Alena – Resenha

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Após um acidente trágico, a estudante Alena começa a ser assombrada por um fantasma do passado enquanto busca se transformar para tentar se encaixar em um meio que não resiste à ela. Essa é a premissa inicial da HQ do sueco Kim W. Andersson. Misturando um clima de terror e suspense, o autor trabalha a vida adolescente de uma garota que tenta seguir adiante com sua vida, mas é assombrada pelas escolhas que fez.

Estudante de uma escola de classe alta, graças à uma bolsa de estudos, Alena tem problemas com as outras estudantes, se destacando Filippa, uma típica patricinha que acredita que a garota não pertence à aquele ambiente. Em contrapartida, Alena encontra em Fabian a possibilidade de se encaixar neste meio e seguir sua vida em diante. Infelizmente ela continua sendo confrontada por Josefin, um fantasma que incentiva Alena a assumir quem ela realmente é. Tendo passado por um trauma recente, a protagonista é minada psicologicamente por todos os lados, sendo requerido que ela se comporte conforme as normas, que socialize, que esqueça o passado, e sofrendo bullying por ser quem é. O perfil da protagonista atende ao típico perfil de garota rebelde que estamos acostumados em filmes desde a década de 90: fumante, não liga para o que os outros falam e nem para os padrões que lhe são requeridos por terceiros.

Andersson faz um ótimo trabalho ao desenvolver as duas grandes personagens da trama: Alena e Filippa. Enquanto a protagonista é distante e não busca popularidade, sua rival busca aparecer no meio social escolar, ser melhor que as outras e passar por cima de quem estiver em sua frente. Lado a lado, o autor vai trabalhando as duas e mostrando suas diferenças, as chocando em um interesse comum: Fabian. O garoto funciona como interesse romântico das duas e cai no fogo cruzado causado por Filippa.

Apesar de a capa da obra sugerir uma obra de terror ou cenas de conteúdo gore, boa parte do desenvolvimento da obra se passa no meio social adolescente, sem grandes acontecimentos do gênero até o final. O foco são as faces do amadurecimento da juventude, o qual, mesmo que brevemente, o autor desenvolve bem sem esquecer o caminho que a própria obra sugere.

A arte suave quase não entrega o que vai à seguir, funcionando muito bem tanto para as cenas mais leves quanto para as cenas com gore. O sistema de cores utilizado consegue demostrar bem as tensões da protagonista em suas diversas fases, desde os momentos suaves com Fabian até as provocações sangrentas de Josefin.

Alena é uma interessante obra sobre o meio adolescente e amadurecimento, não fugindo da sua intenção inicial de se manter como uma história de terror e suspense. Com temática atual e personagens próximos do real, mesmo que alguns bem caricatos, a HQ é uma ótima leitura que funciona quase como um filme de Sessão da Tarde, porém mais violento. A obra inclusive ganhou uma adaptação cinematográfica sueca.

Se interessou pela obra? Alena foi publicada no Brasil este ano pela editora Avec e também está disponível na Social Comics. O autor estará no Brasil em novembro, tendo sua primeira parada na 63º Feira do Livro de Porto Alegre no dia 04 de novembro, seguindo para a Tenda de Pasárgada dia 05 e no dia 07 estará na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo – SP.

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Muito Bom

Alena (2017)
País: Brasil | Editora: Avec | Páginas: 120 | Preço: R$ 59,90
Roteiro e arte: Kim W. Andersson

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Leitor de quadrinhos (tudo que consigo consumir), jogador de MMO e professor de história, tentando fazer tudo uma coisa só pra facilitar a vida.

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