Vingadores: Guerra Infinita – Crítica

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Havia uma ideia, de reunir um grupo de pessoas extraordinárias. Para ver se poderíamos nos tornar… Algo mais. E então, quando precisassem, poderíamos lutar as batalhas… Que eles jamais conseguiriam.

O Marvel Studios construiu, durante 10 anos, uma das franquias mais lucrativas do cinema. As mini trilogias focadas em seus heróis solo, que víamos no começo, logo deram lugar a uma narrativa maior e coesa entre todos os seus filmes – fossem continuações ou não – que tinham uma coisa em comum: tramas que, diretamente ou indiretamente, se conectavam à jornada em busca das Joias do Infinito. Nesse tempo, foram 18 filmes e Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War) é a grandiosa convergência de todas essas histórias.

Os diretores Joe e Anthony Russo (responsáveis por Capitão América: Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil) foram os escolhidos para comandar essa ambiciosa empreitada. Em meio a tantos heróis disponíveis, os diretores decidiram usar uma abordagem diferente, trazendo ao centro da trama o grande vilão Thanos (Josh Brolin). O personagem que fizera sua primeira aparição na cena pós-créditos de Os Vingadores sempre esteve presente nesse universo, mas enfim entra verdadeiramente em cena.

A escolha é acertada, pois conhecemos os heróis, mas ainda não conhecemos Thanos. E desde a primeira cena do filme, já passamos a entender um pouco sobre ele: vemos seu objetivo – e o papel das Joias dentro deste – e uma demonstração de seu poder. Mas enxergamos também sua alma, suas motivações. Cada palavra de Thanos é carregada de sentimento, urgência, fé, ameaça. É a sua história que estamos prestes a contemplar e os heróis – nossos heróis – são apenas os personagens secundários dentro desta.

A trama consegue ser simples, mas suficientemente satisfatória. Enquanto a salvação do universo está em jogo, vemos nossos heróis indo de um lado para o outro, obstinados, mas cada vez mais fragilizados diante da assustadora e solene presença de Thanos.

Com tantos personagens, o roteiro de Stephen McFeely e Christopher Markus sabiamente cria núcleos específicos por onde os heróis transitam, de forma que fique claro ao espectador as devidas “equipes” enquanto promovem encontros nunca vistos anteriormente. Os dois roteiristas, já habituados com esses personagens, promovem encontros que valorizam as personalidades e habilidades de cada um deles. Da mesma forma, os maiores destaques são também para aqueles cujas histórias se entrelaçam melhor com a jornada do titã, como Gamora (Zoë Saldana), Strephen Strange (Benedict Cumberbatch) e Thor (Chris Hemsworth).

Nota-se a ausência de peso para alguns personagens – mas que devem ter maior destaque no futuro –, assim como momentos que dão respostas curtas e rápidas para questões abertas – como a reintrodução de Steve Rogers (Chris Evans) e seus Vingadores foragidos –, mas nada que atrapalhe de fato a narrativa. Outros, como Peter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland) – fazendo sua estreia em um filme da equipe – e Tony Stark (Robert Downey Jr.), ganham espaço não apenas pelo seu envolvimento na batalha, mas principalmente por terem a chance de trabalhar melhor seus personagens diante do escopo megalomaníaco que a trama assume, além de terem uma excelente química em tela.

Há de se destacar a sobriedade com a qual o roteiro utiliza a veia cômica de seus personagens, sem desrespeitar suas personalidades ou a trama do filme, que impõe uma sensação de urgência inédita nos filmes da Marvel. A fotografia de Trent Opaloch – que repete a parceria com os Irmãos Russo – utiliza paletas de cores diferentes em cada núcleo, novamente com o intuito de guiar o espectador pelos locais por onde Thanos percorre – alguns familiares, outros inéditos – e dar o tom correto para cada um deles, sempre respeitando a relação daquele núcleo na história e os personagens em tela.

Muito do filme se apoia na sólida base criada antes, trazendo à tona momentos, personagens e tramas que se conectam aos filmes anteriores em diferentes níveis. Pontas soltas são amarradas, jornadas chegam ao fim e outras se iniciam, criando inimagináveis possibilidades vindouras. Deste modo, interessante notar que Guerra Infinita converge as linhas narrativas criadas por 10 anos, não para criar uma conclusão, mas sim um clímax.

Diante de toda sua grandeza, Guerra Infinita não deve agradar a todos, pois o filme vai de encontro a muitas expectativas criadas durante sua longa espera. Pode ser que o seu personagem preferido não apareça tanto – ou tenha a mesma relevância de outros – ou mesmo que o – não menos que – brilhante final seja diferente daquele que o espectador espere. Mas é nítido que os diretores, roteiristas e atores criaram um filme que, diante de quaisquer empecilhos, foi o melhor que poderia ser. E isso, por si só, já o distingue como uma obra única.

Vingadores: Guerra Infinita é uma experiencia única e representa o ápice para um universo meticulosamente construído. O maior e mais ambicioso crossover do cinema – ao menos por enquanto – e, com certeza, um sonho concretizado, não apenas para seus realizadores como para aqueles que cresceram lendo esses personagens e suas jornadas. É um Avante, Vingadores para todos nós.

Avaliação Final

100%
100%
Excelente

Vingadores: Guerra Infinita (2018)
(Avengers: Infinity War)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 26 de abril de 2018
Direção: Joe e Anthony Russo | Roteiro: Stephen McFeely, Christopher Markus
Elenco: Josh Brolin, Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Chris Pratt, Benedict Cumberbatch

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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