos – como no quinto episódio Faster, Princess! Kill! Kill!. Já o sexto, Swamp and Circumstance, é um dos melhores da temporada justamente por conseguir enriquecer e continuar a trama, criando momentos hilários no processo.

Há de se destacar o trabalho de dublagem e regionalização do desenho. É quase impossível listar todos os memes e referências pontuadas pelo trio, que vão desde trocadilhos até frases de vídeos que viralizaram nos últimos anos, como “Corta pra mim! Corta pra dezoito!”, “Chega a manteiga derrete”, “Se eu pudesse, eu matava mil” e “Demônios machistas não passarão”. Com certeza grande parte da diversão do público brasileiro virá da “caça aos memes” e fica a recomendação de ver (ou rever) com o áudio dublado.

Embora essa primeira temporada de (Des)encanto tenha pequenos problemas – que não atrapalham em nada a experiencia do espectador –, o gancho deixado pelos episódios finais é afiadíssimo e prepara o terreno para o que está por vir. Embora sua mitologia bem estabelecida e personagens bastante cativantes, ainda não dá para saber se a série repetirá o sucesso de suas “irmãs mais velhas”, mas uma coisa é certa: há muito potencial para que (Des)encanto venha a encantar muita gente, mas teremos que esperar para ver.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

70%
70%
Bom

(Des)encanto – 1ª Temporada (2018)
(Disenchantment )
País: EUA | Classificação: 14 anos | Estreia: 17 de agosto de 2018
Criador: Matt Groening | Elenco: Abbi Jacobson, Eric André, Nat Faxon, Tress MacNeille, John DiMaggio, David Herman, Maurice LaMarche, Billy West

  • 3.5
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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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