Mãe! – “A paixão por trás dessa obra é a esperança”, diz diretor

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Darren Aronofsky se reuniu com jornalistas para uma coletiva de imprensa em São Paulo na última terça-feira (19) para falar sobre Mãe!, seu novo filme que estreia nesta quinta-feira (21).

Mãe!, estrelado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem, é uma obra caótica que serve como uma grande alegoria Bíblica e não tem medo de confundir o espectador – você pode ler nossa crítica do filme aqui. Aronofsky, que também dirigiu O Cisne Negro, explicou que sempre dá o máximo ao fazer seus filmes: “Sempre me entrego ao máximo nos filmes que faço. Fui um bailarino em O Cisne Negro, fui um lutador em O Lutador, mas é só uma parte de mim que tirei para transforma-los em personagens para contar uma história. Há elementos que coloquei no personagem de Javier Bardem, é o que sempre faço. É como sei contar histórias, minhas histórias.

Foi um processo difícil por conta de toda a animação. Tive que deixar o projeto fresco, decidi mudar a maneira como trabalho para ver se consigo fazer coisas de outras formas. Me inspirei muito em quem escreve música, já que conseguem colocar um único sentimento para criar uma música em um único dia. Achei essa ideia interessante e decidi seguir esse caminho“, disse o diretor, que terminou o primeiro rascunho do roteiro em apenas cinco dias.

Sobre humanidade e esperança, assuntos recorrentes em Mãe! e em outros de seus filmes, Aronofsky se diz otimista: “Acho que a paixão por trás dessa obra é esperança. Ao mostrar tragédia, podemos mostrar luz. Não acredito que estamos no capítulo final do relacionamento com a mãe natureza, ela ainda não nos explodiu. Ainda temos tempo para mudar.” Aronofsky também falou sobre seus trabalhos com grandes estúdios: “A maneira para se trabalhar com estúdios é sempre ter o orçamento certo para o elenco certo. Esse filme [Mãe!] teve o orçamento certo para o estúdio, muito bem balanceado. Não foi balanceado com Noé, foi muito difícil trabalhar com o estúdio. Acho que, pela forma como faço meus filmes, é muito difícil muda-los, porque se tentar manipula-los, não irão conseguirá manter as peças unidas. Em Mãe!, me deram todo o apoio para fazer o que eu quisesse.

Jennifer Lawrence (esquerda) e o diretor Darren Aronofsky no set de Mãe! (via Paramount Pictures)

Mãe! certamente é um filme com potencial enorme para dividir o público: ou você ama o filme ou o odeia. Darren Aronofsky afirma que essa reação do público é normal: “A realidade é que, quando você desfere um soco, algumas pessoas gostam e outras te batem de volta. Acho que as pessoas que respondem bem aos meus filmes, os entendem completamente. Não acho que meu estilo precisa ser agressivo só para que as pessoas me entendam.

De acordo com o diretor e roteirista, Jennifer Lawrence, que estrela o filme, respondeu muito bem ao papel, embora tenha sido algo diferente de outros filmes em que ela já trabalhou. “Ela respondeu muito bem e muito rapidamente. Foi muito importante para o que ela acredita e se conectou muito bem com a ideia do espírito de casa, sempre entregando – assim como o nosso planeta.” O filme funciona como uma alegoria da Bíblia e Aronofsky comentou sobre a adoração ao criador e como tratamos o planeta. “Natalie Portman assistiu o filme e falou sobre como as pessoas associam o espírito da Terra com mulheres. Talvez seria diferente se associássemos com homens. Tenho noção de como as mulheres são tratadas e como tratamos o mundo. É interessante que, na Bíblia, Genesis fala sobre como devemos cuidar da Terra, inclusive o Papa fala sobre isso. Acho que esse conceito foi mal interpretado há muito tempo atrás.

As diferenças entre os materiais de divulgação e o filme em si são claras, e o diretor fala sobre a dificuldade de vender a ideia de Mãe! e levar o público aos cinemas. “É um filme muito difícil de vender, já que não é um filme de gênero. O trailer não deveria dizer ‘esse é um filme de horror’, mas mesmo assim vai ferrar sua cabeça. Não acho que faço filmes que se encaixam em certos modelos e o problema é que, se o filme tivesse atores menos famosos, o público poderia esperar algo mais artístico e diferente, como nos meus trabalhos anteriores. Mas acho que os espectadores querem coisas diferentes. O público sabe que o filme é uma montanha-russa intensa e, se quer mesmo ver algo diferente, é assim que o filme deve ser vendido.

Após a divulgação de um cartaz que faz clara referência a “O Bebê de Rosemary”, clássico de Roman Polanski lançado em 1968, Aronofsky disse que foi só uma estratégia para provocar o público. “Eu simplesmente achei que ser uma boa provocação e o estúdio aceitou. Foi só uma gozação.

Cartaz de O Bebê de Rosemary, lançado em 1968.

Cartaz de Mãe!, escrito e dirigido por Darren Aronofsky.

 

 

 

 

 

 

 

 

Com Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer no elenco, Mãe! chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (21).

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Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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