A Babá – Crítica

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Não é incomum obras contemporâneas de terror flertarem com outros gêneros do cinema, não à toa, saem resultados tão distintos entre si e diversos subgêneros são criados. A Babá é um desses filmes, que encontra sua inspiração em clássicos, mas não tem medo de incorporar elementos como comédia e gore, tornando-se um bom exemplar para o gênero trash.

A trama – que parece resultado de roteiristas pensando “Como seria uma versão terror de Esqueceram de Mim?” – apresenta Cole (Judah Lewis), um garoto que apesar da idade, os pais ainda optam por deixa-lo com uma babá, Bee (Samara Weaving). É claro que ele nutre uma paixonite pela atraente e descolada garota, até o dia que ele descobre que ela faz parte de um culto satânico que não irá parar até silenciar o garoto.

O primeiro ato é rápido, mas eficiente ao construir a relação entre os dois, fazendo com o que o espectador se identifique com Cole e entenda quão legal é Bee, com cenas que demonstram uma amizade genuína, criando o arquétipo de “garota ideal” aos olhos dele, com ambos os atores visivelmente à vontade nos papéis.

Não só ambos, mas cada personagem no filme é um estereótipo de filmes de terror adolescentes. Bem-utilizados, a produção não tem medo de fazer piadas cada vez mais escrachadas com os personagens. Há desde a líder de torcida bonita, mas vazia, até o esportista bonitão que pensa com os músculos e precisa tirar a camisa gratuitamente – o momento em que Cole pergunta o motivo é impagável.

A partir do momento em que há a descoberta de Cole sobre o culto, o filme solta suas amarras e abraça o exagero, nas piadas e nos litros de sangue falso, utilizando bem os clichês do gênero. E faz bem ao inverter os papéis dos adolescentes: geralmente as vítimas, aqui são os antagonistas.

As mortes, por vezes inacreditáveis, são tão divertidas de assistir quanto ver as armas e armadilhas criadas pelo garoto funcionando. Quase um MacGyver, o menino dá um jeito de se virar com o que vier à mão, com suas soluções cada vez mais elaboradas sendo a forma do filme expressar seu amadurecimento. Logo, vemos o garoto se emancipar através da forma como ele reage aos captores.

O filme perde a mão próximo ao final, tornando-se um tanto repetitivo e previsível. Entretanto, por ser pouco antes dos créditos surgirem, não chega a incomodar o espectador que se divertira até então, embora o filme possa ter dificuldades em encontrar seu público, uma vez que o trash tende a não agradar a todos.

Sendo uma boa adição para o catálogo da plataforma, A Babá é uma aposta interessante da Netflix, garantindo um susto aqui e uma risada ali, conta com um elenco que cumpre bem o seu papel e é uma boa pedida para o espectador que busca um entretenimento simples, mas efetivo.

Confira o trailer legendado: 

Avaliação Final

80%
80%
Muito bom

A Babá (2017)
(The Babysitter)
País: EUA | Classificação: 16 anos | Estreia: 13 de outubro de 2017
Direção: McG | Roteiro: Brian Duffield
Elenco: Samara Weaving, Judah Lewis, Bella Thorne, Robbie Amell, Andrew Bachelor, Emily Alyn Lind, Hana Mae Lee

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About Author

“Os filmes existem, é por isso que eu assisto!” Não é exatamente um “crítico de cinema”, preferindo o termo “Filmmelier”. Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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