Sicario: Dia do Soldado – Crítica

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A missão de Sicario: Dia do Soldado não era a das mais fáceis. Em 2015, Sicario: Terra de Ninguém arrasou salas de cinemas com a direção de Denis Villeneuve e a sólida atuação de Emily Blunt. Agora, três anos depois, a sequência tenta manter e expandir o estabelecido ao usufruir de temas mais contemporâneos, além de tocar nas camadas mais sensíveis dos personagens de Josh Brolin e Benicio del Toro, mas se perde na obviedade e ações aleatórias.

A guerra contra o cartel mexicano continua como o ponto chave do novo thriller policial escrito por Taylor Sheridan, também roteirista do primeiro filme. Entretanto, o início de Dia do Soldado já serve para dar passos em direção à tensões maiores quando conecta a imigração ilegal de terroristas através da fronteira estadunidense com o México. Recentes discussões diplomáticas se encaixam não só para a reflexão do espectador, mas para justificar decisões de personagens – como o Secretário de Defesa dos Estados Unidos James Riley – (Matthew Modine) e o início de uma nova guerra. É claro que a tensão tão bem explorada por Terra de Ninguém é outro recurso que não poderia ser esquecida na sequência, e o diretor italiano Stefano Sollima mostra que sabe como prender o público nas poltronas de cinemas mediante explosões e tiros.

Com a ausência de Kate Macer (Emily Blunt) na sequência, coube a Matt Graver (Josh Brolin) e Alejandro (Benicio del Toro) assumirem o comando nos novos confrontos da franquia. O plano, dessa vez, é sequestrar Isabel Reyes (Isabela Moner), filha do líder de um cartel mexicano, para iniciar um embate entre os chefões do narcotráfico. No entanto, é a partir do momento em que tudo dá errado que as verdadeiras facetas de Matt e Alejandro aparecem e o conflito do filme é estabelecido. Isso dá mais oportunidades ao acaso para que Matt e Alejandro resolvem as situações em que se encontram, mas se torna uma constante previsível com o passar do tempo.

Sabemos que del Toro irá aparecer para salvar o dia, assim como sabemos que Brolin não medirá esforços para fazer seu trabalho sujo. Infelizmente, o longa perde a essência encontrada pela personagem de Blunt no primeiro filme ao questionar ações e, de certa forma, fazer o papel do público ao se desconfortar com os acontecimentos brutais, deixando somente ao espectador se inconformar com o que vê na tela. É justo apontar que explorar os lados mais humanos de Brolin e del Toro não resulta em catástrofe total, mas a falta de um intermediário entre suas ações deixa uma sensação de vazio durante todo o filme – que se apoia somente na violência e nas potenciais consequências das escolhas dos dois personagens.

Uma grande surpresa de o Dia do Soldado é a forma como Stefano Sollima, o diretor de fotografia Dariusz Wolski e a trilha de Hildur Guðnadóttir se encaixam perfeitamente para manter intacta os trejeitos que marcaram o primeiro filme. O formato narrativo, a edição, assim como os efeitos visuais e especiais, são extremamente congruentes com o que já foi visto em tela com Terra de Ninguém, consolidando fidelidade ao longa de 2015. Apesar disso, a sequência quebra sua única surpresa para estabelecer o futuro da franquia e aposta em escolhas aleatórias e violência para avançar a narrativa. O início explosivo, que carrega grande peso e incita desfechos específicos, não significa nada no final.

Sicario: Dia do Soldado se mantém fiel à alma de seu antecessor, principalmente em aspectos técnicos. Com mais destaques nas vidas dos personagens de Benicio del Toro e Josh Brolin e ótima performance da jovem Isabela Moner, o filme se mantém constante através de suas atuações, mas perde energia com obviedades e poucas consequências nas ações dos protagonistas, mostrando que o filme somente serve para narrar uma nova história nas vidas de Matt e Alejandro. Sem conseguir criar resoluções importantes no universo iniciado em 2015, Dia do Soldado levanta questões quanto sua necessidade, mesmo que seja um bom filme.

Distribuído pela Sony Pictures, Sicario: Dia do Soldado chega aos cinemas nesta quinta-feira, 28 de junho.

 

70%
70%
Bom

Sicario: Dia do Soldado (2018)
(Sicario: Day of the Soldado)
País: EUA | Classificação: 16 anos | Estreia: 28 de Junho de 2018
Direção: Stefano Sollima | Roteiro: Taylor Sheridan
Elenco: Josh Brolin, Benicio del Toro, Isabela Moner, Jeffrey Donovan, Catherine Keener, Manuel Garcia-Rulfo, Matthew Modine

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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