Pedro Coelho – Crítica

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Filmes que misturam live-action com animais falantes criados por computação gráfica são sempre vistos com um olhar duvidoso e Pedro Coelho (Peter Rabbit), filme baseado na obra da inglesa Beatrix Potter, é a mais nova produção do gênero. Felizmente, mesmo subestimado – o filme teve uma recepção morna lá fora –, a obra de Will Gluck sabe como combinar a ótima animação com algo mais para criar um resultado interessante, se colocando à frente de outros filmes do tipo e deve surpreender o público que está esperando uma produção infantil genérica.

Assim, acompanhamos as aventuras de Pedro (voz de James Corden) e seus irmãos, Benjamin (voz de Colin Moody) e as trigêmeas Flocos, Flux e Rabo-de-Algodão (respectivamente dubladas por Margot Robbie, Elizabeth Debicki e Daisy Ridley), cujo maior objetivo é se fartarem na horta do seu Severino. Após a morte do velho – tida como vitória pelos animais – a casa acaba indo para um parente distante, Tomás (Domhnall Gleeson), um rapaz perfeccionista e obcecado por organização. A partir daí a trama segue uma dinâmica semelhante a um episódio de Tom & Jerry, onde Pedro e Tomás disputam a comida e a atenção da bela vizinha Bea (Rose Byrne).

Apesar da simplicidade, Gluck – diretor que possui no currículo comédias mais maduras como A Mentira e Amizade Coloridainsere no roteiro diversas gags bem colocadas que deixam a experiência mais interessante ao público adulto – há uma referencia especialmente hilária que as crianças não irão entender –, mas sem esquecer o teor inocente da obra original. Ao contrário, o diretor dá uma atenção especial a este aspecto, utilizando de metalinguagem para equilibrar os elementos mais tradicionais da obra de Potter – como os desenhos – com uma linguagem mais cool, o que impede a trama de soar obsoleta para o público atual.

Pedro é o maior exemplo disso: o doce personagem literário dá lugar a um protagonista cheio de estilo e personalidade, que cativa a atenção desde os primeiros minutos em tela. Seu carisma é imediato e só perde para as trigêmeas que roubam as cenas em que aparecem – juntas ou separadas.

O elenco “humano” também não deixa a desejar: Rose Byrne e sua beleza que transmite ingenuidade e doçura tem o necessário para que sua relação com os animais não soe forçada e Domhnall Gleeson não poderia ter sido uma escalação melhor. Quase uma caricatura, o ator funciona perfeitamente nas cenas de humor físico – existe algo genuinamente engraçado em ver um cara alto e magro levando choques ou brigando com um coelho – sem cair totalmente para o pastelão.

O maior problema do filme ocorre justamente em sua conclusão, que necessariamente deve incluir um ou outro clichê e, é claro, o final feliz, com sorrisos e abraços. Ainda que seja ingenuidade imaginar um desfecho diferente para uma história infantil, não era necessário pesar a mão para reforçar lições de moral que já ficam evidentes durante o decorrer da trama. Após injetar tanta personalidade na obra, seus minutos finais – e o modo como os problemas são solucionados – podem soar “água-com-açúcar” demais.

Fugindo das expectativas, Will Gluck faz de Pedro Coelho uma obra incrivelmente divertida, com um ótimo elenco, boas piadas e um protagonista incrivelmente carismático que vai cativar o espectador na mesma proporção que irá diverti-lo. A história pode até ser clichê, mas ela nunca foi tão fofa.

Confira o trailer dublado:

 

Avaliação Final

60%
60%
Bom

Pedro Coelho (2018)
(Peter Rabbit)
País: EUA | Classificação: Livre | Estreia: 22 de março de 2018
Direção: Will Gluck | Roteiro: Will Gluck, Rob Lieber
Elenco: Rose Byrne, Domhnall Gleeson, James Corden, Daisy Ridley, Margot Robbie, Elizabeth Debicki, Sam Neill

  • 3,5
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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Sonha em ser o Homem-Aranha quando crescer. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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