Homem-Formiga – Crítica

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Após três continuações solo, um filme original e, finalmente, a esperada continuação d’Os Vingadores, chegou a hora da Marvel encerrar a sua Fase 2. E tal como uma pós-créditos, Homem-Formiga (Ant-Man) chega para finalizar a grandiosa sequência de forma, literalmente, menor. Contra quaisquer expectativas – o personagem nunca foi dos mais populares da editora, embora seja um dos membros fundadores dos Vingadores e a noticia da adaptação foi vista com duvidas por parte do público – e mesmo com uma produção conturbada, o estúdio emplaca mais um ótimo filme.

Homem-Formiga estava nos planos para ser um dos primeiros filmes do Universo Cinematográfico Marvel, sob a direção de Edgar Wright – os personagens inclusive apareceriam em Os Vingadores –, entretanto, a produção foi adiada duas vezes, sendo confirmada, finalmente, para 2015. Porém, Wright – que desenvolvia o filme desde 2008 – acabou se desentendendo com o estúdio e deixou a produção, que foi assumida por Peyton Reed. A união dos aspectos do cinema de ambos os diretores acabou apresentando um material interessante e diferente de qualquer outro filme de heróis.

Na trama, Scott Lang (Paul Rudd) acaba de sair da prisão e tenta por sua vida nos eixos, com um emprego simples e ficando perto de sua filha Cassie (Abby Ryder Fortson), mas tem dificuldades. Após acabar aceitando roubar a casa de um milionário aposentado, Lang encontra apenas um estranho traje. Não tarda para que ele descubra que aquilo foi uma missão de recrutamento do Dr. Hank Pym (Michael Douglas), que precisa dele para roubar a tecnologia do Homem-Formiga das mãos de Darren Cross (Corey Stoll).

A partir daí o que vemos é um legítimo filme de assalto nos moldes super-heróicos, com Lang aprendendo a utilizar a tecnologia e Pym atuando como seu mentor. A dinâmica mentor-aluno, inédita até então nos cinemas, é incrivelmente proveitosa e serve, também, para apresentar todas as habilidades – e possibilidades – do personagem para o público. As cenas do treinamento utilizam uma montagem ágil e servem para dissipar de uma vez quaisquer duvidas sobre o divertido herói.

É nesse meio tempo que o roteiro aproveita para desenvolver a relação problemática de Hank com sua filha, Hope (Evangeline Lilly). A atriz faz uma Hope cheia de personalidade, que não tem medo de falar o que pensa. Seus diálogos são carregados de um descontentamento visível, parte por ela querer cumprir a missão de roubo sozinha, parte por questões mal resolvidas do passado. Do outro lado, Michael Douglas cria um personagem que mesmo na velhice, não se deixa intimidar por ninguém e suas interações com Lilly geram momentos intensos, mas com diálogos brilhantes.

O modo escolhido para demonstrar os poderes de Lang é outro acerto. Visualmente efetivo, ver o herói alternando entre tamanhos enquanto desvia de balas e corre em cima de uma pistola atirando é não menos que empolgante. Além disso, é bem-vindo o humor instantâneo das cenas de ação, onde vemos homens de terno sendo arremessados pelo herói diminuto. Até mesmo o clímax do filme debocha das, cada vez maiores, batalhas finais do gênero, ao criar um embate final entre as diminutas figuras em uma perigosa linha de trem… de brinquedo.

A única coisa que realmente se destaca dos acertos do filme e o desinteressante vilão interpretado por Corey Stoll. Darren Cross é um personagem clichê e exagerado ao máximo, além de ter uma motivação que nunca é trabalhada de forma convincente. Além do mais, as habilidades do personagem serem, em suma, as mesmas do herói, fazem com que a sensação de ameaça seja inexistente – diferente de Scott Lang, não vemos Darren Cross exaustivamente treinando o uso do traje.

Apesar desse problema, Homem-Formiga traz consigo os melhores aspectos dos filmes do estúdio. Estão aqui um excelente elenco – mesmo os coadjuvantes são um grande acerto, vide Michael Peña –, ótimas cenas de ação e boas doses de comédia, além de, claro, uma bem-feita expansão do universo criado pelo estúdio, que não só criam intrigantes possibilidades para a vindoura continuação, como para todo o Universo Cinematográfico Marvel. Certamente, um dos grandes destaques do estúdio até aqui.

Avaliação Final

90%
90%
Ótimo

Homem-Formiga (2015)
(Ant-Man)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 23 de abril de 2015
Direção: Peyton Reed | Roteiro: Joe Cornish, Adam McKay, Edgar Wright, Paul Rudd
Elenco: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas, Corey Stoll, Michael Peña, T.I., Anthony Mackie

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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