Capitão América: O Soldado Invernal – Crítica

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Alguns filmes conseguem se sobressair a ponto de serem considerados produtos que permanecem acima de seu gênero, sendo elogiados mesmo por aqueles que não são fãs do estilo ao que este pertence. No caso dos super-heróis, já vimos isso ocorrer com O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan – considerado por muitos a obra-prima do gênero – e agora é a vez da Marvel de cravar – novamente – seu espaço no cinema com um de seus filmes mais maduros e importantes até aqui com Capitão América: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier).

O filme é baseado em um arco homônimo dos quadrinhos escrito por Ed Brubaker, mas que toma as devidas liberdades criativas para se encaixar – muito bem – nos cinemas. Aqui, encontramos Steve Rogers (Chris Evans) mais familiarizado com o mundo atual – o personagem entende referencias agora –, mas não totalmente confortável com o modo que a SHIELD e Nick Fury (Samuel L. Jackson) lidam com as ameaças. Tudo começa a piorar quando Fury é vítima de um atentado, o que põe o Capitão América e a Viúva Negra (Scarlett Johansson) em uma corrida contra o tempo para lidar com uma ameaça oculta antes que tome proporções catastróficas.

Em muitos aspectos, Soldado Invernal se assemelha ao já citado Cavaleiro das Trevas, pois em ambos os filmes temos figuras super-heróicas dispostas em um tabuleiro incrivelmente real e, principalmente, atual. Em tempos onde os EUA são vistos com desconfiança, o Sentinela da Liberdade é utilizado não como emblema do governo, mas sim alguém que se impõe a ele. Além do clima político, os diretores Joe e Anthony Russo acertam por transformar seu filme em uma elaborada trama de espionagem, que traz consigo o mesmo espírito dos clássicos do gênero. Não à toa a presença de Robert Redford, nome clássico do cinema de espiões e que surge aqui como um dos diretores da SHIELD.

Engana-se, porém, quem diz que o filme não utiliza a Fórmula Marvel. Ainda que em menor grau, o DNA do estúdio se faz presente de forma sutil. Estão lá as diversas referencias – não faltam menções aos personagens da Marvel –, as cenas pós-créditos e o costumeiro humor, ainda que mais moderado. Os alívios cômicos são muito bem colocados, principalmente na forma de Sam Wilson (Anthony Mackie), o Falcão. O carismático ator chega com o pé direito, possui uma química instantânea com o restante do elenco – a dinâmica entre Mackie, Evans e Johansson transforma a segunda metade do filme em um verdadeiro deleite – e conquista o público de imediato. Super a vontade no papel, é difícil não querer ver mais do personagem nos filmes futuros dos heróis.

O modo que o Soldado Invernal é integrado à trama é incrivelmente eficiente: o personagem, que faz sua entrada ao final de uma eletrizante cena de ação, protagoniza alguns dos melhores momentos do filme. É muito interessante a forma que o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely constrói a relação do personagem com o Capitão e com a Hydra, evitando cenas ou diálogos expositivos demais. Da mesma forma, uma única cena posterior à revelação de sua identidade – algo brilhantemente guardado nos trailers – estabelece perfeitamente a importância do elo entre os personagens de forma econômica.

Também é notável o modo como os roteiristas optam por trazer a Hydra aos holofotes, novamente como o grande vilão da trama. A reintrodução da organização é plausível e funciona perfeitamente, englobando toda a história desse universo e mostrando, perfeitamente, como seu lema – Corte uma cabeça e duas surgem no lugar – é preciso. O momento em que um digital Arnim Zola (Toby Jones) surge em tela – fazendo jus ao seu visual nos quadrinhos – explicando o papel da Hydra e de seu Soldado Invernal é valioso e, graças à sua boa montagem, de fácil entendimento.

A fotografia de Trent Opaloch (Distrito 9, Elysium) opta por tons claros para criar uma fotografia urbana, que valoriza as maravilhosas cenas de ação do filme, sejam elas no chão ou no ar – felizmente, os Irmãos Russo criam diversas cenas aéreas para valorizar a presença do Falcão – e completa a obra a brilhante trilha sonora de Henry Jackman, com um tema magnífico que entoa alguns momentos memoráveis do filme.

Sem dúvida um dos melhores filmes da Marvel, Capitão América: O Soldado Invernal se consagra também como um dos filmes mais independentes do estúdio, que vai agradar desde os leitores, aos fãs do Universo Cinematográfico e até mesmo ao espectador que só busca um entretenimento de qualidade. Além disso, representa um ponto sem volta deste universo onde as ações têm consequência e, portanto, traz consigo uma maturidade que muda a dinâmica dos próximos filmes e crava, de vez, a presença do Sentinela da Liberdade nos cinemas.

Avaliação Final

100%
100%
Excelente

Capitão América: O Soldado Invernal (2014)
(Captain America: The Winter Soldier)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 10 de abril de 2014
Direção: Anthony Russo, Joe Russo | Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Samuel L. Jackson, Robert Redford

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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