5 livros estrangeiros que merecem sua atenção

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Jorge Luis Borges escreveu que “o livro é uma extensão da memória e da imaginação”. Um bom livro nos transporta a locais nunca vistos, a vivências que nunca teríamos, nos faz sentir que somos 20 pessoas diferentes até chegar ao fim da história.

Hoje em dia, os leitores têm bem definido o que gostam de ler. Livros que impactam sua vida de alguma forma, leituras leves e divertidas, pesadas e sombrias, ficção à realidade.A tendência é ficarmos cada vez mais presos no que estamos acostumados.

Aí´que entram as recomendações. Recomendar um livro é algo extremamente pessoal, que requer conhecer a pessoa a fundo. Parece absurdo, no entanto, cada um pode ter um visão específica do que é cada história. cada um terá uma experiência diferente.

As minhas recomendações se baseam em livros que me marcaram por algum motivo, histórias que acho que o mundo deve conhecer e apreciar, cada um à seu olhar.

Aqui estão 5 livros estrangeiros (de uma lista infindável) que merecem sua atenção e uma colocação na sua lista de “livros para ler”.

O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação – Haruki Murakami

Sinopse: Tsukuru Tazaki é um homem solitário, perseguido pelo passado. Na época da escola, morava com a família em Nagoya e tinha quatro amigos inseparáveis. Agora, vive em Tóquio, onde trabalha no projeto e construção de estações de trem e namora uma mulher dois anos mais velha. Mas não se esquece de um trauma sofrido dezesseis anos antes: inexplicavelmente, foi expulso do grupo de amigos, e nunca mais os viu. Agora, ele decide revisitar o passado e reencontrá-los, para saber um pouco mais de cada um — e de si mesmo. Sua jornada o levará a locais distantes, numa transformação espiritual na busca pela verdade. ‘O incoloro Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação’ é um livro emocionante sobre busca de identidade. É uma história sobre pessoas perdidas, que lutam para lidar com o desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós.

Murakami fala de um assunto que todo jovem passa em algum momento, a eterna busca de identidade. Todos nós, em algum momento, passamos por situações que nos fazem perder noção de quem achamos que somos. Fala sobre reencontros, nem sempre agradáveis, além de nos mostrar que a vida acontece para todos, não importa onde estivermos.

The secret lives of Baba Segi’s wives – Lola Shoneyin

Sinopse: Para o desespero de sua mãe ambiciosa, Bolanle se casa em uma família poligâmica, onde é a quarta esposa de um patriarca rico e rotundo, Baba Segi. Ela é graduada, e portanto, um grande prêmio, mas até os formandos devem produzir filhos e a dor de barriga persistente de seu marido é um sinal de que as coisas não são como deveriam ser. Por ter uma educação formal, Baba Segi não consegue levar Bolanle nos “vigaristas de roupas brancas” que normalmente iria, então ele a leva ao hospital para descobrir a causa de sua esterilidade. Tecendo as vozes de Baba Segi e suas quatro esposas competidoras em um retrato de uma clamorosa casa de doze pessoas, Lola Shoneyin evoca uma extraordinária família nigeriana em toques de cores vibrantes.

O que sempre me impressiona em livros africanos é a capacidade do autor de, literalmente, nos imergir em seu mundo. As descrições de paisagens e a interações dos personagens nos faz participar ativamente da história e nos faz entender um mundo antes complexo e desconhecido.

Zorba, o grego – Níkos Kazantzákis

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1946, ‘Zorba, o grego’ é, por um lado, a história de um trabalhador grego chamado Zorba — amante da vida, o narrador sem nome que ele acompanha até Creta para trabalhar em uma mina, e os homens e mulheres da cidade onde se instalam. Por outro lado, é a história de Deus e do homem, o diabo e os santos; a luta dos homens para encontrar suas almas e propósito na vida. É sobre amor, coragem e fé. O romance foi adaptado para um filme, de mesmo nome, de 1964, bem como um musical em 1968.

Zorba ainda é muito aclamado como uma das criações mais memoráveis da literatura, seguindo a tradição de Falstaff e Sancho Pança. Seus anos não obscureceram o entusiasmo e o assombro com que ele responde a tudo que a vida lhe oferece. A vida de Zorba é rica em todas as alegrias e tristezas que a mesma lhe traz e, seu exemplo, desperta no narrador uma compreensão do verdadeiro significado da humanidade.

