Guardiões da Galáxia – Crítica

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Desde de 2008, no início do atualmente consolidado Marvel Cinematic Universe – ou MCU, para os íntimos -, a Marvel tem superado quaisquer expectativas. Seja você fã ou não da editora ou mesmo do gênero de super-heróis, é impossível dizer que o estúdio não sabe lidar com expectativas. De seu primeiro filme, Homem de Ferro até aqui, passaram-se 6 anos e muitas lições foram aprendidas – outras nem tanto –, mas o estúdio ainda surpreenderia seu público. Se o próprio início de seu universo se deu através de um herói classe B – até então, a maioria do público só tivera contato com a Marvel através dos X-Men ou da estrela absoluta do estúdio, Homem-Aranha – nada mais justo que trazer uma equipe praticamente desconhecida do público. Certamente, uma aposta arriscada. E ninguém diria que poderia dar tão certo.

Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy) começa de forma tocante, que nos leva da comoção aos risos em poucos minutos, graças ao charme e carisma de seu protagonista Peter Quill (Chris Pratt). A disposição entre os dois momentos iniciais dita o tom do filme, que não tem medo de transitar de um humor galhofa para um momento intimo entre os protagonistas e novamente para o humor, mas aqui, tudo funciona de uma forma incrivelmente fluída, algo que é alvo de reclamações na maioria dos filmes da Marvel.

Saindo do convencional, a própria história de origem se destaca, afinal de contas a origem que importa não é a de Quill, mas a da equipe, que acabam juntos pelo acaso: Gamora (Zoë Saldana), Rocket Racoon (voz de Bradley Cooper), Grott (voz de Vin Diesel) e Drax (Dave Bautista) e o conjunto não poderia ser melhor: todos são problemáticos à sua própria maneira, sempre ameaçando uns aos outros, mas com uma necessidade mútua entre si, o conjunto de cinco criminosos formam uma equipe de maneira extremamente espontânea e a química entre o elenco não poderia ser melhor. Começando pelo próprio Pratt, que já havia mostrado seu timing cômico certeiro na série Parks and Recreation, cada membro presente em cena traz sua própria identidade nos diálogos, permitindo surgirem piadas para todos os públicos e, basicamente, a todo momento, com destaque para a dupla digital Rocket e Groot.

O primeiro, um guaxinim falante mal-humorado com uma habilidade incrível para mecânica, o segundo, seu parceiro fiel, uma arvore quase-falante com um ar de inocência e que cativa o público desde seu primeiro momento em tela. Drax é o típico personagem “músculos”, um clichê que só cai bem na equipe. Já Gamora é uma guerreira impiedosa e temida na galáxia. É nesta também que recai a necessidade de conexão entre filmes do estúdio, pois a personagem é filha de Thanos, o Titã Louco (Josh Brolin) que há muito observa o desenrolar das tramas enquanto os fãs anseiam que ele saia logo seu trono espacial e venha para terra trocar socos com os heróis.

O filme conta com um charme Anos 80, facilmente recriado por sua trilha sonora – uma das melhores possíveis e definitivamente o elemento que dá a Guardiões uma identidade única – e pelo único personagem humano em cena, o próprio Quill, que saiu da terra nos anos 80 e nunca retornou, dessa forma, o próprio acabou “parado” no tempo e solta referencias únicas para os fãs de cinema. E no comando dessa odisseia cósmica-super-heroica, está James Gunn (Seres Rastejantes, Super), com um toque extremamente autoral, fazendo seu filme se destacar dentre os demais do Marvel Studios e do panorama atual do gênero – seja ele super-heróis, ficção científica ou comédia – com um gostinho especial que transita entre o familiar e o original o tempo inteiro.

Gunn capricha não só nas cenas de ação como também no cenário vivo. Há muitas cenas onde os personagens estão envoltos de diversas criaturas diferentes umas das outras que estão vendo ou reagindo as ações dos guardiões, sendo a quantidade diferentes de espécies algo semelhante à cena da cantina de Star Wars. Outras duas cenas onde podemos observar o cuidado ao estabelecer as infinitas espécies da galáxia são as cenas na prisão e também o primeiro encontro dos guardiões. Fora uma cena com a presença do Colecionador (Benicio Del Toro) que vai fazer os fãs da Marvel se emocionarem com as diversas referências nela – e claro, com as diversas possibilidades pro futuro desse universo cada vez mais vasto.

O trabalho com os antagonistas não costuma ser um dos grandes méritos do estúdio e aqui segue a fórmula convencional com um vilão principal, Ronan (Lee Pace), que quer destruir o mundo, mas imponente em tela. Mas o destaque entre os antagonistas fica com Nebula (Karen Gillan), a meia-irmã de Gamora que sente inveja por ela sempre ter sido a preferida de Thanos – algo que lembra a relação Thor/Loki, mas feita de forma suficientemente boa para não parecer um simples repeteco – com um olhar que transmite rancor e um profundo ódio, mesmo sob uma maquiagem pesada. A personagem também é uma com um dos visuais mais interessantes do longa, que mescla partes orgânicas e mecânicas concedendo a ela um ar assustador.

Ao mesmo tempo em que se permite ser uma paródia de si próprio, Guardiões da Galáxia fisga o espectador de forma tão eficaz como franquias espaciais já consagradas como Star Wars Star Trek. Novamente a Marvel mostra que sabe o que está fazendo e pra onde quer ir, dando um passo certeiro ao estabelecer uma nova franquia abrindo diversas possibilidades futuras através de um roteiro bem escrito, que funciona dentro do já vasto universo Marvel, mas também como um filme independente. É difícil imaginar quais os próximos passos nesse vasto universo, mas se vierem obras com a mesma qualidade do que foi apresentado aqui, já podemos aguardar com um sorriso no rosto.

Crítica originalmente publicada em 27 de abril de 2017.

Avaliação Final

100%
100%
Excelente

Guardiões da Galáxia (2014)
(Guardians of the Galaxy)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 31 de julho de 2014
Direção: James Gunn | Roteiro: Nicole Perlman, James Gunn
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Lee Pace, Michael Rooker, Karen Gillan

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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