Capitão América: O Primeiro Vingador – Crítica

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Criado a fim de incentivar o patriotismo dos jovens diante do cenário da segunda guerra mundial – e esquecido ao final desta –, o Capitão América sempre foi um personagem difícil de ser trabalhado nos quadrinhos. Sendo um personagem que praticamente usa a bandeira americana de uniforme, muitos escritores têm dificuldade de escrevê-lo fora da “sombra patriótica” sob a qual foi criado, ainda que alguns tenham êxito em histórias como Guerra Civil. Assim, o maior desafio ao criar o filme solo do herói era: como fazer com que o personagem fosse algo mais que um “panfleto americano” sem desonrar suas origens?

A abordagem escolhida pelo diretor Joe Johnston – do clássico Jumanji – e da dupla de roteiristas Stephen McFeelyChristopher Markus foi manter as raízes do personagem na segunda guerra, mas priorizar o desenvolvimento do homem por trás da bandeira. Assim, somos apresentados a Steve Rogers (Chris Evans), um corajoso rapaz que deseja enfrentar o exército nazista apesar de seu físico franzino, que faz com que seja rejeitado em suas diversas tentativas de se alistar. A personalidade de Steve é construída com atenção, criando momentos emblemáticos como a luta no beco e a frase “Posso fazer isso o dia todo”, que resume bem o jeito obstinado do personagem.

Ao se fazer notar em um diálogo com seu melhor amigo, James Buchanan “Bucky” Barnes (Sebastian Stan), Steve tem a oportunidade de se alistar com a ajuda do cientista Abraham Erskine (Stanley Tucci) e participar do projeto Super Soldado, onde posteriormente passa pelo experimento que lhe transforma no soldado perfeito, concedendo a ele maior agilidade, força e resistência. É também após se alistar que Steve conhece a agente Peggy Carter (Hayley Atwell) e o coronel Chester Phillips (Tommy Lee Jones), que exercem efetivamente as funções de par romântico e alivio cômico, respectivamente.

Johnson e seus roteiristas dão a merecida atenção para seus personagens, criando uma boa dinâmica entre Peggy e Steve. Aliás, a agente é de longe uma das coadjuvantes femininas mais interessantes apresentadas no MCU. Forte e independente, a personagem se destacou suficiente para ganhar uma série própria e sua presença reverberou nos futuros filmes do estúdio, sendo inclusive uma das fundadoras da SHIELD. Apesar da relação entre os personagens nunca ser levada às vias de fato – há uma tensão romântica entre os dois, mas nunca um relacionamento amoroso –, seu desfecho é tocante.

A direção de Joe Johnson é boa, mas não se arrisca. O diretor imprime um ar retrô no longa que dialoga perfeitamente com a época do filme, principalmente em uma sequência não menos que genial, que envolve a criação do título de Capitão América e o utiliza como panfleto de guerra, honrando sua origem ao mesmo tempo que ironiza o patriotismo embutido no personagem. Já Chris Evans não faz feio e constrói a personalidade do herói de forma convincente, passando confiança, responsabilidade e a melancolia que Steve carrega sem tornar-se uma caricatura. O ator consegue se desvencilhar dos seus papeis costumeiros ao passo que se firma no papel, tal qual Robert Downey Jr. fizera tempos atrás com seu Tony Stark.

O filme também é cuidadoso ao se encaixar na mitologia construída pela Marvel, sem pesar a mão nas referências, mas expandindo bem o universo, principalmente com a presença de Howard Stark (Dominic Cooper), como um dos engenheiros no projeto super soldado e criador do icônico escudo do personagem. Mesmo os minutos finais do filme, sob medida para encaixá-lo no MCU, não atrapalham o conjunto da obra apresentado.

Apesar disso, o filme sofre com a montagem que faz com que a sensação temporal do espectador perante a trama seja de que sua história se passou em um curto período – quando na verdade foi durante os anos da guerra – e infelizmente acaba subvalorizando o amadurecimento do personagem. Outro empecilho é o antagonista, que apesar da firme presença de Hugo Weaving e do tremendo potencial, acaba resumido a um vilão genérico com anseios de dominação mundial e tem seu fim em um decepcionante anticlímax.

Ainda que não seja perfeito, Capitão América: O Primeiro Vingador cumpre com primor a tarefa de introduzir um dos personagens centrais da editora/estúdio, sendo um filme de origem acima da média, onde seus pequenos problemas acabam esquecidos diante dos acertos e fecha positivamente o caminho criado para o grande evento da Marvel.

Confira o trailer:

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)
(Captain America: The First Avenger)
País: EUA | Classificação: 10 anos | Estreia: 29 de julho de 2011
Direção: Joe Johnston | Roteiro: Stephen McFeely, Christopher Markus
Elenco: Chris Evans, Hayley Atwell, Hugo Weaving, Tommy Lee Jones, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Samuel L Jackson

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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