Os Estranhos: Caçada Noturna – Crítica

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Dirigido por Johannes Roberts (Medo Profundo), Os Estranhos: Caçada Noturna utiliza recursos técnicos que consolidaram filmes de suspense para contar uma história consistente do começo ao fim, sem abrir mão de explorar os pontos mais sádicos da natureza humana e surpreender o público com sustos previsíveis, mas não menos espontâneos.

No filme, o casal Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson) parte em uma viagem com os filhos Kinsey (Bailee Madison) e Luke (Lewis Pullman). Antes de chegarem ao destino final, um reformatório para a problemática Kinsey, a família decide passar uma noite no acampamento de trailers administrado pelo tio de Cindy. Assim começa a caçada noturna e a luta contra um trio de assassinos.

Ao som de “Kids in America“, de Kim Wilde, os minutos iniciais também servem para apresentar os assassinos mascarados e estabelecer o problema em que a família será inserida. A construção escolhida pela produção do filme é um ode a tantas outras obras do gênero, mas cai na mesmice aos poucos. Há, no entanto, execuções menos óbvias resultam em cenas que fogem aos padrões – como músicas animadas em momentos mais tensos.

É justo ressaltar que Caçada Noturna não é uma sequência direta do longa homônimo lançado em 2008, servindo mais como uma oportunidade para contar uma história original sem ter intenções em conectar seus personagens – mesmo que as máscaras utilizadas pelos antagonistas sejam as mesmas em ambos os filmes. O segundo longa tira inspirações do primeiro para seguir seu próprio caminho e não encontra tantos conflitos – principalmente narrativos – em se desenvolver com as próprias pernas.

Entretanto, mesmo com a liberdade para trabalhar seus personagens, o filme atinge maior êxito no grupo de assassinos do que na família disfuncional que o protagoniza. O silêncio e a antecipação causada pela falta de tela dos antagonistas faz com que o mistério seja mais interessante aos conflitos familiares – fato que gera curiosidade e ânsia por mais aparições dos vilões. Ao se beneficiar da natureza sádica escondida no cerne dos mascarados, o longa distribuído pela Diamond Films tem todos os ingredientes para saciar fãs do suspense e terror – se você busca por violência, aflição e a constante luta pela sobrevivência, Caçada Noturna é uma escolha certeira para conferir nos cinemas.

Com todo o triunfo conquistado pelos mascarados, os protagonistas sofrem não só na narrativa que os insere através de momentos aterrorizantes, mas também em alguns momentos performáticos de Bailee Madison e Lewis Pullman. Partes constantes no longa, os atores não conseguem atingir o mesmo nível de Christina Hendricks e Martin Henderson, mas, mesmo assim, a experiência não é arruinada e o filme consegue se manter estável da cena inicial aos créditos finais. O baixo carisma dos personagens de Madison e Pullman vai na antemão dos de Hendricks e Henderson, fazendo com que a audiência não crie a necessidade de torcer para os protagonistas mais jovens.

Tecnicamente, o filme usa e abusa de recursos pré-estabelecidos que formam o gênero – enquadramento, silêncio, iluminação e tantos outros. Tais artifícios geram, direta e indiretamente, tensão no espectador, que certamente pulará da cadeira em algumas cenas – o famoso jump scare. O problema é que, ao prestar tantas homenagens à outras obras – como “O Massacre da Serra Elétrica” – e exagerar na tecnicidade que constrói filmes de suspense, Caçada Noturna gera sensações de mesmice e falta originalidade. “Já assisti a isso antes” pode ser algo que passe pela sua cabeça quando os créditos finais aparecerem na telona.

Os Estranhos: Caçada Noturna se baseia no pré-estabelecido pelo cinema para contar uma história violenta e perversa sem hesitar em prestar referências à outros títulos marcantes do suspense e terror que conquistaram fãs ao redor do mundo. Em meio a tantas homenagens, o filme não se permite arriscar em resoluções diferentes para situações reversas dos protagonistas e cai na mesmice. Entretanto, mesmo sem dar algo único e inovador a ser saboreado, Caçada Noturna consegue assustar e entreter em momentos mais intensos através de seus antagonistas e, aos poucos, o longa transita entre o sadismo humano e a constante luta pela sobrevivência para se tornar uma boa opção para aqueles que gostam de um suspense sólido.

Distribuído pela Diamond Films, o filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 7 de junho.

 

60%
60%
Bom

Os Estranhos: Caçada Noturna (2018)
(The Strangers: Prey at Night)
País: EUA | Estreia: 07 de Junho de 2018
Direção: Johannes Roberts | Roteiro: Bryan Bertino e Ben Ketai
Elenco: Bailee Madison, Christina Hendricks, Martin Henderson, Emma Bellomy, Lewis Pullman, Damian Maffei, Lea Enslin

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Cofundador e editor-chefe do Duas Torres. Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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