Star Wars: Os Últimos Jedi – Crítica

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Quando a Lucasfilm foi adquirida pela Disney, a recepção foi mista: alguns amaram o fato de que veríamos novos Star Wars sem a mão de George Lucas, já outros ficaram receosos que os novos filmes beirassem a qualidade da trilogia prequel. O fato é que Star Wars: O Despertar da Força foi muito bem recebido pelos fãs – alguns o colocam como um dos melhores da franquia – e muito do crédito para tal recepção foi a direção de J.J. Abrams – responsável por reavivar outra franquia estelar, Star Trek – e que, infelizmente, não retornara para o segundo episódio da trilogia.

A Disney percebendo que possuía uma mina de ouro, tratou logo de criar uma série de “histórias Star Wars”, sendo Rogue One o primeiro deles. Embora fosse um novo acerto, era também o filme a definitivamente transformar a franquia em um universo compartilhado, algo que indubitavelmente ditou o tom do novo capítulo: Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi), que precisa se desdobrar entre ser a continuação que os fãs merecem e ponto de partida para diversas outras produções.

É impossível não admitir que havia uma expectativa grande em torno do próximo Star Wars, que veio dois anos após o magnífico gancho de Despertar. Entretanto, com Abrams apenas produzindo, Rian Johnson (Looper) foi o responsável pela direção e pelo roteiro, que dá continuidade à saga de Rey (Daisy Ridley), agora buscando o auxílio do Mestre Jedi Luke Skywalker (Mark Hamill) para poder se unir à Rebelião e enfrentarem Kylo Ren (Adam Driver) e a Primeira Ordem.

O começo do filme evidencia a mudança de tom que foi praticada aqui. Mais leve que os anteriores, há uma veia humorística que surge desde o encontro de Luke e Rey. O personagem, agora conflituoso, é o ponto alto da trama, não só pela nostalgia impressa, mas por finalmente entregar aos fãs o Mestre Jedi que todos queriam ver. A relação dele com a garota é cheia de momentos divertidos, mas também é usada com maestria para explorar o passado – e o possível futuro – de Kylo Ren.

Infelizmente, o andamento desse núcleo é prejudicado pela inserção de uma desnecessária trama envolvendo Finn (John Boyega) e uma nova personagen, Rose (Kelly Marie Tran), em busca de um contrabandista que possa ajudar a Resistência à escapar da Primeira Ordem. Há um esforço visível para criar oportunidades de novas continuações e spin-offs, inclusive com a adição do personagem de Benício Del Toro, uma infeliz tentativa de criar um novo Han Solo.

Há todo um problema de roteiro, que subaproveita o potencial da trama. Muitas questões que estavam em aberto parecem ignoradas ou simplesmente com conclusões apressadas, em prol de dar espaço à subtramas que não vão a lugar algum. Prova disso é a personagem de Laura Dern, que cumpre uma função narrativa que poderia muito bem ser ocupada por Leia (Carrie Fisher).

Quando decide finalmente desenvolver a relação de Rey e Kylo Ren, explorando o conflito de ambos e o amadurecimento de Luke, o filme mostra o melhor de si, com sequências de ação que figurarão entre as melhores da franquia, momentos narrativos verdadeiramente inspirados e ótimas atuações, com destaque para Adam Driver mostrando todas as camadas de seu personagem para quem ainda duvidava da complexidade de Kylo Ren, marcando seu lugar na franquia de uma vez por todas.

Tecnicamente falando, a produção consegue ficar entre uma das melhores, com uma fotografia belíssima e alguns dos cenários mais legais que a saga já teve – a sala vermelha de Snoke é um exemplo –, algo que fã algum pode reclamar. Idem a belíssima trilha sonora, parte da identidade da franquia e que, aqui, é muito bem utilizada para delinear as personalidades de cada um.

O duelo final promete deixar um sorriso no rosto do fã, tanto os mais velhos – há uma nostalgia implícita que combina muito bem com o terço final – quanto os mais novos, pois há um charme único nesses momentos. Se não há o desenvolvimento devido de todos os personagens – Poe Dameron (Oscar Isaacs), um dos mais carismáticos dos novos personagens, mal se destaca –, ao menos Luke Skywalker é o Mestre Jedi que ansiávamos para ver. E apesar de um momento precipitado, há também o espaço para nos despedirmos de Carrie Fisher, nossa eterna princesa.

Com um distúrbio na Força, Star Wars: Os Últimos Jedi deixa a necessidade de franquia se sobrepor em parte do roteiro e embora prometa dividir os fãs – a satisfação e a decepção andam de mãos dadas –, entrega alguns dos melhores momentos da saga. Rian Johnson demonstra alguma dificuldade ao responder as perguntas em aberto, mas abre caminho para o retorno de J.J. Abrams na direção da conclusão da trilogia. Aos fãs, resta esperar uma melhora nos vindouros – e possivelmente vários – filmes, pois a Força segue poderosa e mais atual do que nunca.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

Star Wars: Os Últimos Jedi (2017)
(Star Wars: The Last Jedi)
País: EUA | Classificação: 10 anos | Estreia: 14 de dezembro de 2017
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris | Roteiro: Simon Beaufoy
Elenco: Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Benicio del Toro

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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