Maze Runner: A Cura Mortal – Crítica

0

Em um mundo pós-Harry Potter, estúdios de Hollywood procuravam incansavelmente a franquia que poderia ocupar seu lugar. Entretanto, bem diferente da saga do jovem bruxo, foi Jogos Vorazes (The Hunger Games) quem ditou as regras do que o público veria nos próximos anos: distopias, em sua maioria estreladas por jovens, baseadas em livros e que falavam – de uma forma ou de outra – sobre revoltar-se contra o sistema. Dentre as diversas produções, apenas três fizeram-se grandes suficiente para virarem franquias: o próprio Jogos Vorazes, Divergente e Maze Runner: Correr ou Morrer.

Sendo lançado em 2014, Correr ou Morrer trazia uma história cheia de perguntas, que jogava o protagonista Thomas (Dylan O’Brien) – e o espectador – no centro do labirinto. Com o fraco segundo capítulo trazendo algumas respostas, era necessário que o capítulo final concluísse a franquia de forma não menos que grandiosa. Felizmente, o diretor Wes Ball – que dirigiu os três filmes que compõem a saga – se empenha e entrega uma trama que compensa os problemas do anterior e supera as expectativas.

Retomando de onde o anterior parou, Maze Runner: A Cura Mortal (Maze Runner: The Death Cure) começa jogando o espectador em uma sequência não menos que empolgante e que captura a atenção da mesma forma que a primeira parte da saga. Dotada de adrenalina, a introdução mostra uma parcialmente frustrada tentativa de resgate, por parte dos Clareanos – aliados à resistência – a um trem com prisioneiros, criando assim o argumento da trama: a necessidade de invadir a última cidade do mundo para resgatar Minho (Ki Hong Lee) das garras do CRUEL.

Um dos grandes acertos deste capítulo final é quebrar uma “regra” de Hollywood e manter a adaptação única. Ao abrir mão de fazer partes 1 e 2, a história é contada mantendo um bom ritmo, extraindo o máximo da trama. É acertada também a criação da atmosfera de terror que o diretor faz desde o primeiro filme, pois mesmo fora do labirinto, não faltam momentos assustadores e/ou claustrofóbicos, como uma cena em que os personagens precisam passar por um túnel cheio de cranks – nome dado aos humanos infectados por um vírus, deixando-os semelhantes à zumbis.

Esse efeito só funciona devido a empatia do público pelos personagens algo que não seria possível sem as ótimas performances de Dylan O’Brien¸ Thomas Brodie-Sangster e Ki Hong Lee, pois o coração do filme é a relação entre Thomas, Newt e Minho. É fácil se apegar a eles e também entender o que significam um para o outro, sendo os poucos sobreviventes do labirinto – além de Teresa (Kaya Scodelario) e Caçarola (Dexter Darden). Os enquadramentos fazem o restante ao colocar o espectador junto ao trio nas cenas de ação, aproximando-o ainda mais aos personagens.

O núcleo antagonista também funciona perfeitamente, principalmente pela dualidade com a qual o roteiro trabalha seus personagens. Embora façam coisas realmente odiosas, o propósito da organização CRUEL não é mal-intencionado, ainda que pessoas como Janson (Aidan Gillen) possam ser. Dessa forma, as interações entre Janson, Teresa e a dra. Ava Page (Patricia Clarkson) ganham contornos cada vez mais interessantes, onde Scodelario brilha conforme sua personagem ganha o desenvolvimento que lhe foi negado nos filmes anteriores.

O ritmo é bem construído no decorrer da trama, ainda que no segundo ato haja uma leve desacelerada para introduzir um personagem que não faz muita diferença e que poderia ser facilmente cortado. Entretanto, a abertura para o explosivo clímax é feita com louvor, onde Wes entrega algumas das grandiosas sequencias de ação de tirar o fôlego, criando uma zona de guerra plausível e sem o aspecto clean de outros filmes do gênero. Ainda que se estenda um pouco além do necessário, usa seus minutos finais para criar um belo momento, criando o perfeito contraste com o claustrofóbico início da primeira parte.

Maze Runner: A Cura Mortal finaliza de forma satisfatória uma franquia que teve seus altos e baixos. Sendo o melhor da trilogia, pode ser encarado como um entretenimento puro, uma boa adaptação para fãs ou algo mais profundo – para aqueles que desejam vê-lo assim – e não deve em nada para outras grandes conclusões. Com ótimas atuações e muita adrenalina, o capítulo final funciona perfeitamente como uma metáfora para o fim do labirinto, com mais esperança para seus personagens do que eles tiveram durante toda a saga.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

Maze Runner: A Cura Mortal (2018)
(Maze Runner: The Death Cure)
País: EUA | Classificação: 14 anos | Estreia: 25 de janeiro de 2018
Direção: Wes Ball | Roteiro: T.S. Nowlin, James Dashner
Elenco: Dylan O'Brien, Thomas Brodie-Sangster, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario, Rosa Salazar, Giancarlo Esposito

  • 4
  • User Ratings (0 Votes)
    0

About Author

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

Deixe o seu comentário