Altas Expectativas – Crítica

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Para o mal ou para bem, é inegável que a Globo Filmes é parte essencial da história do cinema brasileiro. Seja marcando por produções incríveis como Tropa de Elite ou o recente Aquarius, ou sendo criticada pela baixa qualidade de outras tantas. Logo, é curioso que em 2017, um ano tão bom para filmes nacionais, o estúdio traga Altas Expectativas, filme que fica no limiar entre as boas e as más produções.

Levemente baseado na vida do humorista Stand Up Gigante Léo, a trama conta a história de Décio, cuidador de cavalos no Jockey Club, que se apaixona por Lena (Camila Márdila), uma bela moça, porém, que nunca sorri. O personagem então anseia a conquista-la através de seu bom humor e simpatia, até mesmo se for necessário tornar-se um comediante.

O começo do filme já enfatiza a veia humorística que será utilizada durante toda a projeção, com pontuais momentos que utilizam cenas do artista nos palcos – se são reais ou gravadas exclusivamente para o filme, é difícil dizer. A mistura de drama, comédia e romance funciona e embora siga a cartela “comédia-romântica-brasileira” de clichês e linguagem, há boas mensagens no filme.

A relação de Décio com seu vizinho (Felipe Abib) é o que o impulsiona o personagem a buscar dentro de si a coragem para se tornar um comediante. Diante de todas os empecilhos que alguém com qualquer deficiência pode enfrentar, a maior dificuldade que Décio enfrenta é conseguir chegar até Lena. Seja por vergonha, por frustrações ou simplesmente pela presença de Flávio (Milhem Cortaz) – dono do Jockey e namorado da garota –, que faz questão de enfatizar que não haveria nenhuma chance para ele.

O filme ainda lida com o tema das dificuldades através do irmão da garota, que é um cadeirante, levantando importantes questões sobre acessibilidade no país. Infelizmente, é algo feito de forma momentânea, não dando a profundidade necessária e faz disso apenas um elemento de roteiro para engrandecer o poder do riso como forma de passar uma mensagem: uma crítica, por mais importante que seja, pode ser ignorada, mas uma boa piada com certeza será repetida e passada à frente.

Há também a visível dificuldade de encontrar o tom certo para o filme, que por vezes soa novelesco demais. Situações desnecessariamente forçadas e a constante quebra de ritmo pelo Stand Up atrapalham o decorrer. Expor os sentimentos do protagonista através das piadas do show também não funciona tão bem quanto poderia, uma vez que a “metáfora” é desnecessária e a piada, mesmo engraçada, nem sempre tem o timing certo.

Com uma atuação ora tocante, ora divertida, o Gigante segura o papel muito bem. Contar piadas e atuar são coisas diferentes, mas o humorista consegue encarar a tarefa sem ficar caricato em momento algum, algo que poderia ocorrer facilmente devido aos clichês da trama, e dá o impacto necessário a algumas cenas.

Altas Expectativas abre mão de ser um filme mais profundo ao utilizar a comédia em momentos onde um pouco de drama seria bem-vindo. Ainda assim, há uma boa intenção na obra, que traz importantes reflexões para o público. Pode não ser o melhor do nosso cinema, mas merece ser apreciado, seja por sua mensagem ou pelo simples carisma de seu protagonista.

Confira o trailer:

Avaliação Final

70%
70%
Bom

Altas Expectativas (2017)
País: Brasil | Classificação: Livre | Estreia: 7 de dezembro de 2017
Direção: Pedro Antônio, Álvaro Campos | Roteiro: Pedro Antônio, Álvaro Campos
Elenco: Leonardo Reis, Camila Márdila, Maria Eduarda de Carvalho, Felipe Abib, Milhem Cortaz

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"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", preferindo o termo "Filmmelier". Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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