Homem de Ferro – Crítica

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Há um conceito simples na construção – abstrata ou não – de qualquer coisa que diz que, para haver um bom resultado, deve-se haver uma base forte, caso contrário tudo que for construído pode vir a desmoronar posteriormente. Este é o princípio básico com qual a Marvel Studios trabalhou ao criar seu universo cinematográfico nos cinemas. O meticuloso trabalho em seus alicerces – sendo o primeiro deles o foco desta crítica – permitiu com que o estúdio criasse uma das franquias mais rentáveis da história do cinema.

Sendo assim, ao dar o pontapé inicial desse universo, havia pouca margem de erro e em 2008, Homem de Ferro (Iron Man) chegava aos cinemas, adaptando a história do bilionário da indústria bélica Tony Stark (Robert Downey Jr.) que é sequestrado por um grupo terrorista durante a apresentação de sua última invenção. Ferido e à mercê de seus captores, Stark consegue fugir após construir um reator e uma armadura, aperfeiçoando-a conforme trilha sua jornada para tornar-se um herói.

O primeiro grande acerto é confiar na visão conjunta do diretor Jon Favreau e no comitê criativo formado por Kevin Feige – presidente da Marvel Studios e grandes nomes dos quadrinhos, como Brian Michael Bendis. Assim, a trama é modernizada e há leves liberdades criativas na adaptação, mas a essência da história e do personagem são respeitados, de modo que o leitor de quadrinhos irá reconhecer o mundo aqui apresentado.

Já o segundo grande acerto foi trazer um elenco cheio de grandes nomes como Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges para preencherem os personagens secundários. Paltrow consegue transmitir toda a preocupação e carinho que a secretária Pepper Potts nutre pelo Tony e se destaca, indo além de um possível par romântico. Já Bridges encarna um vilão sóbrio e intimidador, o contraste perfeito para a figura de Downey Jr.

Downey, por sua vez, cai perfeitamente ao papel. Primeira e única escolha de Favreau, o ator se esforça e sustenta o personagem com uma boa dose de carisma e uma ótima atuação, conseguindo transmitir toda a complexidade de Tony Stark e, já neste primeiro filme, mostrando que é mais que apenas o gênio, bilionário, playboy, filantropo. Afinal, Stark sempre foi um humano comum que possui fraquezas, conflitos, mágoas. E todos esses lados do personagem são abordados de forma sutil, mas clara.

O roteiro, que estava incompleto e foi sendo reescrito conforme as filmagens, resume-se à história, o que dá um ar de simplicidade, mas permite contá-la de forma muita complexidade e dando a devida atenção para os personagens centrais. Além disso, Favreau entrega um filme universal: ótimo para aqueles que nunca pegaram uma revista em quadrinhos, mas uma experiência diferente para os fãs de longa data, que vão notar diversos easter-eggs espalhados nos cenários ou em diálogos.

O departamento de arte também merece destaque. O design das armaduras não deixa a desejar, desde a pesada e rudimentar Mark I – usada na fuga do cativeiro – até a bela Mark III, além da armadura Monge de Ferro – usada pelo antagonista – que possui um design ao mesmo tempo semelhante e distinto das outras. A trilha sonora de Ramin Djawadi é icônica, misturando toques de guitarra com violinos e não fica muito atrás das músicas escolhidas para o filme, que possuem AC/DC e Black Sabbath.

Homem de Ferro não só é um filme significativo para a Marvel, quanto para o cinema em geral, pois iniciou o primeiro grande universo compartilhado do cinema – e com certeza o mais rentável até então –, algo que veio a se tornar comum nos anos seguintes. Com um elenco exemplar, humor na medida certa e um ótimo roteiro, permanece como um dos melhores filmes de super-heróis e dentro do Universo Cinematográfico da Marvel. Um acerto sem precedentes.

Avaliação Final

100%
100%
Excelente

Homem de Ferro (2008)
(Iron Man)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 30 de abril de 2008
Direção: Jon Favreau | Roteiro: Art Marcum, Matt Holloway
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges, Paul Bettany, Terrence Howard, Samuel L. Jackson

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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