Os Vingadores – Crítica

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Em 2012, chegara enfim a hora da Marvel mostrar a que veio definitivamente, com a iminente culminação do universo que o estúdio construíra anos atrás. Os Vingadores (The Avengers) é a aposta máxima, que muitos fãs esperavam com extrema ansiedade, desde a pequena referência na pós-créditos em Homem de Ferro lá em 2008, com Nick Fury (Samuel L Jackson) afirmando a existência de um universo maior.

Desde então muita coisa mudou e a expectativa só aumentara. Não à toa o descrédito em cima do diretor Joss Whedon, pois ainda que ele tivesse experiência com quadrinhos da Marvel – ele escrevera arcos dos X-Men e dos Fugitivos –, seu trabalho como diretor resumia-se a Serenity, uma conclusão da série Firefly, criada pelo próprio Whedon. Portanto, Os Vingadores foi o primeiro grande trabalho do diretor, fora da sua zona de conforto e com uma escala completamente diferente do que ele já realizara.

A união vista no filme é baseada nos quadrinhos dos anos 60, mas mescla elementos do Universo Ultimate, linha editorial da Marvel criada nos anos 2000 para facilitar a história para novos leitores. Ainda assim, Whedon conseguiu o improvável: tornar o filme um produto independente das HQs, pois não era necessário que o espectador fosse conhecedor de histórias em quadrinhos para apreciar o filme. O mesmo já fora feito em – novamente – Homem de Ferro, mas dessa vez, com a escala maior e muito mais bagagem de “franquia”, era necessário um cuidado redobrado para que o filme não fosse apenas uma bagunça Hollywoodiana – com ou sem easter-eggs.

Assim como a trama original de 1963, vemos Loki (Tom Hiddleston) vindo a Terra. No filme, o asgardiano possui uma aliança com um exército alienígena – Chitauri – e busca o Tesseract, que está em posse da SHIELD, obrigando Nick Fury a recorrer à união dos heróis. O primeiro ato trata de reunir todos os personagens da equipe de forma coesa e a seu tempo, sem apressar as interações e – claramente – os estranhamentos entre os futuros companheiros de equipe. Não tarda para que Whedon ponha em prática seus anos como quadrinista e construa cenas que enchem os olhos do leitor, não necessariamente com grandes momentos de ação, mas as interações entre seus personagens, criando momentos únicos com diálogos que seriam ficariam na memória do espectador.

Mas é claro que, como um bom filme de heróis, as cenas de ação não poderiam deixar a desejar. Felizmente Whedon sabe manejar suas estrelas e cria batalhas épicas, desde as mais intimistas até o grande final. Os primeiros embates entre Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) e Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) – com direito à uma entrada triunfal ao som de AC/DC – com Loki e, posteriormente, Thor (Chris Hemsworth) ou o crescente conflito entre os personagens no aero porta-aviões da SHIELD, que segue com a primeira grande cena de ação – onde Whedon sabiamente separa os personagens em pequenos núcleos a fim de explorá-los separadamente – é realizada com um esmero digno de um fã. Joss Whedon, afinal, é um nerd declarado.

Há espaço até para o novato no time, Mark Ruffalo, surpreender como Hulk. O ótimo ator constrói perfeitamente a personalidade de Bruce Banner, mostrando como o personagem é fragilizado por seu passado e trazendo às telas o Hulk como um fardo, ou, nas palavras de Tony Stark, um terrível privilégio. Compõem a equipe os agentes da SHIELD Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), enquanto a primeira foi bem introduzida na segunda aventura de Stark, a presença de Renner resumiu-se em uma pequena ponta em Thor. Ainda que com menos destaque, os dois personagens são bem costurados à trama e, assim como os outros, possuem seus devidos momentos para brilhar.

A trilha sonora composta por Alan Silvestri surge de forma imponente, nada mais digno, afinal, estamos falando da esperada união dos heróis. Dois temas merecem destaque: o forte tema central The Avengers que ecoa na mente ao lembrarmos dos heróis e o belo e sutil A Promise, ouvido ao final da projeção e que dá o clima perfeito para o diálogo entre Fury e Maria Hill (Cobie Smulders).

Os Vingadores pode soar como um simples blockbuster – o que não é um demérito, pois não diminui em nada sua qualidade –, mas representa algo muito maior, pois é também o fechamento de uma jornada que criara muitas promessas. Estas que, felizmente, o filme-evento cumpre com louvor. Por sua vez o fechamento que o filme representa está longe de ser uma conclusão definitiva, pois ainda que Joss Whedon esteja contido em suas responsabilidades para com este filme, as portas abertas aqui mostram, tal como Fury falara na pós-créditos em 2008, um universo maior.

Uma excelente adaptação, mas mais que isso, um excelente filme, Os Vingadores é um dos melhores do gênero e um deleite nerd, recomendado para todo e qualquer fã que procura uma diversão com qualidade.

Avaliação Final

100%
100%
Excelente

Os Vingadores (2012)
(The Avengers)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 27 de abril de 2012
Direção: Joss Whedon | Roteiro: Joss Whedon, Zak Penn
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner, Samuel L Jackson, Tom Hiddleston

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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