The Square: A Arte da Discórdia – Crítica

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Arte é uma palavra muito subjetiva, principalmente nos dias de hoje, quando discussões sobre obras controversas que aparecem em museus, galerias e afins se tornam cada dia mais comum. A maioria dessas obras é provocativa, da mesma forma que The Square: A Arte da Discórdia (The Square), novo filme do diretor Ruben Östlund, se propõe a ser para o espectador, usando de momentos cheios de humor negro para fazer refletir através do desconforto.

Ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme acompanha a vida de Christian (Claes Bang), um curador de arte no museu X-Royal, enquanto este organiza uma nova exposição, cuja obra central é “o quadrado” – responsável pelo título ao filme – que representa um espaço onde todos devem ser igualmente gentis para com os outros. Acontece que, após ter seu telefone roubado, Christian dá início a uma série de acontecimentos que irão testar seus princípios de forma cada vez mais drásticas.

O humor incômodo de The Square permeia por toda a projeção, seja inserindo um elemento no ambiente que não se encaixa com o restante – muitas vezes sem razão aparente para estar lá – ou de forma menos sutil, como a sequência envolvendo uma entrevista com um artista e um espectador com Síndrome de Tourette em uma cena que, por si só, poderia resumir o filme inteiro. Hilária, mas totalmente desconfortável.

Entretanto, o melhor momento do longa – e que estampa boa parte do marketing do filme – é a sequência de uma apresentação para figurões do ramo, onde um artista interpreta um macaco. Engraçado a princípio, não demora para que a sensação de descontrole tome conta, levando os personagens e o público a ficarem completamente angustiados, mas novamente martelando a pergunta: qual o limite para a arte?

O próprio protagonista é posto a prova ao ter seus pertences roubados. Enquanto curador e artista, prega por igualdade, mas sua primeira atitude após o roubo é agressiva e dotada de preconceitos. Já em outras cenas, fica visivelmente desconfortável ao lidar com alguns dos diversos mendigos que surgem no decorrer da trama, momentos que mostram a fragilidade do comportamento utópico pregado por ele.

É também quando Christian precisa veicular sua exposição na mídia que a discussão sobre a arte ganha novos contornos, pois a campanha de marketing acaba sendo mais “agressiva” que o planejado. A partir daí a mídia responde de forma controversa, alguns odiando o conceito apresentado pela propaganda, já outros questionando que o museu não deve deixar a arte ser censurada.

A edição de som é trabalhada para ressaltar o medo do protagonista diante das incertezas e perigos que o cercam, principalmente no que tange a lidar com pessoas que ele enxerga como inferiores. Seja nas cenas com os mendigos ou com um garoto que insiste em confrontá-lo, os sons ambientes e a trilha – ou ausência dela – se mostram eficazes ao construir o ambiente, complementando a ótima atuação de Claes Bang.

Tal como o tema abordado, The Square precisa ser encarado como uma obra de arte em uma exposição: calma, atenção e pensamento crítico são necessários para compreender suas diversas camadas. Resta, porém, um pouco de foco em seu terço final, mas ainda deve provocar reflexões – nem sempre cômodas – no espectador, caso ele tenha paciência para encontrar a mensagem meio a tantas alegorias.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

The Square: A Arte da Discórdia (2017)
(The Square)
País: Suécia, Alemanha, Dinamarca, França | Classificação: 16 anos | Estreia: 4 de janeiro de 2018
Direção: Ruben Östlund | Roteiro: Ruben Östlund
Elenco: Claes Bang , Elisabeth Moss , Dominic West , Terry Notary, Christopher Læssø

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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