Valerian e a Cidade dos Mil Planetas – Crítica

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Dirigido por Luc Besson e estrelado por Dane DeHaan e Cara Delevingne, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é um amálgama de gêneros que perde seu tom mesmo vislumbrando o fantástico.

Em 1967, o escritor Pierre Christin, o desenhista Jean-Claude Mézières e a colorista Évelyne Tranlé deram vida à Valerian e Laureline, quadrinhos sobre agentes espaço-temporais que chegam às telonas no dia 10 de agosto de 2017. Dane DeHaan (O Espetacular Homem-Aranha 2) interpreta o Major Valerian, e Cara Delevingne (Esquadrão Suicida) vive a Sargento Laureline, parceira e interesse amoroso do protagonista.

Controle de solo para Major Tom. Pegue suas pílulas de proteínas e coloque seu capacete“. Ao som de Space Oddity de David Bowie, assistimos ao desenvolvimento da tecnologia humana e o caótico crescimento da Estação Espacial Internacional enquanto repousa na orbita Terrestre, e vemos a Cidade dos Mil Planetas ganhar vida magistralmente – graças à exímia liderança de Scott Stokdyk, supervisor de efeitos visuais do filme. Luc Besson, diretor do sci-fi O Quinto Elemento e do clássico cult O Profissional, não perde tempo ao iniciar Valerian de forma grandiosa e visualmente fantástica. Seu primeiro ato é divido em três núcleos diferentes, cada um servindo um propósito:  situar espectadores no universo do filme; apresentar um grande mistério; e introduzir protagonistas e suas motivações. Compreender sua história já no começo evita confusões, e não atraímos dúvidas com o avanço das cenas.

A caminho de uma nova missão, esbarramos nas personalidades de Valerian (DeHaan) e Laureline (Delevingne). Não precisamos interpreta-los – muito menos julga-los -, só precisamos assisti-los. No final, isso é o bastante, e não desperdiçamos tempo ao decifrar o ponto de vista dos protagonistas. Enquanto transbordamos com efeitos visuais e especiais do filme, outros pilares que o sustentam começam a rachar, e seu tom vira uma maré desnorteante: o que parece ser uma ópera espacial se transforma em um filme de assalto e perseguição, que se perde em meio à uma operação militar e um romance nada profundo. Este amálgama tenta tirar proveito da ironia em que insere seus personagens, mas o cômico não é forte suficiente para apoiar o desenrolar de eventos – assim como a dramaturgia fraca que apela para o amor, sem criar conexão com o espectador.

Há também a necessidade de homenagear outras obras sci-fi, que podem passar desapercebidas e não influenciam ou alteram a jornada dos personagens. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas tira pouco proveito de seus personagens secundários, como Jolly de Ethan Hawke e Bubble de Rihanna, e insiste em soluções rápidas para pequenas ameaças, criando pouca tensão para os desfechos seguintes. Problemas surgem, mas são brevemente solucionados, e a urgência para solucionar o grande mistério de seu enredo é facilmente decifrável. A ameaça principal procura liderança em seu antagonista, mas a aposta na reviravolta da trama não surpreende.

O espetáculo visual perde forças ao se chocar uma trama pálida e heterogênea, e embora tenha DeHaan como protagonista, é com Laureline de Delevigne que o filme exibe seus momentos mais divertidos. Sagaz, durona e irônica, Laureline se firma como a estonteante estrela do longa. A ação perde constante espaço para resoluções instantâneas e o filme escorrega ao também arriscar momentos dramáticos. No final, o espetáculo absorve o comum e a grandiosidade prometida revela ser genérica.

Embora divirta, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas se perde ao insistir em tonalidades narrativas diferentes, mas é no visual e seletos momentos de ação – como a cena no Mercado – que atinge brilho. Atuações dos protagonistas, interessantes personagens de suporte, leveza narrativa e o poder das imagens criadas por Luc Besson salvam o filme do fracasso, mas o fantástico se desgasta e fica sem entusiasmo com o passar do tempo.

 

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Regular

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017)
(Valerian and the City of a Thousand Planets)
País: França | Classificação: 13 anos | Estreia: 10 de agosto de 2017
Direção: Luc Besson | Roteiro: Luc Besson
Elenco: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Kris Wu, Sam Spruell, Alain Chabat, Rutger Hauer, Xavier Gianolli, Eric Rochant, Sasha Luss e Aymeline Valade.

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Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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