O Incrível Hulk – Crítica

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Diferente de outros personagens que vieram a ser adaptados dentro do Universo Cinematográfico Marvel, o Hulk já era bem popular à época do lançamento de O Incrível Hulk (The Incredible Hulk), ganhando as telas não só em um criticado filme em 2003, como na famosa série de mesmo nome que foi exibida entre 1978 e 1982. Sendo assim, o estúdio acertadamente optou por contar sua história sem necessariamente abordar sua origem, condensando o momento em uma curta cena com os títulos iniciais.

Assim, o filme já inicia com um Bruce Banner (Edward Norton) fugindo das autoridades americanas e escondido em uma favela brasileira. Trabalhando como pode, se esforça com os poucos recursos que possui em sua contínua busca por uma cura, porém após um pequeno acidente, acaba sendo descoberto. Não tarda para que o implacável General ‘Thunderbolt’ Ross (William Hurt) reúna um pequeno time de elite para capturá-lo, no qual o soldado Emil Blonsky (Tim Roth) faz parte.

O diretor Louis Leterrier equilibra muito bem a ação com o drama vivido por Banner. Ao utilizar uma abordagem mais próxima da série setentista, cria uma atmosfera dramática onde vemos o personagem de forma mais aprofundada. Afinal de contas, ainda que seja um herói de gibi, a transformação nunca foi uma dádiva, mas uma maldição. Dessa forma, a trama se aproxima muito mais de sua inspiração, O Médico e o Monstro e é aí que O Incrível Hulk se difere de outros filmes de heróis.

Ainda assim, o filme não decai para o drama, com cenas de ação realmente bem filmadas, com a primeira transformação de Banner, revelando-o pouco a pouco, instigando pela curiosidade. Além disso, há duas grandes sequências onde podemos ver o Gigante Esmeralda em todo seu esplendor: a primeira – utilizada nos trailers do filme – onde o Hulk enfrenta o arsenal do general, que inclui tanques de guerra com armas de som, mísseis e helicópteros, a segunda é o clímax do filme, com a ameaça do Abominável.

Um dos elementos mais interessantes do filme é o personagem de Tim Roth. Emil Blonsky é um soldado que, após perder o rastro de Bruce Banner no Brasil, fica obcecado com o monstro, invejando o mesmo poder para si próprio e utilizando uma versão do soro do supersoldado para conseguir. Sua busca acaba levando-o a se transformar no monstro Abominável, entretanto, com isso o personagem torna-se tão genérico quanto sua aparência, basicamente uma versão reptiliana do Hulk.

O CGI utilizado no monstro verde funciona muito bem, com um aspecto mais “pé-no-chão”, o personagem torna-se bem realista e carrega, ainda que levemente, as feições de Norton. Já o Abominável sofre mais na concepção, pois ainda que bem feito, nota-se que não obteve o mesmo cuidado – ou verba – que a do protagonista, inclusive com o diretor optando por uma sequência noturna, que ajuda a encobrir possíveis problemas de renderização.

Apesar de problemas, Edward Norton compensa seu comportamento difícil. O ator – que reescreveu partes do roteiro – encarna o personagem à altura, concedendo toda a melancolia necessária para o Bruce Banner que o filme possui. Liv Tyler como Betty Ross funciona mais por sua química com Norton do que por uma boa atuação em si, mas faz um bom trabalho, conferindo a sensibilidade necessária para que aceitemos seu relacionamento com Banner e com Hulk.

Como a segunda empreitada do Marvel Studios ao construir seu universo, O Incrível Hulk entrega um bom resultado, apresentando novos easter eggs e amadurecendo a ideia vista em Homem de Ferro. Ainda que esteja aquém do filme estrelado por Tony Stark, está longe de ser um filme ruim, pelo contrário, é uma das produções cinematográficas que sabem respeitar não só o material fonte como as adaptações prévias do personagem, o que apenas enriquece o produto final, tornando-o uma das obras mais interessantes e diferenciadas no repertório do estúdio.

Avaliação Final

70%
70%
Bom

O Incrível Hulk (2008)
(The Incredible Hulk)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 13 de junho de 2008
Direção: Louis Leterrier | Roteiro: Zak Penn
Elenco: Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, William Hurt, Tim Blake Nelson, Ty Burrell, Lou Ferrigno

  • 3.5
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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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