Jumanji: Bem-Vindo À Selva – Crítica

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O modo como as tendências ocorrem em Hollywood são, no mínimo, curiosas. Ao primeiro sinal de sucesso de algo, há a certeza de que há dois ou três projetos com proposta similar – para não dizer idênticos – encaminhados, criando subgêneros interessantes e, por vezes, engraçados. Podemos apontar, como um deles, a “continuação e/ou remake de clássico”, com dois exemplos recentes: Blade Runner 2049 e Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle), sendo o segundo o foco desta crítica.

Neste caso, a continuação do filme de 1995 parece ser um simples caça-níquel que utiliza o nome do original para ter alguma relevância. Entretanto, ao adaptar o jogo para um videogame dos anos 80, há uma quebra de expectativa que justifica a continuação – e não uma aventura original – ao passo que brinca também com os clichês dos games da época, por sua vez, criticados nos dias de hoje.

A trama segue os moldes do anterior: um jogo é iniciado e, para tudo voltar ao normal, deve ser finalizado. Diferente do primeiro, onde as consequências do tabuleiro são trazidas para o mundo real, aqui os protagonistas literalmente entram dentro do videogame, o que gera uma série de situações familiares ao espectador que é adepto desse tipo de mídia, como a conversa com um NPC – personagem não-jogável – e a presença de um mapa que vai se expandindo conforme o avanço na trama.

A introdução dos protagonistas é curta, mas suficiente para a dinâmica entre eles ser entendida. Spencer (Alex Wolff) é o nerd que quer se encaixar e era o melhor amigo de Fridge (Ser’Darius Blain) antes do garoto entrar para o time da escola e se tornar popular. Bethany (Madison Iseman) é a garota vazia que só se preocupa com a popularidade nas redes sociais e Martha (Morgan Turner) é a garota introspectiva e solitária.

Ao transformar os personagens em seus avatares no jogo, temos a introdução do elenco mais popular. Assim, entram em cena – respectivamente – Dwayne ‘The Rock’ Johnson, Kevin Hart, Jack Black e Karen Gillan, atores e personagens sob medida para que os jovens passem pela típica jornada de auto-descoberta. A partir daí o público também adentra a trama do jogo, que envolve uma joia que deve ser devolvida a seu lugar de origem, dessa forma, salvando a terra de Jumanji de uma maldição.

A primeira vantagem do “upgrade” é que o diretor Jake Kasdan – conhecido por comédias como Professora Sem Classe e o fraco Sex Tape: Perdido na Nuvem – aproveita o aspecto de videogame para criar sequencias de ação incrivelmente exageradas, uma vez que não há necessidade de manter os pés no chão. Outro recurso bem utilizado são as fichas de personagens, que introduz as forças e fraquezas de forma simples, mas justificando o didatismo.

Assim como no original, há um personagem já envolvido no jogo que surge para ser salvo pelos protagonistas e ajuda-los. Se antes tínhamos o saudoso Robin Williams, aqui temos Alex, interpretado por Nick Jonas, infelizmente mal emendado à trama. Ainda que o ator esteja bem, o personagem não agrega muito à jornada e ainda quebra o ritmo que havia sido construído perfeitamente até então.

A dinâmica dos jovens e seus alter-egos abre espaço para o humor. O maior acerto é, sem dúvidas, The Rock, com um timing exato para a comédia, além da ótima química com Kevin Hart. Karen Gillan protagoniza uma ou outra cena boba, mas no geral encontra o tom e consegue sustentar as piadas. O prejudicado acaba sendo Jack Black, que apesar dos bons momentos, peca pela repetição da piada da garota descobrindo o pênis, inclusive gerando um momento constrangedor envolvendo o personagem de Nick Jonas.

Há também a fracassada tentativa de construir um bom vilão, interpretado por Bobby Cannavale. Dotado de potencial desperdiçado, suas habilidades de controlar os animais de Jumanji são pouco exploradas – por si só, algo mais interessante que os capangas que aparecem a todo instante –, restando um ou dois bons momentos para o personagem, que infelizmente, torna-se um antagonista genérico.

Ainda que esteja longe de ser memorável como o primeiro filme, Jumanji: Bem-Vindo à Selva ainda é uma boa aventura que deve agradar aos fãs do longa anterior ao expandir a mitologia. O resultado é melhor do que o esperado e mesmo sem deixar grandes ganchos para continuações, não seria surpresa se novos jogadores se aventurassem por Jumanji em um futuro próximo. A franquia, afinal, parece estar longe de ter seu game over.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

70%
70%
Bom

Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017)
(Jumaji: Welcome to the Jungle)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 04 de janeiro de 2018
Direção: Jake Kasdan | Roteiro: Chris McKenna, Scott Rosenberg, Jeff Pinkner
Elenco: Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart, Karen Gillan, Nick Jonas, Alex Wolff, Madison Iseman, Ser'Darius Blain, Morgan Turner

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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