Cuphead – Review

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O game Cuphead, desenvolvido pelo Studio MDHR, mistura nostalgia, dificuldade, desafios e a magia das animações clássicas dos anos 1930.

Os sete anos de produção e intenso trabalho dos irmãos Chad e Jared Moldenhauer (Studio MDHR) podem ser admirados já no início do game. Toda a arte inspirada nos clássicos desenhos dos anos 1930 – incluindo animações dos personagens e cenários – foi feita à mão. Assim como a exuberante trilha sonora original com acentuados toques de jazz.

O “run and gun” e plataforma para até dois jogadores altamente focado em batalhas contra chefões é nostalgia pura do início ao fim, mas se revela como um grande desafio que pode causar desconforto aos mais impacientes. Saiba que é necessário aprender padrões e falhar inúmeras vezes para terminar o jogo exclusivo para Xbox One e PC.

Não Faça um Acordo com o Diabo

Um livro se abre e a história começa. Na mundo mágico de Inkwell Isle, somos apresentados aos jovens irmãos Cuphead e Mugman, que vivem sob os cuidados do Ancião Kettle. Certo dia, os irmãos vagam para muito longe de casa e acabam encontrando o Casino do Diabo, e as primeiras referências aos clássicos desenhos que marcaram gerações começam a aparecer – caso de um esqueleto muito semelhante aos personagens de “A Dança dos Esqueletos”, curta-metragem de animação da Disney lançado em 1929. É claro que a própria fisionomia e roupas dos irmãos são uma grande homenagem a outros personagens históricos como Mickey Mouse, mas outras referências surgem no decorrer do jogo.

No casino, os irmãos enfrentam uma maré de sorte e começam a vencer na mesa de Craps: jogo onde jogadores apostam na combinação de números após o lançamento de dados. As consecutivas vitórias de Cuphead e Mugman chamam atenção do Diabo, dono do casino, que faz uma simples proposta: “vençam mais uma e todo o dinheiro do casino é de vocês. Mas, se perderem, suas almas serão minhas.” Sem pestanejar, Cuphead aceita o desafio – mesmo com os avisos de Mugman. Os irmãos perdem. Cuphead e Mugman imploram por outra alternativa, que é rapidamente apresentada pelo Diabo – e que inicia a jornada dos jogadores. Devemos coletar as almas de todos os devedores que fugiram do antagonista – todos espalhados por três mundos no game. Que o jogo comece.

Mugman (esquerda) e seu irmão Cuphead


O Início

Precisamos encontrar Kettle, ele saberá como nos ajudar. E realmente sabe. Mergulhamos em uma folha de papel que repousa sob uma mesa e o game nos apresenta todos os comandos necessários através de um simples e efetivo tutorial. Aprendemos a pular, correr, mirar, atirar, atravessar plataformas, desviar de inimigos e tiros, salvar um amigo caso esteja jogando em co-op, além de aprender a usar a habilidade especial dos personagens: um grande disparo que tira mais dano dos inimigos. Também aprendemos que podemos tomar dano até três vezes, após isso, falhamos e retornamos ao começo das fases. Estamos prontos – ou quase isso. O ancião nos explica que enfrentaremos muitas dificuldades durante o game, e isso se mostra realidade quando iniciamos a primeira missão “Run and Gun”: fases  para coleta de moedas com inúmeras criaturas e desafios. Seja na terra ou pelo ar, inimigos chovem e te atacam de todas as direções. É hora de nos acostumarmos ao carnaval de dificuldade do game.

As moedas coletadas podem ser utilizadas para comprar novas formas de disparos que saem das mãos dos personagens. Iniciamos o jogo com um disparo rápido e simples, mas rapidamente podemos substitui-lo por disparos em formatos de bumerangue, por exemplo.

Tutorial de Cuphead


Tente Outra Vez

O grande fator que pode causar incômodo aos jogadores é a dificuldade de Cuphead. Esse incômodo só é abatido quando começamos a entender que, para avançar, precisamos decifrar os padrões de ataque e movimento dos chefões. No total, precisamos coletar 17 contratos para então partir para o confronto final contra o Diabo, o grande vilão do game. Vencer um boss na primeira tentativa é algo praticamente impossível, pois cada um possui um estilo diferente e que muda de acordo com o dano que você causa nele. Falhar é essencial, só assim você irá entender e criará sua própria estratégia para vencer. A necessidade de compreensão e a formação de estratégias próprias ao estudar os adversários é um dos grandes triunfos do jogo.

Há duas opções de dificuldade no jogo: “Simple” e “Regular”. No modo “Simple”, os chefões possuem menos recursos de ataque como tiros e obstáculos nos cenários, o que facilita a vida dos jogadores. Mas há um porém: você não conseguirá coletar contratos se jogar neste modo, somente no “Regular” – o modo mais difícil. Não há poções que restauram sua vida durante confrontos, não há como salvar seu progresso em uma fase. Só há adaptação, aprendizado e domínio sobre o desafio. A cada confronto finalizado com sucesso, somos recompensados com alegria, já que jogadores enfrentem um mesmo chefão por mais de 20 vezes até conseguir derrota-lo. O insucesso é algo recorrente no game, acostume-se.

Tente outra vez.


Conclusão

A mistura de elementos clássicos de desenhos animados, trilha sonora, mecânica de jogo e todos os desafios recorrentes em Cuphead tornam o game uma experiência de superação contínua. O alívio surge a cada obstáculo superado e ansiamos novas conquistas a cada novo confronto. Falhar é inevitável, mas as repetidas tentativas não diminuem a diversão, mesmo que causem frustração após inúmeras falhas. O game está disponível para Xbox One e PC (via Steam).

100%
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Excelente

Desenvolvedor: Studio MDHR
Publisher: Studio MDHR
Plataformas: Xbox One e PC
Engine: Unity
Data de Lançamento: 29 de setembro de 2017

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About Author

Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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