A Estrela de Belém – Crítica

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Dificilmente o público não está habituado à história do primeiro natal e o nascimento de Jesus. Mesmo os que não são adeptos à nenhuma religião, já devem ter ouvido, lido ou visto essa história, principalmente nos canais abertos que exibem filmes com a temática bíblica em feriados específicos – Natal e Páscoa, para citar dois –, ou mesmo de forma mais satírica, como os episódios especiais de The Simpsons.

A Estrela de Belém (The Star) conta essa história através do ponto de vista de animais falantes, da forma mais amigável aos pequenos, embora em alguns momentos, tente equilibrar piadas mais elaboradas ou ácidas para entreter os adultos. A trama acompanha animais que tentam ajudar Maria e José a chegar em Belém, enquanto fogem do assassino do rei.

O primeiro empecilho da trama é não conseguir construir um conflito, pois a conclusão é óbvia. Mesmo para as crianças que podem, por algum motivo, temer pela segurança de Maria e José, não ficarão assustadas com o caricato assassino e seus ferozes cães – cujo um deles é um dos alívios cômicos. O humor diverte, mas é demasiadamente infantil, embora não seja um demérito – visto que o público-alvo são as crianças – fica para trás se comparado à outras animações.

Em alguns momentos, o filme tenta dramatizar insinuando conflitos no personagem de José, mas logo os deixa para trás, mostrando que há a consciência de que deve ser apenas a adaptação da passagem bíblica e não há espaço para algo mais. Dessa forma, permanece em sua zona de conforto, contando uma jornada do herói básica, com direito a superação e lição de moral sobre o valor da amizade e da fé.

O filme também precisa lidar com os clichês com os quais trabalham, sendo que cada personagem é o mais genérico possível. O protagonista destemido, o companheiro falastrão, a simpática personagem feminina e por aí vai. Os únicos que fogem um pouco à regra, são o trio de camelos que servem como alívio cômico, porém são um pouco alheios ao resto da trama e parecem não ter uma função senão soltar piadas.

A animação dos animais é bem-feita, atribuindo a eles expressões claras, sem antropomorfizar os personagens, sendo o protagonista Bo o melhor trabalhado. Entretanto, os humanos sofrem com a caracterização, alguns caricatos demais, outros de menos, mas sempre parecendo “deslocados” quando colocados lado a lado com os bichos.

Um dos acertos do filme é a trilha sonora, onde há uma releitura de clássicos natalinos. Infelizmente, o impacto é diminuído devido algumas das canções não serem tão conhecidas no Brasil e, ainda por cima, não estarem traduzidas para o português, algo a se estranhar considerando ser um filme para crianças.

Apesar da boa trilha sonora, algumas boas piadas e uma animação agradável, A Estrela de Belém é uma fábula que se limita a ser um futuro filme a ser exibido na TV aberta em feriados religiosos. Deve agradar aos pequenos, mas é uma oportunidade perdida que poderia entregar algo mais.

Confira o trailer dublado:

Avaliação Final

40%
40%
Regular

A Estrela de Belém (2017)
(The Star)
País: EUA | Classificação: Livre | Estreia: 30 de novembro de 2017
Direção: Timothy Reckart | Roteiro: Tommy Sheridan, Simon Moore, Carlos Kotkin
Elenco: Steven Yeun, Keegan-Michael Key, Aidy Bryant, Oprah Winfrey, Tyler Perry, Gina Rodriguez, Zachary Levi

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“Os filmes existem, é por isso que eu assisto!” Não é exatamente um “crítico de cinema”, preferindo o termo “Filmmelier”. Quer ser o Homem-Aranha quando crescer. Acha que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, é da Grifinória e faz turismo na Terra Média.

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