A Guerra dos Sexos – Crítica

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Para o público que não está familiarizado com o esporte, o título do filme é um termo que se refere a uma partida amistosa entre tenistas de sexo opostos. Ainda que não a primeira, a mais famosa – e uma das mais importantes – dessas disputas foi entre a tenista Billie Jean King e Bobby Riggs, no qual King saiu vitoriosa, representando também uma vitória para a luta feminista que originara toda a história por trás da partida.

A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes) traz Emma Stone e Steve Carell interpretando a dupla que protagonizou este momento e ambos os atores conseguem encarar perfeitamente bem seus personagens. Tanto Billie Jean quanto Bobby são personagens que carregam uma dualidade em suas personalidades, com ambos sendo pessoas diferentes do que mostram à frente das câmeras ou dentro das quadras.

Não seria surpresa se Stone, recém-ganhadora do Oscar, conseguisse outra indicação por sua atuação. A atriz conduz o papel de forma sutil, mas com maestria, lidando com os conflitos da tenista ao lidar com o machismo no esporte, as rivalidades na quadra e também com os próprios sentimentos ao se apaixonar por outra mulher (na época, King era casada com um homem).

Já Carrell é a personificação do exagero, algo que cabe perfeitamente ao papel. Viciado em apostas e a ponto de perder sua esposa, Riggs se aproveita da luta das mulheres para voltar aos holofotes, desafiando tenistas do sexo oposto para mostrar a superioridade masculina, fazendo de si mesmo um personagem fictício diante da mídia.

Quase uma caricatura, é surpreendente a fidelidade com qual foi retratado, visto que Riggs era realmente um homem excêntrico e que não hesitava em menosprezar as mulheres em público. A própria quadra de tênis é uma das mais fortes metáforas presentes no filme, uma vez que após o jogo, é comum que os oponentes se cumprimentem, sem passar pela rede. Já Riggs fazia questão de “invadir” a quadra da adversária após derrota-la.

Se na trama, as mulheres lutam por respeito e igualdade dentro do esporte, pouco mais de 40 anos depois, o mundo não parece ter progredido tanto. É assustador como o cenário da época pode ser facilmente equiparado ao momento atual do mundo, trazendo assim, uma importante reflexão sobre o machismo e a visível necessidade do feminismo nos dias de hoje.

Apesar da identificação, o filme se situa bem em sua época através da ótima utilização do figurino e fotografia, feita de forma meticulosa e que remete aos anos 70 já em seu início. Em seu desenvolvimento, trabalha muito bem os personagens separadamente, com o crescimento constante dos conflitos que cada um deles enfrenta até que, inevitavelmente, haja o confronto entre ambos.

Entretanto, ao precisar lidar com a partida final, deixa em segundo plano todas as questões abertas anteriormente para abraçar o lado esportivo da história. Optando por colocar o espectador na posição de torcedor, como se este assistisse a final do campeonato ao vivo. Emocionante, a cena não perde o folego, devido o que está em jogo, mas é sentida a ausência de um desfecho propriamente dito de outros assuntos abordados.

Cativando o público com boas atuações e uma ótima história, os diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris (realizadores de Pequena Miss Sunshine) entregam um filme leve, mas que não deixa de lado a seriedade dos acontecimentos narrados. Bem equilibrado entre o drama e a comédia, faz o espectador refletir sem abrir mão da diversão.

Confira o trailer legendado:

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

A Guerra dos Sexos (2017)
(Battle of the Sexes)
País: EUA | Classificação: 12 anos | Estreia: 19 de outubro de 2017
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris | Roteiro: Simon Beaufoy
Elenco: Emma Stone, Steve Carell, Sarah Silverman, Bill Pullman, Alan Cumming Elisabeth Shue, Austin Stowell, Eric Christian Olsen, Andrea Riseborough

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“Os filmes existem, é por isso que eu assisto!” Não é exatamente um “crítico de cinema”, preferindo o termo “Filmmelier”. Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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