Oito Mulheres e um Segredo – Crítica

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Dentre os infinitos subgêneros existentes, o heist movie – ou filme de assalto – é um dos mais restritos quanto as regras: há toda a dinâmica de apresentação da equipe que irá realizar o assalto e o plano de ação deve ser passado de forma clara para o espectador, mas com um pequeno espaço para que este possa ser surpreendido no decorrer da trama.

Foi aí que Steven Soderbergh encontrou espaço para brincar com essas regras na sua trilogia protagonizada por George Clooney, Brad Pitt e outros nove homens (e um segredo), criando um dos melhores do gênero e suas continuações, inferiores, mas tão divertidas quanto, resultando em uma franquia que ainda hoje vale a pena revisitar. Eis então que onze anos após a história dos “onze de Ocean” ser encerrada, chega aos cinemas Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s 8).

O spin-off dirigido e co-roteirizado por Gary Ross (Jogos Vorazes) nos apresenta Debbie Ocean (Sandra Bullock) de uma forma prática e familiar: saindo da prisão após cinco anos, oito meses e 12 dias e com um plano para um roubo milionário que deixaria seu irmão Danny (Clooney, na trilogia) orgulhoso. Após reunir-se com uma antiga parceira, Lou (Cate Blanchett), é hora da primeira regra do heist, montar uma boa equipe. Rapidamente, entram em cena as personagens de Helena Bonham Carter, Mindy Kaling, Rihanna, Sarah Paulson e Awkwafina, todas bem inseridas e contextualizadas dentro do plano de Debbie: roubar um colar de diamantes avaliado em 150 milhões que será usado pela atriz Daphne Kluger (Anne Hathaway) em um exclusivo baile de gala.

O grande acerto do filme é a química e o entrosamento entre as garotas, com destaque para Bullock e Blanchett. Desde a primeira cena que dividem, o companheirismo e confiança entre as duas é visível – para fazer um paralelo, se Debbie toma o lugar de Danny, Lou é a versão feminina de Rusty (Brad Pitt). Felizmente, Ross e a roteirista Olivia Milch sabem lidar com o numeroso elenco e garantem bons momentos para todas as personagens – cada uma tem ao menos uma cena memorável –, não deixando que a dupla roube os holofotes completamente para si. Por exemplo, enquanto Bonham Carter se destaca pela sua excentricidade, Rihanna abusa de um charme “casca-grossa” e muita personalidade. Já Hathaway constrói uma paródia de si mesma e sua aura “princesa” que cai como uma luva e arranca boas risadas.

Embora o roteiro de Ross e Milch seja mais contido no que tange ao assalto, é louvável a tentativa de sair da sombra da trilogia original e firmar uma identidade própria. Ao passo que muitos spin-offs ou continuações tendem a ir na direção oposta – usar e abusar de elementos nostálgicos e repetição para cativar os fãs antigos –, Oito Mulheres acomoda o golpe em si em sua primeira metade, indo por um caminho diferente em seu terceiro ato. Não cabe entrar em detalhes, mas é interessante a forma que o golpe é desconstruído com algumas viradas de roteiro – umas funcionam melhores que outras – que amarram cenas que o espectador já havia esquecido.

Enquanto o filme se ganha por algumas referências sutis, como as transições entre as cenas ou a deliciosa trilha sonora, existem sim alguns problemas, como a simplicidade do plano – que de simples não tem nada, mas não possui a charmosa complexidade da invasão do Bellagio, por exemplo – ou algumas cenas soltas que se justificam somente pela necessidade de inserir gags. Contudo, Oito Mulheres e um Segredo se mostra mais que um blefe e cumpre sua proposta com sucesso, não apenas entregando um ótimo entretenimento, mas dando uma continuidade à altura da trilogia.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

Oito Mulheres e um Segredo (2018)
(Ocean's 8)
País: EUA | Classificação: 14 anos | Estreia: 07 de Junho de 2018
Direção: Gary Ross | Roteiro: Gary Ross, Olivia Milch
Elenco: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Sarah Paulson, Rihanna, Mindy Kalling, Awkwafina

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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