Me Chame Pelo Seu Nome – Crítica

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Adaptado do livro homônimo escrito por André Aciman, Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name) é um daqueles filmes que surgem todo ano nas premiações: pode não ser o filme mais aguardado, mas seja pela sua qualidade ou pela temática abordada, irá chamar a atenção do público em algum momento. Felizmente, temos aqui um exemplar de filme que fará seu nome tanto pela sua temática quanto por sua qualidade.

A trama leva o espectador para a Itália nos anos 80, onde conhecemos Elio (Timothée Chalamet) e seus pais. Legítimos intelectuais, a família passa o verão em uma casa de praia, onde anualmente hospedam um novo escritor. Em troca, este deve ajudar o pai do garoto, Samuel Perlman (Michael Stuhlbarg), com suas pesquisas. Entretanto, quando o novo hóspede chega, o jovem de 17 anos aos poucos passa a se sentir atraído por ele.

A semelhança com o ganhador do Oscar em 2016, Moonlight: Sob a Luz do Luar é evidente, pois além do protagonismo de personagens homo afetivos, ambos os filmes abordam um tabu secundário. Moonlight lidava com o preconceito e a dificuldade de afro-americanos na periferia, já Me Chame Pelo Seu Nome lida com outra dificuldade no relacionamento: a diferença de idade entre Elio e Oliver (Armie Hammer). Com isso, ambos os filmes ganham contornos mais profundos.

A primeira hora do filme se empenha em construir gradativamente o relacionamento e a crescente atração entre os personagens, algo que transcende o físico, uma vez que ambos se atraem pelo modo de pensar do outro. Algo importante na primeira hora é o modo como a música traduz o mútuo fascínio e o conflito que vem com ele, principalmente em uma emblemática cena onde Elio toca o piano para Oliver, intrigando-o e confrontando-o com versões diferentes de uma mesma canção.

O modo com o diretor Luca Guadagnino dirige seus protagonistas demonstra muito bem a hesitação que existe em ambos os personagens. Com plena consciência de que estão vivendo um sentimento proibido, os dois personagens são posicionados próximos em situações corriqueiras – como quando sentados à mesa em um jantar –, mas afastados um do outro em uma das únicas cenas onde Elio tenta confessar seus sentimentos.

As performances de Timotheé Chalamet e Armie Hammer são fortes. O primeiro demonstra toda a curiosidade e brilho no olhar conforme vai descobrindo o mundo e sua atuação segue crescendo até o emblemático final. Já o segundo possui uma atuação firme e charmosa, tal como seu personagem. Quando juntos em cena, demonstram uma química que guia o espectador através dos diversos sentimentos contidos em ambos.

Se a primeira parte do filme trata da construção daquele sentimento – e, portanto, é mais lenta e cuidadosa – a segunda é uma arrebatadora paixão. Entretanto, conforme o filme passa a abordar o relacionamento entre os dois, somos privados da companhia dos ótimos personagens coadjuvantes, com isso, o ritmo do filme é um tanto prejudicado, principalmente mais próximo ao final, onde, felizmente temos um dos melhores momentos do longa, senão, o melhor.

Com um diálogo impactante e uma cena final contemplativa, Me Chame Pelo Seu Nome é uma sensível história de amor, que aborda o amadurecimento e a descoberta da sexualidade de forma natural. Ao criar personagens tangíveis – e entregar as atuações de Chalamet e Hammer –, é praticamente impossível ao espectador não ficar cativado por eles. Ao final, o maior mérito de Guadagnino é criar um filme não apenas sensível, mas verdadeiro.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

Me Chame Pelo Seu Nome (2017)
(Call Me By Your Name)
País: Itália, França, EUA, Brasil | Classificação: 14 anos | Estreia: 18 de janeiro de 2018
Direção: Luca Guadagnino | Roteiro: James Ivory, André Aciman
Elenco: Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg, Amira Casar, Esther Garrel

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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