Se vivêssemos em um lugar normal – Juan Pablo Villalobos

Sinopse: Nos anos 1980, em uma pequena cidade no México, onde há “mais vacas que pessoas e mais padres que vacas”, uma família pobre tenta sobreviver às intempéries do cotidiano. O pai é um professor de educação cívica, apaixonado pelo período helênico e mestre em propagar todo tipo de insulto. A mãe, uma mulher de inigualável tendência cênica, mais afeita ao melodrama, que se encarrega de preparar, todo santo dia, a mesma refeição à base de quesadillas. É essa a comida típica mexicana, aliás, que desperta na prole — sete filhos no total — certos pensamentos impróprios: cada um deseja que o outro desapareça, para que sobre um pouco mais de comida na mesa. Na iminência de ver a pequena casa em que moram ser demolida pela chegada de um empreendimento imobiliário de alto padrão, cada membro da família cria subterfúrgios, muitas vezes delirantes, para lidar com uma realidade cada vez mais opressiva. É, nesse cenário, que se dá a saga de Orestes, um dos filhos do casal, e protagonista deste romance, que conta, sob um ponto de vista que oscila entre o adolescente entediado e o adulto raivoso, a sua percepção da luta de classes e do papel insignificante que sua família ocupa no mundo.

Nesse livro, Villalobos coloca, novamente, uma criança, extremamente convincente, como narrador, para mostrar sua visão satírica sobre a pobreza e a corrupção no México. Surrealismo é o que não falta nessa obra, considerando que o clímax da história é algo fora da caixinha. É uma comédia doméstica de alto nível e divertida por si só, mas fornece uma cobertura para um ataque satírico sobre a falsidade da política mexicana. O livro se passa nos anos 80, um período de inflação e desvalorização da moeda do país, culminando na entrada de Carlos Salinas no poder, um dos presidentes mais corruptos da história do México. Ao contar a história em restrospecto, Villalobos permite que Orestes tenha uma combinação confiável de percepção e ignorância

O Deus das pequenas coisas – Arundhati Roy

Sinopse: Elogiado livro de estréia da indiana Arundhati Roy, ‘O Deus das pequenas coisas’ narra a história dos gêmeos Rahel e Estha que, na Índia de 1969, crescem entre os caldeirões de geléia de banana e as pilhas de grãos de pimenta da fábrica da avó cega. Armados da inocência invencível das crianças, os dois tentam inventar uma infância à sombra da ruína entomologista imperial. Rahel e Estha descobrem que as coisas podem mudar num dia só, que as vidas podem ter seu rumo alterado e assumir novas — e feias — formas. Descobrem que elas podem até cessar para sempre. Ancorada na angústia mas alimentada pela magia e por um profundo conhecimento, esta pequena obra-prima ganhou o prêmio britânico Booker de 1997, foi editada em mais de 30 países e encabeçou, por semanas, a lista de mais mais vendidos na Grã-Bretanha, Austrália, Índia e Noruega, na época de seu lançamento.

Talvez eu não seja a melhor pessoa para recomendar esse livro. Tenho uma leve inclinação à leituras mais complexas e eloquentes. No entanto, uma coisa eu posso garantir: Você vai se surpreender com essa narrativa exuberante e inventiva. O fluxo de palavras é natural e surpreendente, mas aqueles com uma inclinação literária parecida com a minha devem achar a prosa densa ,mas, ao mesmo tempo, um preço digno a se pagar por essa história excessivamente trágica. Apesar de uma história desconfortante e às vezes brutal, Roy tem um jeito para palavras e sua capacidade para figura de linguagem e metáfora parecem sem limites. Nesta obra, conhecemos uma família infeliz, mas infeliz à sua própria maneira e, atráves de manobras no tempo, são revelados os motivos de tal infelicidade.   A história dos gêmeos Estha e Rahel é fascinante, atraente e, às vezes, estranha.

Esses são apenas 5 livros que valem a pena ler, para se inserir em novas literaturas, conhecer novas culturas e fazer uma imersão em novas situações que podem, ou não, impactar sua vida.

About Author

Eu nasci no dia 12 de outubro de 1990. Poderia te dizer a hora exata (se eu soubesse). Como toda boa primogênita, quase matei meus pais do coração nos primeiros segundos de vida, e não parei desde então. Meu grande e eterno amor sempre será a literatura. Música também. Coloca filmes e séries na lista. E comida. Ok, talvez a literatura não seja meu único amor... Sou jornalista, constantemente procurando sobre o que escrever. E procurando o botão de fazer minha mente parar de funcionar. Quê? Isso era pra ser uma informação biográfica? Pra mim, tá mais pra terapia.

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