A Noite do Jogo – Crítica

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Muitas comédias que surgiram nos últimos anos são um tanto estúpidas. Outras, sabiamente, tem noção da própria estupidez e utilizam isso a seu favor. A Noite do Jogo (Game Night) é o segundo caso, construindo um enredo interessante – ainda que clichê – em torno de jogos de tabuleiro e rivalidade entre irmãos, mas que tem pouco de novo a oferecer para o gênero ao qual pertence.

Jason Bateman e Rachel McAdams protagonizam como Max e Annie, um competitivo casal que reúne os amigos semanalmente para uma noite de jogos. Até que o irmão de Max, Brooks (Kyle Chandler) chega a cidade e convida o grupo para se reunirem em sua casa, propondo um jogo mais emocionante: alguém do grupo será sequestrado e aquele que conseguir solucionar o caso, ganha o jogo. Acontece que as coisas fogem do controle e os personagens vão se dando conta que o jogo não é o que parece ser.

Não se espante se achar a fórmula do filme familiar. Além da óbvia semelhança com o clássico Vidas em Jogo de David Fincher, o filme tem traços de outras comédias recentes, como Quero Matar Meu Chefe e o fraco A Última Ressaca do Ano. Diferente de seus personagens, o roteiro de Mark Perez aposta baixo e não se dispõe a ousar em momento algum. Uma pena, pois nota-se o potencial subaproveitado.

Bateman, ator habituado a comédias, está pouco inspirado aqui, limitando-se a uma repetição de papeis anteriores. Ironicamente, o ator é um dos mais sem graça no elenco, além de constantemente desaparecer diante de McAdams, quem constantemente rouba as atenções para si. A atriz demonstra um timing cômico afiado e é responsável por algumas das melhores cenas do filme – sua reação ao tentar remover uma bala é hilária – e é facilmente a melhor coisa do filme.

Outros destaques vão para os coadjuvantes Billy Magnussen e Jesse Plemons. O primeiro interpreta Ryan, um dos amigos da turma envolvidos no “jogo”. Sempre com boas gags, Magnussen dá vida ao seu tapado personagem sem tornar-se exageradamente bobalhão. Já Plemons utiliza o exagero a seu favor ao interpretar Gary, o vizinho policial completamente bizarro que demonstra interesse em participar das noites de jogo, mas é constantemente excluído por Max e Annie.

A boa direção de John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein é inteligente ao criar momentos genuinamente divertidos – a cena da fuga com o ovo Fabergé é incrível – e brincar com a fotografia do subúrbio, utilizando planos aéreos para dar a impressão de que estamos vendo peças em um tabuleiro, mas não acompanha as diversas – e cansativas – viradas de roteiro, caindo na mesmice depois de um tempo.

Inclusive, tais viradas são o grande problema do filme, pois havia uma ótima chance para brincar com a expectativa do público – o que estamos vendo é um jogo ou não? – que não é aproveitada. Quando tenta, já é tarde demais e qualquer tentativa de surpreender acaba frustrada. Há o erro de timing em algumas gags também, tornando algumas previsíveis – a piada do clube da luta – e outras repetitivas – a da infidelidade é repetida à exaustão –, algo que subtrai muito do humor.

A Noite do Jogo é um filme de boas peças e um tabuleiro ruim, com bons atores e diretores à disposição, mas um roteiro problemático que perde muito de seu charme conforme o espectador passa a antever a próxima jogada. Melhor sorte na próxima rodada.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

50%
50%
Regular

A Noite do Jogo (2018)
(Game Night)
País: EUA | Classificação: 16 anos | Estreia: 10 de maio de 2018
Direção: John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein | Roteiro: Mark Perez
Elenco: Jason Bateman, Rachel McAdams, Jesse Plemons, Kyle Chandler, Billy Magnussen

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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