Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas – Crítica

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Genndy Tartakovsky pode não ser um nome de fácil reconhecimento, mas com certeza ele fez parte da infancia de muitos adultos de hoje: além de criador do clássico O Laboratório de Dexter e do elogiado Samurai Jack, Tartakovsky se envolveu em inúmeras produções para a TV, desde As Meninas SuperPoderosas até Star Wars: Guerras Clônicas. Entretanto, nos cinemas, sua jornada não teve o mesmo êxito, já que nenhum dos filmes da trilogia Hotel Transilvânia beira à qualidade das obras animadas citadas.

E agora com seu terceiro capítulo, Hotel Transilvânia: Férias Monstruosas (Hotel Transylvania: Summer Vacation), Tartakovsky aposta na fórmula dos filmes anteriores e entrega um filme que faz rir, mas não vai muito além disso. A história começa com uma interessante cena que recria o clássico embate entre o Conde Drácula e Abraham Van Helsing e em seguida pula para os dias atuais, onde encontramos um Drácula solitário e cansado. É quando sua filha, Mavis, tem a ideia de que todos tirem férias em um cruzeiro próprio para monstros.

Se para as crianças, basta algumas piadas escatológicas requentadas ou o simples humor físico para entreter, para os adultos a trama não representa mais do que algumas boas referências. Momentos em que o roteiro cria situações com os outros monstros clássicos – infelizmente, mal utilizados, ainda que muito mais legais do que o próprio drácula – são divertidos e as leves pinceladas na mitologia de Bram Stocker ou outros monstros do cinema, como Gremlins, rendem elementos interessantes, mas tudo se perde diante das piadas abobalhadas do filme.

Há tambem uma abordagem bem rasa sobre a rotina dos pais, mas nada que chegue a criar uma camada mais madura a ser explorada, diferente de outras animações recentes. O desenvolvimento dos antagonistas também deixa a desejar, principalmente pela obviedade com a qual o roteiro trabalha a relação de Drácula com Erica Van Helsing, a descendente do caçador lendário por quem o personagem se apaixona, rendendo algumas cenas que evocam o espírito “gato e rato” de inúmeros desenhos clássicos.

A animação, entretanto, salta aos olhos de tão bela. São belos os cenários desenhados para o filme e o design dos personagens, assim como a fluidez nos movimentos, são bem feitos e servem bem às gags, principalmente na batalha musical que embala o clímax do filme. A trilha sonora e dublagem brasileira também são bem realizadas, adaptando bem o texto para o contexto atual.

Limitando-se a repetir erros e acertos dos filmes anteriores, Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas é um daqueles divertimentos clichês, cujas piadas ficam entre uma linha tênue entre o constrangedor e o engraçado. Motivado unicamente por fatores financeiros, tem pouco a acrescentar criativamente para a jornada de Drácula e não deve permanecer na memória dos pequenos por muito tempo.

Confira o trailer dublado:

About Author

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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